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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe acorda mais velha

rabiscado pela Gaffe, em 27.04.15

Fernando Vicente.jpgNão adianta muito disfarçar e fazer de conta que não se importa rigorosamente nada que se esqueçam, com ar apressado, preocupado e inútil, que hoje é dia do seu aniversário.

 

Hoje a Gaffe acordou com a mãe que a olhou e a preencheu de azul; com o pai que lhe beijou a mão e ficou com os olhos a brilhar com água; com a irmã que a sobrevoou com sabor a fruta – o sabor do novíssimo bâton YSL; com o irmão que se ajoelhou e lhe tocou a fímbria do vestido; com a avó que lhe contou uma lenda tonta, com pronúncia estranha, e com a memória do avô apertada num abraço forte como uma árvore gigante.

 

A Gaffe, que fica com dor de garganta só por tentar esmagar as lágrimas de alegria, encolhe os ombros e diz baixinho:

- Hoje faço anos! – Depois fica quieta. 

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Gavetas:

A Gaffe diagnostica

rabiscado pela Gaffe, em 27.04.15

Christopher Pethick.jpgA Gaffe conclui que a Ciência tem muitas vezes encontros desagradáveis com o quotidiano.

Para ilustrar o dito é necessário recorrer a um exemplo digno de nota.

 

Todos nós já nos cruzamos algures com uma criatura cuja perturbação de personalidade nos causa algum espanto.

É fácil recorre à sabedoria popular e apensar à indiferença que depois sentimos o famoso dito os tolos também se abatem, ou aprendem, desde que encontrem a paciência do terapeuta adequado.

A verdade é que perante a Gaffe surgem criaturas estranhas que, se esta rapariga se preocupasse, lhe causariam algum desconforto.

São, para sua surpresa, normalmente mulheres cuja vida se exauriu dispersa por conceitos distorcidos e por preconceitos que foram mantidos como verdades intocáveis, perturbando-lhe os movimentos e encerrando portas e janelas até à imobilidade e à solidão total.  

Acreditam piamente que os fantasmas que vão criando são os responsáveis pelas sombras tenebrosas que lhe tolhem todos os cantos e todas as esquinas dos fracassos que acumulam. Defendem-se aos gritos condenatórios, amarrando a fúria que provém de uma frustração constante com as cordas de uma alegada frontalidade que não é mais do que cuspir nos outros quando os outros estão de frente.  

Apregoam desmesuradas a liberdade. Desconhecem que a Liberdade é também um exercício constante de autocensura e, sentadas no banquinho dos medíocres, vão jurando que são maiores do que aqueles que as contradizem, negando-lhes tamanho, enquanto retiram da pochete as moralidadezinhas que dentro enfiaram quando rondavam os WC de Centos Comerciais em decadência manhosa.   

Erguem exércitos de bestas e de monstros cujo único propósito é a destruição das suas preclaras vidas e constroem batalhas de farrapos onde nada existe a não ser o profundo deserto onde sobrevive o cacto das suas existências.

 

São Átila, a galinha.

São garnizés anabolizados.

 

Perante estas criaturas o dito popular torna-se hipótese viável.

É a ciência que o contradiz. O imprescindível DSM - Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – dedica algumas das suas preciosas notas a estas criaturas, classificando-as como Paranóides, incluídas no grupo B - o Dramático - dos antissocias, borderline, histriónicos e narcisistas.

 

E como toda a gente sabe, não se deve bater nos tolinhos.

 

Foto - Christopher Pethick

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