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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe dos moluscos

rabiscado pela Gaffe, em 31.03.15

brassai.jpgA Gaffe foi apresentada a um senhor muito respeitável que lhe apertou a mão com uma amenidade extremada.

O senhor tem um sorriso pálido, mas é bonito, atraente e de alto e bom som. Elegante no seu fato azul de seda musculada. A Gaffe percebeu o subtil alvoroço feminino a emergir quando ele entrou.

O senhor estendeu o tentáculo.

Os dedinhos finos e frios tocaram na pele desta rapariga que sentiu a textura de um molusco húmido e escorregadio a roçar-lhe a palma da mão.

O contacto foi brando e breve, quase nada. Um roçagar, um leve fluir de corpo frio de bicho morto e esfolado.

A mão do senhor recolheu-se mole mergulhando nos confins lodosos do escuro do bolso.

A Gaffe ficou a pensar em como deve ser nauseante ser beijada por este senhor. Percebeu então que o beijo de um homem começa nas mãos. São elas que prendem e empurram as cordas que agarram o baloiço das bocas. 

 

Foto - Brassaï

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A Gaffe republicana

rabiscado pela Gaffe, em 30.03.15

BB.jpgÉ deprimente viver num país onde não existe um molde em condições para encarnar o busto da sua República.

A Gaffe procura no acervo da sua memória a curto prazo e encontra apenas três candidatas:

 

- Bárbara Guimarães;

- Alexandra Lencastre;

- Catarina Furtado.

 

O primeiro molde arrisca-se a ser esbardalhado por um ex-ministro desvairado.

O segundo, se colocado num pedestal, impede-nos a visão do seu preclaro rosto.

O terceiro acaba esmagado num soutien Nuno Baltazar.

 

Resta-nos Maria de Belém e aquela moçoila casada com um jogador de futebol, ou seja, uma cabeleira mumificada com dois óculos da Optivisão em vez das maminhas.

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Gavetas:

A Gaffe num alfinete

rabiscado pela Gaffe, em 30.03.15

121.jpgA elegância de uma fragilidade planeada ao mais ínfimo pormenor com a segurança de um jóia de brilhantes que não se quer perder é o modo mais subtil de se prender um homem.

Também funciona com os galgos, embora com estes o alfinete de uma ternura atenta seja suficiente.   

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A Gaffe preparada

rabiscado pela Gaffe, em 29.03.15

escape.jpgA melhor forma de nos sentirmos pertença de um lugar é nunca deixar de ter a mala pronta para partir quando percebemos que já não somos dele.

 

 

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A Gaffe na reprografia

rabiscado pela Gaffe, em 28.03.15

Uwe Heidschötter.jpgA D. Armandina da reprografia é uma senhora pequenina, rechonchuda, de cabelo pintado de castanho acajú, casaquinhos de malha, laçarote na blusa de seda, tacões pequeninos e saia discreta.

É maçadoramente amável, prestável, solidária e diz que tem uma sensibilidade à flor da pele. Gosta mais dos animais do que dos homens e di-lo com tamanha convicção que percebemos porque é que não houve um homem que gostasse dela. Gosta de ler. Escreve poesia. Não fuma, nem bebe e o sexo fica pelas rimas que faz.

Sofreu muito. Só Deus sabe o que sofreu. 

A D. Arminda barrica-se em nome dos outros. Pela Liberdade, Igualdade, Fraternidade, ergue-se heroína.

No entanto, se ouvir um pio contrário ao que pensa - fica com o restolho da opinião das maiorias que pensam certinho - torna-se uma fera. Uma bicha transtornada. Um dispositivo de arremessar injúrias e está habilitada a enfiar nas câmaras de gás os que se atrevem a dizer tolices.

 

À medida que vamos conhecendo a D. Arminda mais absurda parece a montagem de um forte sentido da mais baixa tolerância e preconceito, de orgulho, de brutalidade, de mau humor e de mesquinhez.

A D. Arminda é um macaco de imitação da maior parte dos seus defeitos, sem uma atitude própria. É a história de um charlatão e do seu bobo.

 

A D. Arminda da reprografia substituiu a alma por um missal e é no meio das páginas que vai escondendo estampas pornográficas.

 

Ilustração - Uwe Heidschötter

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A Gaffe “favoritada”

rabiscado pela Gaffe, em 27.03.15

a.jpgA Gaffe descobriu que existe alguém que por aqui passa em silêncio que de vez em quando assinala como favorito o que se vai passando nestas avenidas. Dá conta desta preferência porque vê a indicação no fim de cada rabisco, mas não há registo no esconso deste blog. Quiseram-no privado e assim se cumpriu. Desconhece portanto quem lhe dá o privilégio de passear com algum prazer por estas ruas.

A Gaffe confessa, tonta que é, que acha tão romântico que um enigmático passeante lhe deixe no chão das avenidas um pequeno laço! É tão bonito perceber que existe algures alguém que a mima de modo tão discreto e que guarda estes garatujos tolos sem sequer se importar que não lhe seja entregue um beijo!

 

 

É a única forma de se ser anónimo com elegância.

 

Nota da redacção - Agora não se atrevam todos a esconder que gostam da Gaffe, vá.

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Gavetas:

A Gaffe no Oriente

rabiscado pela Gaffe, em 26.03.15

A Gaffe no OrienteExistem homens que trazem no corpo os rastos mais felizes das histórias que viveram. Usam-nos para encanto nosso e com a dignidade silenciosa do inevitável. Só a tranquilidade de uma maturidade plena e consciente os faz encantadores da serpente fugidia da atenção de uma mulher. Apenas a sóbria capacidade de se ornamentarem com as cores da exuberância que lhes povoa a vida nos faz render aos seus majestáticos perfis de sábios e de poetas.

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A Gaffe californiana

rabiscado pela Gaffe, em 26.03.15

Boys.jpgMcLaughlin, advogado californiano, decidiu propor a legalização da morte para gays e lésbicas e a prisão para quem os defende.

Tem seguidores.

 

McLaughlin é apenas a prova de que em alguns homens a parte inútil que fica na base das suas pilinhas é o resto do corpo.   

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A Gaffe no SAPO

rabiscado pela Gaffe, em 25.03.15

PJ Lynch.jpgA Gaffe só agora, saltitando fresca por este universo digital, é que deu conta da quantidade inacreditável de blogs de raparigas alojados no SAPO!

As galáxias e galáxias deles fazem dos masculinos as agulhas dos palheiros celestiais.

Ou o batráquio é um íman sexual capaz de atrair em massa os femininos foguetões ou os rapazes assentam arraias na estratosfera dos universos paralelos muitíssimo mais pindéricos.

O que se passa convosco, meninos? Sentem que se fosse uma rã a tomar conta de vós este telúrico charco seria diferente?

Percebam, meus queridos, que as preferências das mulheres nunca são de desdenhar. Lembrem-se sempre que podeis ser uma delas.

 

Ilustração - P.J. Lynch

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Gavetas:

A Gaffe pittiana

rabiscado pela Gaffe, em 25.03.15

brad pitt.jpgA Gaffe decide usar o casaco da mana, dispensado porque a faz mais gorda, que tem um capuz forrado a vison. O casaco é perfeito para as noites frias do Porto em início de Primavera e a pegada ecológica da Gaffe é ligeira tendo em conta que só pousa o tacão e tem o pé mimoso.

Sai saltitante ao encontro do rapagão que a olha com cara do famigerado já foste, assasssina! A Gaffe esqueceu por completo que o rapaz é adepto da natureza livre, pura e dura e que não seria fácil aparecer com bichos mortos na cabeça, mesmo se depois garantirmos que os netos dos falecidos já estão salvaguardados.

 

Estes exageros ecológicos cansam imenso.

A Gaffe não anda a cravar matracas nas cabeças das focas nem a esbardalhar javalis na Arrábida – tem muito medo das duas espécies -, mas confessa que considera uma imbecilidade recusar a oferta de um agasalho lindo de morrer apenas porque traz apenso um crime já punido. Fazer-nos parecer gordas é já pena severa. O passado, como diria o outro, é já passado, mas a Gaffe não se importa de carregar nos ombros os erros cometidos de modo a sublinhar a promessa de nunca mais os voltar a perpetrar.

O extremo ecológico, como todas as extremidades, faz-nos vestir mal. Enche-nos de colares de conchas e de paus, de sacos de batatas e de algodões indianos que engelham imenso, se colam ao rabo e fazem com que Dulce Pontes nos pareça Dior nos anos 50. Leva por vezes ao cultivo de plantas que irritam muitíssimo a polícia, mas deixemos que o fumo tolde este pormenor.

Depois, a Gaffe não viu ainda ninguém a proteger Brad Pitt das predadoras! Todas as raparigas sabem que este mocetão é um dos animais mais belos do planeta e que está em vias de extinção. Raríssimos são os da sua espécie. A Gaffe não se importa de oferecer os seus préstimos e a sua inteira disponibilidade para o defender da carnificina que mesmo em francês não é bonita.

 

Pelo dito entende-se de imediato que a Gaffe não aprecia o exagero e aquela espécie de tontura colectiva que faz de nos estrelas entre estrelas e que é a mesma que de repente nos torna peritos na obra de Herberto Helder, mesmo sem nunca lhe termos lido ou entendido uma palavra.  

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A Gaffe mazinha

rabiscado pela Gaffe, em 24.03.15

Angelina Jolie retirou os ovários depois de ter feito o mesmo às maminhas já lá vai um tempo. Mais anito, menos anito, arrancam-lhe o Brad Pitt.

Faz agora mais sentido os países africanos mais desgraçados arranjarem um dispositivo de alerta que dispare o vermelho:

 

JOLIE À VISTA! ESCONDAM A CACHOPADA!

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A Gaffe na passerelle

rabiscado pela Gaffe, em 24.03.15

passerelle.jpgA sala cheira a couro antigo e é forrada a música de Diana Krall.

Os homens, todos jovens, beberricam café e mulheres, todas jovens, que usam um glamour pouco convincente, como se viesse colado à laca ou fosse moldado com os ferros de frisar com que forçam os canudos dos cabelos.

Na parede um painel gigante mostra em silêncio o desfile de alguém. Uma rapariga avança, fémur após fémur, tíbia e perónio, perónio e tíbia. Tem os olhos ocos e o esterno é visível através da textura fina do tecido.

 

Os homens esbugalham-se. As mulheres bulotulizam-se. A rapariga que passa no painel gigante é anoréctica.

 

Os homens excitam-se enervadinhos, emproadinhos, desagradados perante a doença que é exibida. As mulheres fecham os olhos e fazem oscilar os canudos do cabelo, considerando mesmo negar o que ali se tenta manter de pé. 

 

Se observar com mais atenção, cuido perceber parte da excitação do discretíssimo tumulto. Eles deixam assim de desejar, jamais podendo ter, as mulheres que passam nas passerelles perfeitas. Elas em segredo acreditam que desta forma conseguem finalmente povoar as passarelles do desejo deles.

 

A rapariga do painel desaparece manipulada por fim até aos ossos.     

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A Gaffe sem beleza interior

rabiscado pela Gaffe, em 23.03.15

beleza interior.jpgO desgraçado conceito de beleza interior devia ser banido ou exorcizado, condenado como insulto castrador, exilado como um pesadelo.  

Uma rapariga sai do cabeleireiro com a Primavera no cabelo, vestida de milagres Comme des Garçons, de bâton sedoso e olhos de oceano, de carteira pequenina à tiracolo e Louboutin nos pés, a sentir-se fabulosa e dona de um mealheiro que já permite a compra da chaise-longue com nome de pessoa que ficará tão bem voltada para varanda para ouvir o mar enquanto lê e esbardalha-se contra o penedo da beleza interior é a que importa. Apenas o que é belo sem se o vermos é perene. 

Normalmente sai da boca de uma abantesma rechonchuda e pequenina, anafadinha e entradota ou de um espectro de bigodinho fino, sobrancelhas pintadas de preto e fatinho cinza direitinho que erguem à nossa frente as sombras da derrocada física, mostrando-nos o descalabro que nos espera, o encarquilhar, o desabar, a queda abismal no poço da velhice senil e a morte inevitável que nos transforma em pó, em cinza, em nada. Se não resulta e continuamos a sorrir, cravam-nos na pele do dia claro as trevas do 11 de Setembro que há em cada dia, dos pobrezinhos, dos esfomeados, das vítimas dos tsunamis terroristas, dos miseráveis, dos espoliados, dos exilados e da carriça da Nova Zelândia em perigo de extinção. Terminam afirmando que a única beleza que perdura é a interior.

Não podemos ser felizes, mesmo sabendo que a felicidade dura o tempo da faísca. É criminosa a beleza que se vê. Ai de nós, miseráveis bichinhos temporários, se ousamos ter dinheiro para comprar uma cadeira mais cara e somos altas e magras e elegantes e desejadas e amadas e felizes e nos esquecemos de quando em vez da Faixa de Gaza.

A verdade é que a tão aureolada beleza interior, ainda mais subjectiva do que a outra porque é a alma que ousamos perscrutar, é um berbicacho idiota. Podemos não encontrar a Madre Teresa no interior de Gisele Bündchen, mas se virarmos a Madre de Calcutá do avesso (Deus nos poupe) encontraremos coisa pouco digna de ser fotografada, tendo em conta que a senhora velhinha era uma cabra tirânica e sádica para as subordinadas.

A insistência com que nos atiram o ácido da efemeridade de se ser feliz, da fugacidade da beleza e da maléfica conta bancária à nossa pele bem tratada, elevando aos píncaros do sublime o desprendimento e a desapropriação dos anacoretas, a consciência da morte desgraçada e podre, a beleza interior dos feios e dos pobrezinhos, é uma ode à infelicidade. Uma mentira pindérica que vai ganhando contornos castradores à força de nos tentar convencer que somos abjectos apenas porque não somos feios e que disso temos consciência e que, também por isso, o horror ocorre porque encarnamos os mais condenáveis dos pecados ao não sofremos atrocidades dedicando-nos a tempo inteiro à tragédia humana.

 

Chicoteiem a Gaffe! Usem a chibata das santas e dos mártires com toda a força! Esta rapariga ousa ser feliz sem pensar nos abismos das desgraças, atreve-se a ser bonita, jovem e cuidada sem ser perseguida pelo espectro da morte inevitável e quando lhe falam de beleza interior pensa sempre num decorador maricas.           

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A Gaffe bucólica

rabiscado pela Gaffe, em 22.03.15

A Gaffe acaba de acordar com o som dos passarinhos e um ramo colorido de frésias pousadas na almofada em vez do rapagão.

Ainda de olhos mal abertos consegue lamentar não ter à mão uma vuvuzela. A passarada aprendia de vez a não incomodar o sono de uma rapariga cosmopolita. Às vezes é preciso tomar medidas mais robustas, normalmente nada bucólicas, para que se perceba que nem sempre os trinados são a forma mais romântica de se amanhecer. Há buzinas e gaitas que fazem imensa falta.

As frésias soltam um perfume que enjoa a Gaffe que sempre as aliou a cemitérios. Não foi propriamente uma escolha muito viva, mas o que conta é a intenção.

A Gaffe, perante a inevitabilidade campestre de um amanhecer trinado e enjoativo – e porque quando uma manhã começa aos gritos de avezinhas, o resto é o que acontece quando passamos por baixo da árvore onde a orquestra se reune - decide começar a preparar-se. Vai almoçar a um restaurante regional, perdido onde o diabo largou as botas e se recusa a ir buscá-las, onde servem um fenomenal bacalhau com batatas a murro.

A Gaffe pasma perante a voracidade com que o rapagão gosta de bacalhau.

Entre um episódio de Uma Casa na Pradaria e um bacalhoeiro ao largo da Terra Nova, a Gaffe nunca sabe se deve usar o seu Galliano inspirado nas tribos dos Apaches ou se um dos caixotes de papelão que a Dulce Pontes veste.

Há dilemas que nem os mais idílicos cenários conseguem debelar.

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A Gaffe das mariposas

rabiscado pela Gaffe, em 20.03.15

Sigurdur Gudmundsson.jpgExiste uma criatura que deixa a Gaffe muito irritada. É claro que não se restringe ao masculino, mas é mais comum ter de a enfrentar neste género.

 

O limpinho.

 

É um rapazinho delicado e educadíssimo e embora seja difícil reconhecê-lo pela imagem, é habitual ter como suporte um ar minimalista, mesmo despojado e sem grandes ambições.

É correcto. Nada nele é vulcânico. Chega a ser a encarnação do Buda, mas em magro. Numa discussão é capaz de afirmar com a calma das superfícies desertas que se levantarmos a voz, perdemos a razão, desconhecendo que a razão não depende do volume do som com que a expressamos e que permanece nossa, se for nossa, quer expressa aos gritos, quer toldada por um Lexotan. Existem formas desagradáveis de a defender, é tudo.

Tem alma de pequenino censor e como a censura só se ergue como monstro quando atinge revoltantes proporções, o rapazinho vai cortando ali e acolá, deixando no frio dos seus dedos manipuladores pedaços decepados do que ouviu ou leu e que lhe servem para polir tiradas de pacificadora índole.

Tem algures um aparelho estranho com que mede a vida dos outros. Normalmente todas são pequeninas segundo as avaliações que faz e que acabam por empolar aquilo que vive. É uma forma subtil de se ser um ditador minúsculo e caseirnho.

É um conciliador primaveril. Procura tanto o ponto de vista dos outros, que acaba sem paisagem sua, saltitando de flor em flor, de cacto em cacto, recolhendo o orvalho para moldar a sua própria nuvem – de algodão doce, já se vê.

É tão corridinho, tão direitinho e tão perfeitinho que deixa de ser homem para ser apenas uma forma de apertar o que os outros escrevem com a vida.

 

A Gaffe encontrou um. Gostou do chapelinho de abas levantadas, da camisa larga de fralda desfraldada e perdoou-lhe o muco incolor do seu voar tremeluzente e lavadinho.  

 

Foto de Sigurdur Gudmundsson

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