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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe horrorizada

rabiscado pela Gaffe, em 24.02.15

A Gaffe horrorizada.jpgA Gaffe decidiu torturar os homens da casa. O maninho e o amigo gigantesco que veio passar uns dias junto desta ruiva. Ambos suplicam o comando da TV e a ambos é dada uma condição para o obterem. Devem confessar 10 atrocidades que cometem quando estão sós durante horas a fio, fechados em casa. Devem ser barbaridades que saibam comuns a todos os rapazes.

Olham um para o outro e, para espanto desta rapariga nada cautelosa, começam a enumerar sem qualquer pudor aquilo que até às paredes deveria ser poupado!

A Gaffe hesitou imenso em revelar o que ouviu, mas considera serviço público anunciar ao mundo o que estes trogloditas que pensamos civilizados no aconchego do nosso lar, são capazes de ousar quando os deixamos sós.

Algumas das revelações, por escabrosas, podem ferir susceptibilidades e convém que sobretudo virgens e beatas se afastem daqui de imediato.

Conheçamos então do que estes mostrengos são capazes:

 

1 - Esbardalham-se no sofá, com os pés pousados na mesa de apoio, a fazer zapping. Pelo caminho enfiam a mão nos boxers, misturam o que dentro há para misturar, e levam depois os dedos ao nariz!

2 - Esbardalhados ainda no sofá, com um braço a apoiar a cabeça, parados a avaliar as maminhas aos pinchos das coristas do Portugal em Festa, tentam cheirar o sovaco, porque sentem qualquer coisa a apodrecer!  

3 - Vão tomar duche e ensaiam em voz alta o discurso que vão usar para romper com a namorada ou debitar na frente do Grande Chefe, enquanto fazem xixi nos azulejos e no tapete que impede que escorreguem!

4 - Experimentam penteados, depois de se exercitarem ao espelho em poses de culturista. Pensam seriamente em fotografar a pilinha. Só não o fazem porque se esqueceram de levar o telemóvel. Insultam-se e praguejam contra o esquecimento.  

5 - Mal sentem fome, abrem o frigorífico e retiram, mexem, enrolam, vistoriam o que há dentro. Comem de pé o que lhes agrada, com as mãos e com a porta aberta. Enfiam um pedaço de pão no frasco da maionese, cheiram os pickles e demais miudezas, levam um ou outra à língua só para provar e voltam a enfiar se for azedo o lambido no sítio.

6 - Pensam vestir-se e começam por cheirar a roupa. O colarinho das camisas, o tecido debaixo dos braços, o interior da braguilha dos jeans e, pasme-se, as cuecas, são peças que gostam de inspeccionar com o nariz!

7 - Pegam nos livros que estamos a ler, depois de uma sessão de Kung-Fu em que venceram Jackie Chan e de um número de vaudeville em que foram o Sinatra com o desodorizante a servir de microfone, e lêem o último capítulo com o objectivo de nos contarem o desfecho.

8 - Abrem as nossas gavetas e retiram a lingerie que encontram. A única perversidadezinha que cometem consiste em tentar vestir o soutien mais cobiçado e caricaturar ao espelho a rapariga que os recusou, mas que lhes ficou na memória.

9 - Dão uma vista de olhos à mais recente pornografia na net para passados uns minutos perderem o interesse e começarem a googlar o mais absurdo que conseguem inventar. Mulheres com pêlos nas orelhas, Constuitução da República Eslovaca ou choques eléctricos nos testículos dos nazis, são hipóteses a considerar.

10 - Por não haver rigorosamente mais nada para fazer, fotografam finalmente a pilinha com o telemóvel. Olham a fotografia, acham um nojo, pequena e tristonha, e desistem de a enviar à boazona que engataram no baptismo do sobrinho e que os presenteou há minutos com uma foto das férias onde toda a paisagem está tapada por duas mamas ampliadas. Reconhecem que já estavam bêbados quando a conheceram. 

 

Horrorizadas?

A verdade é que há razões para tal. Saber que um jovem professor conceituado numa das mais distintas Universidades da Europa e um jovem engenheiro físico de importância vital para uma empresa que opera numa área que ultrapassa um mortal mais simples, o cume da sofisticação, enumeraram tais horrores como comportamentos comuns a todos os homens que ficam sozinhos e que pelo menos um dos enunciados é recorrente, é ficar a um passo de admitir que eles, os homens em geral, quando sozinhos, conseguem ser muito mais civilizados do que nós.   

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