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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com prestígio

rabiscado pela Gaffe, em 14.11.14

 

Apesar de ser muito arriscado - porque é um senhor de importância significativa, muito prestigiado, normalmente amigo da nossa chefe -, e correndo o risco de levar um pontapé no rabinho se for descoberta a mostrar-vos as miudezas do cavalheiro, a Gaffe vai fazer luz sobre um dos mais prestigiados membros das suas avenidas.


Usa sempre fato aprumado e gravata impecável, de bom gosto irrepreensível. Sapatos de couro e meias discretas. Tem umas brancas nas têmporas que lhe dariam um certo charme se não fossem as ventas fedorentas. É nariz torcido para ligar com a personalidade e não gosta de brincadeiras nem de raparigas espertas ou armadas em tal. Come uma maçã ao almoço e bebe uma garrafa com um litro de água - a Gaffe pensa que é mesmo por isso que anda todo rijo. Má digestão. Aquilo misturado rochifica. Não nos liga um pirolito e trata-nos como se fossemos cocó debaixo do sapato e nunca, mas nunca, dá o braço a torcer. Pode dar a torcer tudo o que sobrar, mas o braço? jamais!


Tem umas namoradas alguns séculos mais novas do que ele e com a inteligência dum capachinho. Nesta área tem o apoio da Gaffe. Mais vale uma loira com o cérebro aquoso do que a esposa com ele noutro estado, pois é casado com uma mulher gorda e pedante cheia de jóias, com o Topo Giggio morto ao pescoço e que acha que as loiras insinuantes são as alunas que ficaram aprovadas na cadeira do marido, embora tenha percebido que o homem não é o professor de anatomia e que, se o fosse, apenas saberia descrever os corpos cavernosos da sua pilita e mesmo assim só depois de a encontrar.


Muito discreto e reservado passa por nós todo empertigadito, mas não deixa de nos mirar o traseiro que sentimos a arder e que tentamos fazer desaparecer virando-nos e caminhando de marcha-atrás. Este nosso modo de locomoção dá-lhe uma sensação de realeza o que lhe permite levantar o queixo e tentar olhar para o nosso decote sem nenhum pudor.

 

A Gaffe tem um destes senhores a pavonear-se todos os dias pelo seu departamento. Vem almoçar com a chefe de serviço e esta rapariga esperta desconfia que depois da sobremesa se debicam um ao outro, isto apesar de ninguém mentalmente activo ter estofo para ir para a cama com um javali pálido.

 

É evidente que não devia personalizar. É imperdoável - a Gaffe sabe -, mas não pode de maneira nenhuma deixar de vos dizer o nome impagável do prestigiado cavalheiro que vos está a apresentar: M. de Tesont.

Agora, ó gente da minha terra - agora é que eu percebi, esta tristeza que trago, foi de vós que a recebi -, é fácil imaginar as caras de extâse muito pouco católico da Gaffe e das suas companheiras de infortúnios laboratoriais quando fazem questão de serem elas a informar a chefe de serviço que tem de esperar no átrio que o Tesont chegue.

 

Nota - Creio ser conveniente começar a censurar-me, porque suspeito que dei início a um esbardalhanço muito pouco reservado...

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A Gaffe no Porto

rabiscado pela Gaffe, em 14.11.14

A Identidade de cidades e bairros tem vindo a adquirir uma importância capital no desenvolvimento do turismo e comércio local. Não foi diferente da Cidade do Porto.

O resultado é uma tipografia simples e grafismos iconográficos que remetem aos famosos azulejos portugueses.

Ouçamos a equipa que criou de forma brilhante a identidade desta minha cidade:

24.jpg"O desafio apresentado foi muito claro. A cidade precisava de um sistema visual, uma identidade visual que pudesse organizar e simplificar a comunicação com os cidadãos, e que pudesse, ao mesmo tempo, definir uma hierarquia clara, juntando a câmara e a cidade. Tínhamos de representar o Porto, uma cidade global, uma cidade para todos.

Essa cidade nunca poderia ser uma entidade vazia, ou uma mera localização geográfica, limitada por barreiras físicas. Está cheia de vida, de carácter, de ícones e símbolos, de costumes e modos de viver, com lugares emblemáticos, paisagens e um horizonte muito particular. Não pode ser resumida num ou dois edifícios. Está viva, e a sua identidade não poderia ser fixa ou fechada. Precisava de respirar e crescer diariamente.

 

Antiga, Mui nobre, Sempre Leal, Invicta Cidade do Porto.

O Porto sempre foi uma cidade apaixonada. Tem uma escala que permite uma relação de proximidade. Aqui sentimo-nos confortáveis, sentimo-nos em casa. Desenvolvemos um sentimento de pertença com cada monumento, com cada rua. A cidade é nossa e a cada passo reconhecemos o seu sotaque e a sua atitude.

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2.jpgA causa é a cidade. A causa é o Porto.

Esta ideia de pertença pareceu-nos fundamental. Esta casa única que cada um de nós encontra na cidade precisava de ser representada. Todos deveriam ter o seu Porto.

Com esta ideia em mente, uma das primeiras tarefas a que nos propusemos foi perceber como é que os outros vêem a cidade, e o que resulta dessa observação. É óbvio, e até cliché, identificar os grandes ícones como a Torre dos Clérigos, a Casa da Música, a Ribeira, a Fundação Serralves, o rio. Estes ícones vão da incrível gastronomia ao sotaqueinconfundível do norte de Portugal. O vinho do porto, o S.João, o antigo e o contemporâneo, o património e o familiar… a lista de “Portos” continua.

Para cada cidadão o Porto representa algo diferente, particular. Se se perguntar a alguém “Qual é o teu Porto?”, o número de respostas mostra-se interminável. Sentimos a necessidade de dar a cada cidadão o seu próprio Porto. Tínhamos de mostrar todas as cidades que existem neste mesmo território.

Tornou-se claro que o Porto teria de ser muito mais do que apenas um ícone ou um logótipo isolado.Precisava de complexidade. Precisava de vida, de estórias e de personalidade.

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4.pngOs ícones

Olhando para o Porto de uma perspectiva visual encontrámos a inspiração que procurávamos nos azulejos azuis espalhados pela cidade. Embora seja característico encontrar azulejos coloridos variados, com padrões e desenhos que vão desde o mais geométrico ao mais ilustrativo, apenas os azulejos azuis são utilizados para contar estórias. Os azulejos azuis mostram a nossa história, falam da nossa cidade e dos seus monumentos. Eles são narrativos por natureza.

Inspirados nas estórias dos azulejos, desenvolvemos mais de setenta ícones geométricos que representam a cidade e a sua vivência. Os ícones foram desenhados com base numa grelha que permite criar ligações entre eles, criando uma rede contínua, que evoca um painel de azulejos. Estes ícones formam um código visual que representa a cidade. Um código que pode viver isoladamente, com cada ícone individual, ou como uma rede de símbolos que mostram a interminável complexidade da nossa cidade. Os ícones podem ainda ser um pouco mais ilustrativos, contendo estórias, mostrando a paisagem ou traduzindo as nossas paixões.

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Porto

O Porto é uma cidade com uma personalidade forte. Tem uma atitude reconhecível que é inequivocamente nossa. Por isso, para viver em conjunto com a rede de símbolos, precisávamos de uma marca com uma mensagem clara, que resumisse a nossa identidade.

A palavra foi suficiente. Numa afirmação simples e directa de quem somos e o que somos. Nada mais do que o Porto. A cidade é indiscutível, incontornável, incomparável. É o Porto.

Na palavra, no ponto, visualizamos a oralidade. Como se a atitude do Porto estivesse à espera de ser revelada. É  afirmação do que somos sem rodeios.

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E agora?

Enquanto desenhávamos os ícones apercebemo-nos que a lista de elementos a representar continuava a crescer. Cada pessoa com quem falávamos, trazia a possibilidade de um novo ícone. A lista continuou a crescer, desde os vinte ícones iniciais, aos actuais setenta ícones ainda em crescimento.

Este é um sistema aberto. Através de sugestões, painéis de desenho e entrevistas, estamos a tentar recolher o máximo de contribuições possível, e todas as semanas surgem novas ideias.

A nossa ambição é fazer com que esta identidade seja confortável e familiar para os cidadãos do Porto. Queremos que seja deles. As suas ideias e a sua participação serão tidas em consideração para construirmos estas estórias em conjunto. O Porto é uma identidade partilhada. Não quer ser acabada ou fechada. A abertura e a versatilidade deste sistema permite à identidade revelar os seus vários estados de maturidade, crescer e desenvolver-se num ambiente mutável e dinâmico. O desejo contido nesta imagem é que ela funcione para todos os portuenses, que ela possa ser abrigo de todos os portuenses, e que todos se possam encontrar nessa imagem. Na diversidade dos símbolos queremos encontrar a unidade.

Porto vem de um sentimento romântico, aquele que promete lealdade até ao fim."

 

 

Cliente: Câmara Municipal do Porto
Gabinete: White Studio
Ano: 2014
Director de Arte: Eduardo Aires
Design - projecto: Ana Simões, Raquel Rei
Designers: Raquel Rei, Ana Simões, Lucille Queriaud, Joana Mendes, Maria Sousa, Dário Cannatà
Animação: Tiago Campeã
Fotografia: Alexandre Delmar

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