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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Gilda

rabiscado pela Gaffe, em 06.03.15

Rita Hayworth.jpgUma das mais ínvias formas de discriminação, talvez a mais nojenta, é a que se esconde pequenina, amorosa, tão fofinha, na sombra das lâmpadas que se acendem pela defesa das minorias.

A Gaffe tem encontrado grandes bandeiras desfraldadas em nome dos pretos - dos negros, como é de bom-tom dizer -, dos gays, dos pandas, dos tigres da Malásia, das ervas em extinção, dos pobrezinhos, das vítimas de bullying, da Bárbara Guimarães, dos refugiados e de outras e tantas minorias sofridas.

Existe no entanto uma espécie de portadores militantes desses panfletos eivados de palavras de ordem e de humanismo de plástico, que se publicitam através do uso da indignação, da revolta e do incitamento à luta, ideológica ou não. Erguem-se como gritos de denúncia e de apoio incondicional aos que emudeceram e ao mesmo tempo admiram o reflexo daquilo que acreditam vir a ser se conquistarem desta forma o reconhecimento da sua coragem, do seu humanismo de pacotilha.

São repugnantes.

Todas as bandeiras que levantam trazem pagodes em vez de castelos.

 

No meio de um heroísmo de sorriso benévolo com ar de quem cuida dos seus e dos outros, erguendo se caso for preciso barricadas contra usurpadores da igualdade e dos mais elevados princípios morais, éticos e mais que não se diz por ser da humanidade, olham para a Gaffe e, empapados em ternura, mimam a imbecilidade e chamam-lhe maravilhosa cenourinha.

A Gaffe sacode os caracóis e ouve Rita Hayworth a sussurrar:

 

My dear boy, since I have the feet on the ground, I can give dance lessons.    

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