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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com arroz doce

rabiscado pela Gaffe, em 22.12.14

Al Brule..jpgO desafio partiu do Francisco e sendo ele um rapaz distraído vou tentar fornecer-lhe os links para não me repetir de forma maçadora e tentar escapar às nomeações obrigatórias.  

 

Árvore de Natal artificial ou natural?

Enfim, faz-se o que se deve. Quem não tem cão, caça com o gato.

Natal com neve ou sol?

Já só peço um frio de fazer congelar o Pai Natal sobre a minha chaminé.

Esperar pela manhã ou abrir os presentes à meia-noite?

Abrir presentes à meia-noite. É uma meia-noite absolutamente mágica que faz com que qualquer presente brilhe nos olhos de quem o ofereceu.

Qual o filme que adora ver nesta altura?

Mas há televisão nesta noite?! Se houver, quero estes.

Cânticos de Natal no Shopping. Sim ou não?

Se falamos do coro de Santo Amaro de Oeiras, nem nos elevadores.

Qual o uniforme que usa no dia de Natal? Pijama ou veste-se toda bonita?

Visto-me muito melhor porque uso a tradicional camisola de Natal que herdei do meu avô.  

Qual a sua comida de Natal favorita?

Batatas cozidas com bacalhau, ovo, cenouras, couves e alho esmagado, tudo regado com uma dose descomunal de azeite, comme il faut!

O que quer receber este Natal?

O que está dentro do coração de quem tenho dentro do meu e a notícia de que não é o meu irmão a decorar a árvore.

Planeia antecipadamente os presentes de Natal ou é à últmia hora?

Deixo tudo nas mãos do espírito de Natal e convenço-me sempre que vou encontrar o presente ideal para toda a gente mesmo ouvindo já os guizos do trenó natalício.  

Veste-se de Pai Natal?

Não. Sou uma menina de uma família muito conservadora que não aprecia fatos de fibra e pêlos artificiais à mesa da consoada.

Qual a sua música favorita de Natal?

Frank Sinatra e I’ll be home for Christmas e todas as outras que me lembram um Natal antigo.

Onde vai passar o Natal este ano?

No Douro, como sempre, ao lado de mais de duas dezenas de paixões espalhadas pela família.

 

Ilustração - Al Brule

 

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A Gaffe no lado sinistro do Natal

rabiscado pela Gaffe, em 22.12.14

Natal.jpgO mais assustador da época de Natal não é a visita dos vizinhos que custe o que custar acham por bem vir desejar-nos Boas Festas, mesmo quando não sabiamos que o pecado morava ao lado. São uns queridos, embora nos façam duvidar se é aconselhável trazer com eles o cão e as crianças. O que arrepia é a quantidade vezes que a Gaffe lê e ouve:

- Um desfile de Pais Natal nus em solidariedade com a TAP;

- Concentração de Pais Natal junto à cadeia de Évora;

- Manifestação de Pais Natal em protesto contra a exploração das renas;

- … Pais Natal por todo o lado.

Meus queridos, Pais Natal não existe, pese embora o que nos é dado deles ler na televisão.

O único Pai Natal admissível é o velhote simpático e bonacheirão que pertence ao imaginário infantil com a bênção da Coca-Cola. Pais Natal é apenas o que se poderá chamar uma calinada do arco-da-velha. Se nos referimos aos aglomerados de rapazes enfiados numa fatiota vermelha de fibra ranhosa, comprada numa loja chinesa, com pedaços de algodão a descolar na cara e barrete de forcado, convém chamar-lhes pais natais e sobretudo não esbardalhar cópias nas janelas.    

Uma das mais arrepiantes imagens do Natal é esta última. Pais natais que se cravam nas varandas como se tivessem sido cuspidos do trenó numa curva mais apertada e estatelado contra os ferros forjados das nossas noites de Inverno, ou então versões do Chucky que procuram assolar os nossos sonhos natalícios durante semanas a fio. São pais natais secos, mirrados, desossados e torcidos, anões que oscilam ao vento e pingam encharcados numa eterna incapacidade de dobrar o parapeito. Não são bonitos, arrepiam e assustam. São substituídos, às vezes, por quadrados de pano vermelho com o Menino Jesus estampado. É igualmente sinistro, mas pelo menos deixamos de nos sentir assustadas sabendo que há uma coisa antropomórfica a tentar entrar no nosso quarto.

Pendurar na varanda um bacalhau seria igualmente imbecil, mas preferível. Teríamos um demolhar mais ecológico.

Outro apontamento a repensar nesta época é a mania de se atirar com um único fio raquítico de luzinhas de Natal para cima de uma árvore digna e frondosa e pensar que ficou gira. A pobre acaba a parecer que usa fio dental comprado numa qualquer sex-shop manhosa. O crime só tem compincha quando se preenche o arbusto da entrada com a colecção completa de luzinhas dos OVNIS que o dono da casa costuma avistar. É um piscar incessante e nervoso capaz de provocar ataques epilépticos a qualquer transeunte menos prevenido e absolutamente stressante para a ramagem que não vê chegar o fim da tortura, porque existem ainda os escuteiros.

Os presépios dos escuteiros crescem desalmadamente. Qualquer jardinzito público viçoso é pasto para estas criaturas capazes de transformar nesta época um relvado bem tratado numa pasta empapada e enlameada onde enterram muitos paus, com muitos nós e muita tela, muitos troncos, muita palha e muita corda. O presépio fica sempre parecido com uma tenda dos Sioux depois de uma carga de pioneiros americanos e o jardim com as hostes de Custer após a tareia de Touro Sentado. É aconselhável que durante o Natal não se permita que estes rapazes saiam dos bosques onde vão acender lareiras e cozinhar coisas simples. Em alternativa poderemos sempre obrigá-los a cantar o Jingle bells enfiados na neve até que os bells deles deixem de tocar.

A estes pequenos contratempos natalícios, a Gaffe acrescenta que, cedo ou tarde, se vai esbardalhar contra os miúdos do coro de Santo Amaro de Oeiras

 

A toooodos um bom NataaaaAAAAALLLL

A toooodos um bom NataaaaaAAAaaaL

 

mas acredita que, depois de ter enfrentado o referido, os encarará com uma atitude já muito Lexotan.

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