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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe bucólica

rabiscado pela Gaffe, em 22.03.15

A Gaffe acaba de acordar com o som dos passarinhos e um ramo colorido de frésias pousadas na almofada em vez do rapagão.

Ainda de olhos mal abertos consegue lamentar não ter à mão uma vuvuzela. A passarada aprendia de vez a não incomodar o sono de uma rapariga cosmopolita. Às vezes é preciso tomar medidas mais robustas, normalmente nada bucólicas, para que se perceba que nem sempre os trinados são a forma mais romântica de se amanhecer. Há buzinas e gaitas que fazem imensa falta.

As frésias soltam um perfume que enjoa a Gaffe que sempre as aliou a cemitérios. Não foi propriamente uma escolha muito viva, mas o que conta é a intenção.

A Gaffe, perante a inevitabilidade campestre de um amanhecer trinado e enjoativo – e porque quando uma manhã começa aos gritos de avezinhas, o resto é o que acontece quando passamos por baixo da árvore onde a orquestra se reune - decide começar a preparar-se. Vai almoçar a um restaurante regional, perdido onde o diabo largou as botas e se recusa a ir buscá-las, onde servem um fenomenal bacalhau com batatas a murro.

A Gaffe pasma perante a voracidade com que o rapagão gosta de bacalhau.

Entre um episódio de Uma Casa na Pradaria e um bacalhoeiro ao largo da Terra Nova, a Gaffe nunca sabe se deve usar o seu Galliano inspirado nas tribos dos Apaches ou se um dos caixotes de papelão que a Dulce Pontes veste.

Há dilemas que nem os mais idílicos cenários conseguem debelar.

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