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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe licenciada

rabiscado pela Gaffe, em 04.11.14

1-format43.JPGOs jovens licenciados portugueses podem tirar a Alemanha da rota da emigração qualificada.

Angela Merkel já atestou o depósito e quer agora apenas quem lhe carregue com profissionalismo os contentores.

O camião guia ela.

 

Não seria boa altura para despachar o Relvas? Pelo menos, furávamos-lhe os pneus!

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A Gaffe descalça

rabiscado pela Gaffe, em 04.11.14

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100 homens, dizem-me que figuras públicas, decidiram aceitar a proposta de Luís Onofre e foram protagonistas de uma campanha publicitária que apesar de não primar pela originalidade, acaba por funcionar bastante bem nesta horta à beira-mar plantada. Fornece visibilidade aos que dela estão carentes, satisfaz hipotéticas fantasias, imita o arrojo das transgressões e o criador tem deste modo assegurada uma boa divulgação do seu trabalho.

Os rapazes aparecem em poses irrepreensivelmente varonis, enfiados em cenários mais ou menos viris, em situações que não colocam em questão a sua masculinidade e de saltos altos. Tudo muito Mário Testino.

Acredito que a passerelle pode ser interventiva, sendo passível de se tornar também uma forma de participação civica e social ou reflexo das preocupações societais. É louvável que o seja. YSL já nos vestiu com o vosso smoking e não precisou de nos explicar a razão, porque foi de imediato entendida e continua activa.

Penso igualmente que não há qualquer inconveniente que seja apenas um modo de brincar levado a sério e aposto que, neste caso, os meninos se divertiram imenso. É sempre saudável gargalhar enquanto se tenta o equilíbrio seja onde for.

 

Há no entanto um pormenor que me deixa ligeiramente irritada nesta sessão de glamour macho.

A justificação que é dada.

Pela igualdade entre o homem e a mulher, contra os abrolhos que a cada passo entravam e atormentam o caminho das fêmeas.

Não nos capacita, pois não?

Os meninos não precisavam de invocar, de desencantar, de arrancar das unhas dos pés, uma causa destas para justificar (para se justificarem?) terem concordado ser protagonistas de uma campanha publicitária! Fica mais amoroso, é certo, mas não é convincente.

Talvez porque falte no meio daquilo tudo Oliviero Toscani, sentimos apenas que estamos a ver fotos de 100 homens de saltos muito altos e poses viris, com diferentes graus de visibilidade, a publicitar um criador de sapatos. Não deixa de ser giríssmo e jamais será errado ou condenável, mas como a mulher agredida diria se não receasse levar mais dois estalos, depois de ouvir que foi também em nome dela que aquilo se fez:

- Que lata! 

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A Gaffe de Tim Cook

rabiscado pela Gaffe, em 04.11.14

b232.jpgFicamos a saber que Tim Cook é um menino que gosta de conhecer – biblicamente falando – outros meninos.

A informação é irrelevante.

Este vociferar aos quatro ventos, este bradar ao mundo a orientação sexual, começa a maçar.

Segundo os próprios e seus seguidores, o revelar da diferença expressa no comunicado promove a libertação e apoia directa e indirectamente aqueles que ainda se confinam ao infeliz escurinho do armário.

É curioso perceber que esta coragem está blindada. Os portadores desta bandeira redentora estão todos protegidos pelo prestígio, fama, simbologia, reconhecimento público, dinheiro e guarda-costas que adquiriram através de realizações que pouco ou nada devem à sua sexualidade.

O exemplo que, entre muitos, Tim Cook, Anthony Watson, Robert Hanson, Robert Greenblatt, Nick Denton ou mesmo Christopher Bailey, dizem consubstanciar é difícil de seguir sem as couraças que os salvaguardam de possíveis represálias sociais infectadas pelos preconceitos. Não é de todo igual a revelação destes CEO à de um qualquer anónimo sem o poder, simbólico ou outro, que se atreve a gritar à multidão a sua orientação sexual. O pobre corre o risco de passar a ter de ir sozinho ao armazém dos fundos, de sentir a mesquinhez do risinho sorrateiro do coleguinha que é macho ou de aparecer esbardalhado no fundo de um poço qualquer.  

Dizer que a orientação sexual de cada um é do foro mais privado, é mais do que luminoso. Não creio que seja benéfico ou proveitoso alardeá-la com o falacioso objectivo de promover o respeito pela diferença, inscrita como um direito do homem. Em última instância e tendo de haver luta, uma atitude próxima da filosofia de resistência silenciosa de Gandhi, nestes casos, surtiria um efeito bem mais duradoiro. Eles são. Não resistam!, daria uma bela palavra de ordem.

A revelação de Tim Cook, para nos reportarmos a uma ocorrência mais recente, é socialmente ilibada e o facto aceite, porque - quer uma, quer outro - estão protegidos pela desgraçada expressão que mistura o beneplácito, amarfanhando-o com a surpresa e admiração que advém de se ter contrariado a expectativa de fracasso que está apensa a condição revelada.  

- Olha como conseguiu o que tem, mesmo sendo assim!

O prevaricador tem um bicho agarrado às costas, mas mesmo assim consegue uma vitória estrondosa.

Quem não a consegue, é apenas a bicha.

 

A revelação de Tim Cook é valiosa por aquilo que muitos condenaram. Declarar que, e cito:

(…) and I consider being gay among the greatest gifts God has given me vai directa à Santa Inquisição ainda em actividade nos confins do Vaticano.

 

O resto aborrece.

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