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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe da EDP

rabiscado pela Gaffe, em 25.09.14

Junho de 2013

Entrei no meu novíssimo apartamento.

Fui das primeiras inquilinas do edifício e durante imenso tempo vivi com a chamada luz de obra, porque a EDP, embora com tudo a postos e tudo o resto operacional, ainda não tinha instalado o que quer que seja que tem de instalar para me fornecer um contador próprio.

Julho de 2014

Já com vizinhos, uma brigada de dois garbosos rapagões atacou o prédio e declarou o estado de sítio, cortando a luz de obra e desatando a ligar fios e pavios e a cravar contadores por tudo quanto era canto. O que prometeram durar duas ou três horas, levou um dia inteiro e só não se arrastou por mais tempo porque uma senhora desatou à estalada metafórica acusando a EDP de lhe estragar os congelados. A brigada só então foi reforçada e o trabalho finalizado.

Esperava este milagre para unir o contrato de gás que já tinha assinado com a EDP ao da luz que assinaria agora, transformando tudo no chamado Casa-Total que me dá um desconto na conta a que somaria aquele a que tinha direito por ser sócia do ACP.

Comunico o meu sonho a EDP.

Recebo pouco tempo depois duas contas de gás.

Tinham duplicado o contrato. Comunico a EDP o erro. A EDP pede desculpa e afirma que o problema está resolvido e que devo ignorar a segunda conta que recebi.

Ignoro a segunda conta.

Recebo a terceira com a referência de novo contrato.

Informo a EDP que o contrato foi triplicado.

A EDP pede desculpa e afirma que o problema está resolvido e que só devo considerar a primeira factura enviada.

Considero apenas a primeira factura e informo novamente que quero o contrato Casa-Total, visto já ter gás fornecido pela EDP e contador de electricidade. Estava somente à espera que me enviassem os documentos.    

Que sim.

Recebo pouco tempo depois novo contrato de gás para assinar.

Dirijo-me a um balcão EDP e espero mais de uma hora para ser atendida.

- Curenta e três!

Preferia ter sido o treuze.

O senhor que me atende é um fofinho, mas não consegue olhar para as pessoas. Levanta os olhos do monitor e crava-os no tecto enquanto me informa que não existe referência no sistema à minha fracção. Será que eu sei o NISS do edifício? O construtor deve saber!

Não! Não sei se o construtor sabe, nem sequer sei se escrevi bem isto e começo a sentir raiva de quem sabe e não lhes diz.

A Câmara não deve ter inserido no sistema.

O quê?

Não há referência ao número do meu apartamento. A numeração salta-lhe em cima.

A funcionária que está com este processo está de baixa prolongada, porque lhe morreu o pai.

Entretanto o senhor amável de olhos no céu vai tentar acelerar a resolução do problema.

Há que esperar.

Espero.

Setembro de 2014

Recebo por SMS um agendamento de deslocação de uma brigada da EDP para o dia seguinte, entre as 10 e as 11 horas.

A mensagem não refere o número de quem a enviou.

Tento telefonar para a EDP para informar que não agendei coisa nenhuma e que um agendamento não deve ser unilateral.

Não é ali. Ali é a EDP Comercial. Devo ligar para a EDP Distribuição.

Ligo para a EDP Distribuição.

Não sabem do que se trata, mas devo tentar ligar para a EDP Comercial. Informo que foi a EDP Comercial que me disse para ligar para a EDP Distribuição. Ah! Então deve ser para instalar o contador.

Não deve ser para instalar o contador, porque o contador está instalado desde Julho.

Deixo o número de telemóvel para me esclarecerem quando souberem do que se trata.

Recebo confirmação do agendamento para o dia seguinte entre as 10 e as 11 horas.

A mensagem não indica o número do remetente.

Desisto e tento ser substituída.

Sou substituída.

Fico em casa toda a manhã para receber, entre as 10 e as 11 horas, os senhores da EDP que chegam às 13.20h para instalar o contador.

Informo que o contador já foi instalado em Julho.

Pedem para verificar.

Verificam, durante mais de meia hora.

Telefonam para o chefe.

Pedem desculpa, mas não sabem o que se passa. Sugerem que telefone para a EDP Comercial para reportar a coisa.

Recebo hoje pelo correio um envelope com um contrato EDP-luz para devolver depois de apensar o meu nome na linha assinalada com uma cruzinha. A data do documento que tinha de assinar era a de 1 de Janeiro de 2014.

O contador foi instalado em Julho de 2014. Em Janeiro tinha a luz da obra.

O envelope tinha andado para trás e para a frente, porque tinha o endereço errado. Faltava o número do andar, que foi desenhado posteriormente a esferográfica.

No corpo do documento o endereço estava completo.

Devolvi a papelada, rasurando a data e por assinar.

Continuo à espera.  

 

Entretanto decidi açambarcar uma tonelada de velinhas, não vá a EDP decidir que afinal eu moro noutro lado e que apenas ando a galhofar com toda a gente. 

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