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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de 2015

rabiscado pela Gaffe, em 31.12.14

Feliz 2015.jpg

 

Feliz 2015 

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Gavetas:

A Gaffe estatística

rabiscado pela Gaffe, em 31.12.14

estatísticas.gifNão sou assídua consultora das estatísticas que nas entranhas destas avenidas padecem raquíticas. Não existem fórmulas que transformem estes pedacinhos de tontice num manancial de atracções mesmo as que mais circenses nos vão entretendo. Não se torna compulsiva a leitura de um blog, a não ser eventualmente para nós que somos os seus curadores e a ilusão que nos faz crer que o que dizemos é vital para as sementeiras do planeta, torna-nos patéticos e muitíssimo pouco ajuizados.

Suspeito que talvez existam dois ou três segredos para tornar visível a um número gorducho de pessoas aquilo que vamos deixando flutuar.

O primeiro é não se ser pretensioso acreditando que abatemos com a nossa prosa a obra completa de Saramago, cilindrando-lhe mesmo os poucos parágrafos que o mestre decidiu traçar. O espanto tolo de nos vermos ignorados deve-se, na esmagadora maioria dos casos, não a uma injustiça planetária ou a uma indiferença baseada na ignorância escandalosa dos pares, mas apenas às nossas cambaleantes aptidões comunicacionais ou a demonstrada incapacidade de fazer crescer um texto.

Em segunda linha está a coragem de não sermos perfeitos. Nada há de mais maçador do que aquele que nos impinge a bondade, a solidariedade, a compreensão, a aceitação do outro sem a sombra da suspeita, a defesa incondicional dos desprotegidos, dos bichinhos fofos e dos pobrezinhos, exortando-nos a salvar o mundo através do erguer das bandeiras de palavras e da poupança energética. Normalmente parecem enfermeiras a assobiar Kill Bill.

O derradeiro segredo é talvez o mais influente.

O destaque com que o SAPO me brindou na sua página oficial fez com que estas avenidas fossem invadidas, nesse dia, por mais de 2.000 pessoas. No instante da surpresa, pensei que o contador me tinha confundido com os juros da dívida soberana, mas depressa compreendi que no dia seguinte voltaria a ser uma rapariga muito pouco mundana. É incontornável e inegável o poder detido pela plataforma na divulgação de um blog.

 

O que importa realmente é que saibamos aproveitar as ondas criadas pela sucessão das curvas estatísticas. Podem não ser as de McNamara, mas é sempre agradável flutuar no sossegado mar das Caraíbas.

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Gavetas:

A Gaffe no Réveillon

rabiscado pela Gaffe, em 30.12.14

MM.jpgCom a aproximação da noite da passagem de ano, multiplicam-se as propostas e as sugestões relativas ao modo de nos tornarmos divinais à meia-noite.

Embora não se refira Cinderela – porque é previsível; porque nenhuma rapariga esperta está disposta a largar um Jimmy Choo em nome das fadas e porque todas sabemos que não é agradável sermos perseguidas por um rapaz com fetiche por sapatos – as variantes não são muito imaginativas e fazem com que a Gaffe, ao conhecê-las, fique com o sorriso de Charlene de Mónaco, ou seja, com a sensação de que calcou cocó de cão, mas que não pode raspar o sapato nas grades da varanda porque está a acenar ao povo.

 

O denominador comum é o vestido preto. O argumento que surge em defesa desta peça é o tradicional com um vestido preto, eu nunca me comprometo.

Nada mais tonto. A mais comprometedora peça de uma vida feminina é exactamente o vestido preto, salvo se transformado apenas no pano de fundo de uma gargantilha doada pela coroa inglesa. 

Os códigos que se colaram a este fragmento nocturno são demasiado evidentes e as suas leituras fáceis, porque restritas. Num primeiro relance - e é leviano desprezar este vislumbre - somos fatelas fatais ou sofremos uma fatalidade há pouco tempo. Nenhum vestido preto dispensa duas armas: a elegância rara das panteras, genética e inconsciente, e pernas até ao pescoço.

Surgem depois os brilhos.

Cintila-se por tudo quanto é canto, inclusivamente por aqueles onde não é suposto haver lantejoulas, porque picam quando nos sentamos. A proposta é transformarmo-nos numa bola de cristal de discoteca dos anos setenta.  

Se o brilho não tiver origem na Tiffany's é preferível mostrar as pérolas aos porcos.

Há também um rol imenso de decotes. Decotes e costas nuas. Abismos de carne que abana ao som do Eh! Meu amigo Charlie Brown, Charlie Brown. Sentimo-nos dentro de uma telenovela portuguesa onde as meninas fingem suportar os escaldões do ritmo jamaicano e tentam retirar o fio dental do rabinho enquanto o resto do biquíni prova que não é preciso ser-se boa actriz para fazer parte de uma série televisiva - basta ser-se boa atrás - enquanto lá fora rodopia Julie Andrews pela neve austríaca

 

The hills are alive with the sound of music

 

Embora a elegância não exclua a vertigem dos decotes, é sempre embaraçoso ter o pouco que resta da frente do vestido furado por mamilos enregelados.

Finalmente são sugeridos uns sapatos de tacão com a grossura de um embondeiro ou com plataformas que foram preparadas para podermos atravessar uma rua na Malásia sem sentirmos que estamos em Lisboa quando chove mais um bocadinho.

Minhas queridas, nenhuma flûte Moët & Chandon detém um glamour capaz de resistir empoleirado em dois barris de cascos de carvalho. Uns sapatos cujo salto não humilha o pé da flûte com que brindamos a chegada de 2015, ou são construções de Joana Vasconcelos ou então somos candidatas à Casa dos Segredo - embora uma coisa não se incompatibilize com a outra.

 

O ideal é sempre o que não é referido por um qualquer fashion adviser. Nenhum deles conseguiu, como a Monroe de modo tão certeiro, aconselhar o uso de apenas uma gota de Chanel no nosso corpo festejado.

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A Gaffe mensageira

rabiscado pela Gaffe, em 29.12.14

Grant WoodA Gaffe ainda não se focou na mensagem de Natal do Presidente das República por três razões de peso:

- Porque sempre lhe disseram que tocar num osso enquanto a matilha o vai roendo, aumenta as probabilidades de se ser mordido;

- Porque, digam o que disserem e por muito ecuménico que seja, não é de bom-tom misturar festividades, diminuindo as hipóteses de nos vermos com mais do que um presente;  

- Porque o Halloween é um festejo irlandês que se americanizou em demasia.

A verdade é que as mensagens de Natal presidenciais nunca foram momentos cintilantes. Abre-se uma excepção para a doçura e alegria das da família Clinton que incluíam sorrisos, cães, petizes, relva, saltinhos e estrelinhas, mas desde que Clinton insinuou o encetar de relações com Cuba mostrando o charuto, a coisa descambou. Obama aparece sisudo com a cabeça de Michelle a ocupar todo o cenário, como um incauto aventureiro jurássico que não se apercebe que tem mesmo atrás um Tiranossauro Rex.

As mensagens de Natal monárquicas são mais comedidas. A hereditária experiência mostra aos coroados que basta um membro do casal real para imitar a Miss Universo e desejar paz no mundo. Filipe de Espanha e Isabel de Inglaterra, por exemplo, para além dos alfinetes ao peito – cada um no seu género – revelam ter em comum a noção de parcimónia que impede que o cônjuge faça mais uma vez figura de parvo.

A solução encontrada pelos assessores de imagem do Presidente da República portuguesa não é, de todo, satisfatória.

Colar ao lado de Cavaco Silva um poster de má qualidade com a fotografia em tamanho real de Maria Cavaco Silva, não resulta. Compreende-se que o usem quando em cerimónias oficiais a senhora não tem de andar muito ou não exista uma carteirita de cortiça, um porta-chaves, uns sapatitos, uma caneta ou um outro qualquer presentinho no fim da linha, mas não é aceitável quando se tem de ajudar a convencer um povo que o seu presidente não foi criogenado.  

Tornaria tudo incomparavelmente mais dinâmico se se juntassem todos os presidentes num estúdio a entoar We Wish You a Merry Christmas. Seria interessante tentar distinguir os mortos dos vivos e talvez em polifonia passasse despercebido o facto de todos nos cantarem a mesma coisa em todos os natais da nossa história.      

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A Gaffe afixa

rabiscado pela Gaffe, em 27.12.14

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A Gaffe franciscana

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.14

opiário.jpgO meu dia de Natal foi ligeiramente mais santo do que o habitual. O meu tio-avô, irmão velhíssimo da mãe da minha mãe, franciscano, antiquíssimo, consultor de cardeais, teólogo, filósofo, Provincial da Ordem durante décadas e um dos maiores latinistas da Península, veio de Salamanca, duzentos anos depois de ter partido, visitar a família.

O sábio ancião é a personificação da bondade, da paz, da suavidade e da tolerância.
Chegou de hábito vestido, sem o mínimo vestígio de desconforto, apesar daquelas dobras e pregas de tecido castanho rude.
Para o almoço mudou-se e apareceu de fato preto gasto e roído nos punhos, mas inexplicavelmente elegante.
Foi adorável durante todo a refeição, mas confesso que discussões acerca de traduções de clássicos latinos não são o meu forte.
Decidi passear-me e arrastei comigo o meu irmão.

O quarto de hóspedes, destinado ao douto senhor, é no andar de cima e tem a melhor varanda da casa.
Entrei para abrir todas as portadas.
Sobre a cama, impecavelmente estendido, o hábito repousava. Pregas rigorosamente dobradas, escapulário ao comprido, cordas cruzadas, capuz rígido ao lado.
Não resisti. Obriguei o meu irmão a vesti-lo.
Tinha na frente o mais sensual, o mais atraente, o mais excitante e o mais pecaminoso dos frades franciscanos de toda a história da Igreja.

 

O hábito pode não fazer o monge, mas há homens que dentro dele fazem o convento parecer um opiário.    

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Gavetas:

A Gaffe sôfrega

rabiscado pela Gaffe, em 25.12.14

Natal.gifA melhor forma de sentirmos que durante todo o ano há estrelas que brilham presas nas árvores das pestanas de quem se quiser é aproveitarmos todos os pedacinhos do Natal.

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A Gaffe habitual

rabiscado pela Gaffe, em 24.12.14

Feliz Natal.jpg

 

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A Gaffe criminosa

rabiscado pela Gaffe, em 23.12.14

Calvin and Hobbes.jpgA Gaffe decidiu ontem escapar-se num instantinho para a FNAC para desatar a procurar o livro que o mano lhe tida dito que gostaria de ler. Encontrou um único exemplar ao mesmo tempo que descobriu que as fugas precipitadas dos locais onde se tem de permanecer obrigatoriamente deixam algumas mazelas na tranquilidade e fazem com que nos esqueçamos sempre de qualquer coisa essencial ao cumprimento do objectivo da transgressão.

A Gaffe não tinha levado a carteira!

Decidiu esconder Prosa Completa de Woody Allen na estante dedicada à Literatura Francesa, mesmo atrás dos cinco volumes da obra completa de Balzac. Um esconderijo impenetrável, como é bom de ver.

Admite que não foi educada e não mostrou uma pontinha de respeito pelos outros, coisas que deviam estar ao rubro nesta época, mas depois de ter visto uma senhora pronta a cravar as velinhas de Natal decoradas com azevinho e anjinhos ternurentos nas costas dos que faziam fila na caixa da Zara Home, relativiza imenso estas incandescências.

Com o crime cometido, a Gaffe saiu discretamente da loja e já pronta a acalmar o rubor da culpa que sentia, encontrou nos corredores um pequeno estaminé onde um senhor muito simpático prometia reproduções nossas em 3D. Existia num espaço onde um scanner nos lia e enviava a informação para uma aplicação informática. Uma semana depois tínhamos um boneco igualzinho a nós em três tamanhos à escolha.

Três orgasmos de diferentes dimensões para os narcisistas.

A Gaffe ficou a pensar se não seria mais simples encomendar a este senhor simpático a estátua de Cristiano Ronaldo. Se fossem reproduzidos milhares de exemplares, todos assinados pelo herói e comercializados pelas manas, os fãs teriam a possibilidade de o comprar e de sentir o orgulho de ter Ronaldo na mesinha de cabeceira com a velinha da senhora da Zara Home a iluminar o altar. Sempre eram mais uns trocos.

Apesar de um mastodonte de três metros não ser fácil de montar, a Gaffe considera que a pose do herói facilitou o trabalho do escultor e pensa mesmo que o artista, para além de ter captado a atitude do jogador antes do livre, se preocupou também em apanhar a atitude de Ronaldo perante Irina, tendo em conta o que esculpiu no meio campo. Receia, no entanto, que a ilha se incline com o peso do paspalho e a parte que o sustenta se enfie e mergulhe, ainda mais do que o habitual, no oceano das tontices, fazendo com que Jardim escorregue borda fora ou que o outro lado da ilha, que se ergueu neste desastre, catapulte o offshore madeirense e atinja o ponto cego da visão dos senhores da Troika que os impediu de detectar o naufrágio do BES.

  

A Gaffe acaba por se sentir apaziguada com a sua consciência. Esconder um pequeno livro numa estante, é bem menos grave do que tentar esconder a mediocridade parola atrás de penedos de três metros.  

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A Gaffe com arroz doce

rabiscado pela Gaffe, em 22.12.14

Al Brule..jpgO desafio partiu do Francisco e sendo ele um rapaz distraído vou tentar fornecer-lhe os links para não me repetir de forma maçadora e tentar escapar às nomeações obrigatórias.  

 

Árvore de Natal artificial ou natural?

Enfim, faz-se o que se deve. Quem não tem cão, caça com o gato.

Natal com neve ou sol?

Já só peço um frio de fazer congelar o Pai Natal sobre a minha chaminé.

Esperar pela manhã ou abrir os presentes à meia-noite?

Abrir presentes à meia-noite. É uma meia-noite absolutamente mágica que faz com que qualquer presente brilhe nos olhos de quem o ofereceu.

Qual o filme que adora ver nesta altura?

Mas há televisão nesta noite?! Se houver, quero estes.

Cânticos de Natal no Shopping. Sim ou não?

Se falamos do coro de Santo Amaro de Oeiras, nem nos elevadores.

Qual o uniforme que usa no dia de Natal? Pijama ou veste-se toda bonita?

Visto-me muito melhor porque uso a tradicional camisola de Natal que herdei do meu avô.  

Qual a sua comida de Natal favorita?

Batatas cozidas com bacalhau, ovo, cenouras, couves e alho esmagado, tudo regado com uma dose descomunal de azeite, comme il faut!

O que quer receber este Natal?

O que está dentro do coração de quem tenho dentro do meu e a notícia de que não é o meu irmão a decorar a árvore.

Planeia antecipadamente os presentes de Natal ou é à últmia hora?

Deixo tudo nas mãos do espírito de Natal e convenço-me sempre que vou encontrar o presente ideal para toda a gente mesmo ouvindo já os guizos do trenó natalício.  

Veste-se de Pai Natal?

Não. Sou uma menina de uma família muito conservadora que não aprecia fatos de fibra e pêlos artificiais à mesa da consoada.

Qual a sua música favorita de Natal?

Frank Sinatra e I’ll be home for Christmas e todas as outras que me lembram um Natal antigo.

Onde vai passar o Natal este ano?

No Douro, como sempre, ao lado de mais de duas dezenas de paixões espalhadas pela família.

 

Ilustração - Al Brule

 

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A Gaffe no lado sinistro do Natal

rabiscado pela Gaffe, em 22.12.14

Natal.jpgO mais assustador da época de Natal não é a visita dos vizinhos que custe o que custar acham por bem vir desejar-nos Boas Festas, mesmo quando não sabiamos que o pecado morava ao lado. São uns queridos, embora nos façam duvidar se é aconselhável trazer com eles o cão e as crianças. O que arrepia é a quantidade vezes que a Gaffe lê e ouve:

- Um desfile de Pais Natal nus em solidariedade com a TAP;

- Concentração de Pais Natal junto à cadeia de Évora;

- Manifestação de Pais Natal em protesto contra a exploração das renas;

- … Pais Natal por todo o lado.

Meus queridos, Pais Natal não existe, pese embora o que nos é dado deles ler na televisão.

O único Pai Natal admissível é o velhote simpático e bonacheirão que pertence ao imaginário infantil com a bênção da Coca-Cola. Pais Natal é apenas o que se poderá chamar uma calinada do arco-da-velha. Se nos referimos aos aglomerados de rapazes enfiados numa fatiota vermelha de fibra ranhosa, comprada numa loja chinesa, com pedaços de algodão a descolar na cara e barrete de forcado, convém chamar-lhes pais natais e sobretudo não esbardalhar cópias nas janelas.    

Uma das mais arrepiantes imagens do Natal é esta última. Pais natais que se cravam nas varandas como se tivessem sido cuspidos do trenó numa curva mais apertada e estatelado contra os ferros forjados das nossas noites de Inverno, ou então versões do Chucky que procuram assolar os nossos sonhos natalícios durante semanas a fio. São pais natais secos, mirrados, desossados e torcidos, anões que oscilam ao vento e pingam encharcados numa eterna incapacidade de dobrar o parapeito. Não são bonitos, arrepiam e assustam. São substituídos, às vezes, por quadrados de pano vermelho com o Menino Jesus estampado. É igualmente sinistro, mas pelo menos deixamos de nos sentir assustadas sabendo que há uma coisa antropomórfica a tentar entrar no nosso quarto.

Pendurar na varanda um bacalhau seria igualmente imbecil, mas preferível. Teríamos um demolhar mais ecológico.

Outro apontamento a repensar nesta época é a mania de se atirar com um único fio raquítico de luzinhas de Natal para cima de uma árvore digna e frondosa e pensar que ficou gira. A pobre acaba a parecer que usa fio dental comprado numa qualquer sex-shop manhosa. O crime só tem compincha quando se preenche o arbusto da entrada com a colecção completa de luzinhas dos OVNIS que o dono da casa costuma avistar. É um piscar incessante e nervoso capaz de provocar ataques epilépticos a qualquer transeunte menos prevenido e absolutamente stressante para a ramagem que não vê chegar o fim da tortura, porque existem ainda os escuteiros.

Os presépios dos escuteiros crescem desalmadamente. Qualquer jardinzito público viçoso é pasto para estas criaturas capazes de transformar nesta época um relvado bem tratado numa pasta empapada e enlameada onde enterram muitos paus, com muitos nós e muita tela, muitos troncos, muita palha e muita corda. O presépio fica sempre parecido com uma tenda dos Sioux depois de uma carga de pioneiros americanos e o jardim com as hostes de Custer após a tareia de Touro Sentado. É aconselhável que durante o Natal não se permita que estes rapazes saiam dos bosques onde vão acender lareiras e cozinhar coisas simples. Em alternativa poderemos sempre obrigá-los a cantar o Jingle bells enfiados na neve até que os bells deles deixem de tocar.

A estes pequenos contratempos natalícios, a Gaffe acrescenta que, cedo ou tarde, se vai esbardalhar contra os miúdos do coro de Santo Amaro de Oeiras

 

A toooodos um bom NataaaaAAAAALLLL

A toooodos um bom NataaaaaAAAaaaL

 

mas acredita que, depois de ter enfrentado o referido, os encarará com uma atitude já muito Lexotan.

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Gavetas:

A Gaffe imatura

rabiscado pela Gaffe, em 20.12.14

 

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A Gaffe solitária

rabiscado pela Gaffe, em 19.12.14

anel de noivado.gifNa tradição judaica o véu significa a honra, a virgindade e a dignidade das mulheres e em simultâneo um sinal da subordinação ao marido.

Há quatro tipos clássicos desta simbólica subjugação:

  • Véu catedral - Véu formal, medindo 12 centímetros mais do que o comprimento da cauda do vestido.
  • Véu ponta do dedo - O comprimento vai até a ponta do dedo da noiva.
  • Véu cotovelo - O comprimento vai até o cotovelo da noiva.
  • Véu ombro - Véu curto que, como já se esperava tendo em conta a originalidade da escolha do nome dos anteriores, vai até os ombros.

Já o anel de noivado chega-nos da Grécia e de Roma antigas que por sua vez o foram buscar à tradição Hindu.  Acreditava-se que pelo quarto dedo da mão esquerda passava uma veia (vena amoris) directamente ligada ao coração.

No início o anel de noivado (e posteriormente a aliança) era tida como um certificado de propriedade ou de compra da mulher, indicando que a mesma não estava mais disponível para outros pretendentes e só a partir do século IX foi transformado pela  igreja cristã no símbolo de união e fidelidade entre casais cristãos.

É curioso perceber que estes românticos símbolos são originários de crenças muito pouco abonatórias, mas, de posse desta informação, saibam rapazes que não nos subordinamos nem nos vendemos por um pechisbeque qualquer!

Se os diamantes são os melhores amigo da mulher, o ouro e a platina dão óptimos confidentes e não há tradição que vos valha nem véu que vos cubra se não cintilar no nosso dedo um solitário tão estupendo como aquele que brilha na foto.

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A Gaffe acredita

rabiscado pela Gaffe, em 18.12.14

today.jpgPorque o dia começa a tremer de frio; porque o nosso pijama tem laços de miosótis bordados na gola; porque há pão com manteiga e chá quente na mesa do pequeno-almoço; porque podemos ouvir Frank Sinatra e I’ll be home for Christmas; porque o cão se sentou ao nosso lado e adormeceu encostado às nossas pernas; porque na jarra de vidro fosco há azevinho; porque uma bola de vidro tombou da árvore de Natal e rolou até parar aos nossos pés; porque o ar nos cheira a fresco como se tivesse sido lavado com um sabonete antigo; porque nos apetecia que nevasse, mas sabemos que tomba do céu o silêncio matinal das ruas; porque a manta de lã da Covilhã adormeceu amarrotada no sofá da véspera; porque sentimos que tudo nos fala de azul, enquanto lá fora a rua começa a misturar as cores; porque o gato na janela da frente nos olha sonolento com a placidez dos monarcas; porque as coisas mais pequenas são aquelas que nos tornam gente grande.

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A Gaffe em fuga

rabiscado pela Gaffe, em 17.12.14

De quem fujo eu?!  – Pergunta-me o senhor sentando na poltrona aveludada. Tem pousada a mão envelhecida no meu braço e exige resposta a mão pousada.

 

De quem fugimos nós a não ser do instante em que defronte temos nus o que somos?

 

Lembro-me da história daquele que para fugir à morte que tinha avistado no caminho, cavalgou no vento e galgou distâncias, para mais longe ainda que o longínquo, até encontrar um seguro lugar de fim da fuga. Ao desmontar do vento, a morte à sua frente, assombrada pela surpresa de o ter visto antes no lugar errado. Tinha encontro marcado com o que fugia, mais longe que o longe, no lugar do desmontar do vento.

 

De quem fugimos?

Desmontamos o vento no deserto.

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