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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe queirosiana

rabiscado pela Gaffe, em 06.04.15

Tormes.jpgO rapagão é teimoso. Apesar do fatigante desvio quer visitar Tormes e Eça.

O regresso a Tormes, passados três anos, seria, apesar da maçada das estradas, um belíssimo borrifo de frescura.

Lembrava-me da solidez dos muros, da elegância robusta do traçado, dos lilases, das alçadas e varandins típicos do Norte e sobretudo da paisagem magnífica que se avistava da ala esquerda da casa.    

Surpreendeu-me o número de carros estacionados no terreno limítrofe e supus que o facto de ser um Domingo quente talvez tivesse empurrado os passeantes para dentro de uma imagética literária que é sempre mais ventilada.

 

A casa estava encerrada. Apenas a entrada, os átrios e os pequenos jardins eram acessíveis.

Como há três anos, nada indicava os horários das eventuais visitas guiadas ou mesmo se existia processo de ter acesso a recantos menos reservados do espaço que foi muito brevemente habitado por Eça.

O rapagão andou a espreitar por todo o lado - Um comportamento desagradável – enquanto eu me dirigia para o pequeno jardim geométrico debruçado sobre a paisagem.

 

Partiu-se-me o coração!

 

O jardinzinho estava destruído. Restava terra seca e acinzentada.

Os degraus de pedra que possibilitavam a aproximação a um relvado extenso que se abria para uma paisagem fabulosa, um miradouro por excelência, desapareceram e o recanto está ocupado agora por um mamarracho escandaloso.

 

Antes de tentar apanhar os cacos do meu coração, percebi que tinha na frente, a ocupar o lugar da paisagem, o restaurante da Pensão Borges, ranhoso, precipitado, sem qualquer preocupação arquitectónica, deslocado, a armar ao fino sem sequer conseguir o troféu desta imbecilidade, ruidoso, feio, gorduroso e parolo que anula a dignidade da casa e come a paisagem por completo. O propósito será o de dotar a Fundação de uma estrutura económica e financeira duradoura e sustentável que permita continuar o seu objetivo iminentemente cultural: a difusão do imortal escritor e da sua obra.

Valha-nos Deus!

 

A casa de Eça foi ironicamente invadida pelas suas mais ridículas personagens que nuns sofás idiotas atirados para a relva, nas traseiras do insulto, tiravam selfies esparramadas contra as serras.

 

Jamais compreenderei como foi possível os curadores da casa, os responsáveis camarários, os administradores da Fundação Eça de Queirós ou, em última instância, a população do Concelho, terem autorizado semelhante agressão!

 

Deu-me tanta vontade de chorar perceber que Eça tinha sido derrotado pelos burgessos que tanto alfinetou!

_pt_baiao_scruzdouro_casadetormes_bd587d_1_538_300Casa de Tormes - Ala esquerda - jardim arrasado

4565138_orig.jpgRestaurante da Pensão Borges muitíssmo bem fotografado e pronto a fazer parte do objetivo iminentemente cultural da Fundação 

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