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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do principezinho

rabiscado pela Gaffe, em 19.02.15


ruben-cortada-cubano-el-principe-telecinco-9.jpgA RTP2 substituiu a magnífica série Borgen por El Príncipe.

Não possuindo a inteligência da primeira, a actual, para além de acção, Marrocos, Ceuta, terroristas, traficantes, tiros, marginais, corrupção e cores torradas, tem no seu elenco um dos mais inacreditáveis homens que Deus e Alá abençoaram com uma beleza de nos matar asfixiadas com própria baba.

Meninas! Rubén Cortada é um animal único! Absolutamente perfeito!

A Gaffe mal o vislumbra, deixa de ouvir castelhano porque passa a ouvir sininhos, esquece o argumento, os tiros, a trama, o colorido e o cenário um bocadinho forçado e fica especada de queixo caído, completamente esbardalhada perante a beleza brutal deste rapaz.

Podemos defender-nos afirmando que não faz o nosso género, mas a verdade é que Rubén Cortada faz-nos tudo o que quiser.  

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A Gaffe literária

rabiscado pela Gaffe, em 19.02.15

livros.jpgNão existe boa e má literatura. Ou há literatura ou não há.

É tão errado referir determinada obra como má literatura, como classificar uma outra como pertença do inverso. É maçadora a discussão em redor dos fenómenos que permitem o reconhecimento dos escritos como peças literárias, nem sempre os cânones incluem as que eventualmente se consideram dignas de figurar no seu historial e as exclusões correm sempre o risco de encontrar discórdia, mas é sempre possível treinar a capacidade de se reconhecer instintivamente um bom livro, porque, não existindo boa e má literatura, existem contudo maus livros. Não é conflituoso reconhecer os agrupados nos universos literários que usam todos os crivos que foram construídos ao longo de séculos pela Teoria da Literatura, mas os que sobram estão na origem de uma questão que permanece:

 

Ler seja o que for, é melhor do que não ler nada?

 

A resposta afirmativa que se justifica alegando que ler seja o que for, gera o hábito de leitura, promovendo-a e incentivando-a, não colhe dividendos. Admitir que é possível ler a Maria ou medíocres romances de cordel e desaguar numa escolha mais criteriosa e de maior qualidade no futuro, é esperar sentado que chegue Godot. Um mau leitor é demasiadas vezes iniciado pelo consumo de peças de duvidosa qualidade literária para facilmente retroceder, alterando o caminho. Os maus livros são livros fáceis e a facilidade é aditiva.

A sujeição do leitor, por exemplo, ao uso de fórmulas nos romances de aventuras juvenis de sucesso mais do que adivinhado, quando não aliada a alternativas mais complexas oferecidas por outras obras do género, torna mais fácil o desenvolvimento do que se convencionou chamar Síndrome de Blyton. A repetida fórmula - grupo + problema/mistério + envolvimento do grupo + perigo + resolução do conflito pelo grupo + final feliz -, origina um casulo mental que se torna difícil quebrar com a introdução de premissas diferentes ou mesmo alterando a sua ordem. Um consumidor assíduo e exclusivo destas fórmulas, é mais susceptível de se tornar um adulto com maior dificuldade em acompanhar uma obra que não possui estas artimanhas ou estas armadilhas, e aos que partilham esta opinião chamará intelectualóides, presunçosos, castradores da liberdade de ler, fascistóides ou mimos similares.

Dificilmente gostaremos de Proust quando sempre caminhamos à sombra das Marias em flor ou nos viciamos em medíocres guerras de tronos, sagas vampirescas e melosas tramas de cordel delicodoce.  

A apelidada educação para a leitura é uma oficina de trabalho árduo, mas essencial para a formação de um bom leitor. Nesta tarefa temos a obrigação de contar com a extraordinária capacidade de selecção daqueles que se iniciam nestas andanças. Seria tontice esquecer que a clássica Literatura Infantil é uma literatura de apropriação e que foram as crianças que se apoderaram de obras que não lhes eram destinadas. A Cabana do Pai Tomás, Oliver Twist ou Huckleberry Finn e mesmo Mulherzinhas foram retirados da biblioteca dos adultos por crianças que as entregaram à mais apurada lista de literatura infanto-juvenil.

Se o primeiro passo na construção de um mau leitor se faz demasiadas vezes com a escolha, aquisição ou oferta de um mau livro, não é lícito concluir que um bom leitor se macula quando toca numa obra menor. Não a proibe ou excumunga, nem se esgadanha quando encontra uma pelo caminho. Normalmente ignora-a de forma natural e quando não o faz, passa por ela sem por ela ser tocado.

 

A literatura universal está nas mãos de todos e é de tal forma imensa e povoada que perder tempo - e que imensa perda de tempo! -  com um mau livro, quando poderíamos em troca tricotar um cachecol, devia ser entendido como pateta ou, no mínimo, fazer com que nos sentíssemos a usar um pechisbeque quando nos entregam todas as colecções de jóias que a nossa vida pode imaginar.

 

Nota da redacção - Todo este rabisco teórico, salpicado por uma ligeira demagogia e polvilhado por uma dose substancial de blá-blá-blá, deve ser lido como uma espécie de esfregão da consciência um bocadinho pesada da Gaffe que é indiferente, vergonhosamente indiferente, ao que os outros costumam ler, se está borrifando para os livros que se vendem ou se deixam de vender e que, no que diz respeito à leitura, segue o famigerado "cada um sabe de si e os editores sabem de todos".

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