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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe monocromática

rabiscado pela Gaffe, em 15.01.15

Marsala.jpg

A Gaffe coloriu há algum tempo 2015. Depois esqueceu, até a ver referida por todo o lado.

Várias foram as gentes que recusaram e exilaram a nova adição Pantone. A cor, marsala, foi liminarmente banida e o seu nome esconjurado.

A opinião foi quase unânime. Marsala é uma cor terrível, uma cor enjoativa, mórbida, mas tal já seria de esperar com aquele nome idiota. Nada digno de nota pode ter uma cor chamada assim. Bordeaux é talvez o admitido. É portanto difícil que o que quer que seja que tenha uma cor com o nome marsala figure no catálogo das nossas preferências. À tonalidade foi amarrado o nome na condenação.

Se pela boca morre o peixe, até um apelido pode ser o anzol.

É curioso como ínfimos pormenores contribuem tantas vezes como factores importantes para o nosso julgamento, como minúsculas manigâncias são capazes de contribuir para a avaliação que fazemos das coisas e dos outros.

Cometemos tantas vezes este lapso!

As expectativas que temos em relação a tudo são influenciadas por elementos que em consciência não admitiríamos e não validaríamos.

Seria um exercício curioso contar o número de vezes que, antes de qualquer outro gesto, condenamos ou aceitamos alguém ou alguma coisa apenas porque tropeçamos no início com um insignificante detalhe que não nos agradou.

A Gaffe prevenida esperou até encontrar a opulência da cor marsala a contradizer os juízes.  

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Gavetas:

A Gaffe de carrapito

rabiscado pela Gaffe, em 15.01.15

carrapito.pngO que se passa convosco, rapazes?

O que vem a ser aquela coisa minúscula, aquela caganita, aquele pechisbeque, aquele carrapito patético com que agora ornamentais a cabeça?!

Há dias em que uma rapariga consegue ignorar o botão de cabelo que amorosamente criais, mas há momentos que só apetece bater-vos com um taco de baseball nos vossos mais protegidos recantos até que aquilo se desfaça de vez!

Pode eventualmente ser admitido em gigantes musculados e barbudos. O corpanzil disfarça e é provável que uma rapariga se distraia com o conjunto ou que não consiga ver o bebé no topo da cabeça, mas os mais franzinos deviam abster-se de usar uma desfaçatez daquelas, embora nos pequeninos o cornicho pareça proporcionado.

 O problema agrava-se quando não há cabelo que enrole e é exposto uma vassourinha minúscula, espetadinha e ouriçada, o pincel laçado do nosso verniz. Não há nenhuma criatura que vos ache inteligentes. É o chamado preconceito piaçábico.

Para além disso, dá-vos um ar ansioso. Fica a pairar a vossa impaciência. Dir-se-ia que não aguentais esperar que o cabelo cresça para o poder prender com dignidade e o que desejo leonino que vos invade arrisca sem vergonha fazer-vos passar por idiotas capilarmente ambiciosos.

Não há nenhuma conversa séria que resista ao vosso pirolito. Ninguém consegue discutir a Teoria do Caos ou os reflexos do naturalismo na Literatura portuguesa dos fins do século XIX com um homem que tem uma coisa espetada no cérebro a olhar para nós e não adianta nada declararem que só admitem discussões de carácter artístico, porque nos apetece de imediato mandar-vos colorir de pernas no ar um livrinho com figuras geométricas.

A única razão para o uso de tão peculiar penteado é aquela que nos informa que talvez seja possível pendurar-vos pelo pequerrucho puxo.

 Justifica-o, mas não funciona. Uma rapariga prefere sempre pendurar um homem por outros enfeites.  

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