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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de facto

rabiscado pela Gaffe, em 29.05.15

fato.jpgEnquanto que o calor que se faz sentir favorece as raparigas espertas que sabem tirar partido dos tecidos que esvoaçam e se transformam em pequenas ninfas suadas a saltitar de perfume em perfume, é altamente lesivo para os homens que estão obrigados pelas convenções a usar um fato.


Um fato, mesmo um de linho charmoso e ligeiramente amarrotado, no meio do calor é um teste implacável à capacidade criativa de quem o usa, porque implica sempre uma adaptação, uma reformulação, do conceito de clássico e até mesmo do discreto, que nem todos os homens são capazes de operar.


Uma rapariga esperta jamais colocará no rol dos elegíveis um homem que se empacota e se asfixia num fato que o faz resfolegar e se aproxima da apoplexia com uma gravata que, por muito Armani que seja, não o faz parecer o cartaz da colecção de Verão do criador.


Há que desmanchar, desestruturar e reformular.
São sempre excitantes os homens que usam fatos e T-shirts de cores indefinidas de tão caras, e que nos mimam com um convite para jantar num restaurante que nos comeria numa noite, se fossemos nós a pagar a conta, a verba destinada a dias difíceis - a esses também, porque uma rapariga atravessa essas ocasiões deprimentes com visitas programadas a todas as lojas do centro de Paris -, com sandálias de couro fino - assinadas ou não, que isto de ultrapassar as marcas sempre foi difícil para os rapazes.

 

São sempre irresistíveis aqueles que permanecem fiéis ao clássico sabor do fato de outras eras, mas que lhe oferecem a transgressão cuidada do inesperado, porque são homens que sabem desmanchar a rigidez de uma convenção e se transformam em charme puro e duro, capaz de amolecer uma pobre e indefesa rapariga que de pura tem apenas o que se lembrar ter na ocasião.

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Gavetas:

A Gaffe brazuca

rabiscado pela Gaffe, em 29.05.15

Brasil.jpgA Gaffe tem de admitir!

Não gosta do Corcovado. Kilo grãdão di bráçu abértju. Não aprecia o clima brasileiro e sempre lhe fez muita confusão ver o colorido das eternas bermudas, com tropicais flores estampadas e vistosas, que se usam com camisolas de alças multicolores e de chinelos de plástico com uma tira de se enfiar nos dedos. 

 

Brasília sempre lhe pareceu um gigantesco trem de cozinha pousado no chão e em Copacabana correm surpreendentemente menos deuses do que no paredão da sua atlética imaginação.

 

A Gaffe não gosta do modo como o Brasil fala do que veste.
O singular mata-a.

 

iéli trázia um sapatchinho pretcho, cum meiinhá brãnca, camisolinha cum monguinha curtcha e uã singletche cu auça linda de morrê. A caucinha táva u pouquichinhu féa, má deu p'rá disfarçá, viu?

 

Facilmente se descobre que o Acordo Ortográfico é uma tontice que ignora que a diferença  está na pronúncia e nos vocábulos, sendo indiferente ao modo como se grafam as palavras.

 

Mas gosta muito, muito, muito do caução do menino do Rio que madruga nos nossos Havaí. Por mais que tente não deixa Caetano Veloso trautear sozinho canções que são beijos.


Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração de eterno flirt
Adoro ver-te
Menino vadio
Tensão flutuante do Rio
Eu canto p'ra Deus proteger-te 
Menino do Rio
O Havaí seja aqui
Tudo o que sonhares
Todos os lugares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo eu desejo o teu desejo
Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção como um beijo

Não é preciso Acordo para unificar a emoção.

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