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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe apaixonada

rabiscado pela Gaffe, em 18.11.14

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É usual considerar que nos apaixonamos quando se revelam, não necessariamente juntas, as três reacções sacramentais que nos indicam que estamos muito perto da idiotice que é tantas vezes despoletada pela paixão.

A aproximação daquele que nos faz pensar que a vida pode ser um produto Disney origina quase sempre lugares-comuns plasmados em atitudes físicas incontroláveis que nos deixam em situações normalmente inconvenientes.

A respiração altera-se. Descontrola-se. Tornamo-nos sôfregas. Aproximamo-nos da asfixia que nos sabe bem sentir e a aceleração com que sorvemos e expulsamos o ar que de repente se tornou perfumado, faz com que pareçamos uma daquelas máquinas de perfuração petrolífera, descompensada, que encontrou um banco de suor. Não é bonito de se ver e causa sempre desconforto.

O coração acelera. De súbito parece que existem dois êmbolos manuseados por um psicopata que nos aperta o peito sem dó nem piedade, fazendo do coração uma maquineta descontrolada pronta a explodir a qualquer momento. Não é agradável e normalmente impede que o cérebro seja irrigado.

Sentimos o que dizem ser borboletas no estômago. A verdade é que podemos sentir qualquer outro insecto a debater-se empapado em sucos gástricos, mas é mais poético escolher um alado, colorido e primaveril. Como é fácil entender, não é de todo saudável ter bichos a torcerem-nos as entranhas. Bastou-nos observar o que se passou com Sigourney Weaver para perceber que o voo da poesia se pode transformar num murro de Muhammad Ali.

Estas três badaladas reacções físicas, apesar de consagradas, estão longe de nos provar que Cupido nos fez xixi na cabeça, embotando-nos o cérebro. O amor não é uma regra de três simples. Aproxima-se das margens dos nossos rios, no lugar onde eles estreitam como um pesponto de prata numa túnica verde, e faz-nos sentir que quando o olhamos, há um reflexo de oiro tranquilo que tomba no olhar do outro.

A Gaffe pensa que raramente sabemos se o que sentimos pelos outros é amor ou se simplesmente colhemos rosas que crescem em lugares alheios.

 

Talvez por isso a Gaffe tenha adoptado a pergunta do amigo:

- Quando sentires que eu te amo, avisas-me?

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