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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe exigente

rabiscado pela Gaffe, em 30.07.15

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Depois de lhe ter sido mostrado TODO o stock da loja, a minha prima finalmente encontra!

 

- É exactamente esta a cor que eu queria, só que em verde.

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Gavetas:

A Gaffe de Afonso Cruz

rabiscado pela Gaffe, em 30.07.15

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A Gaffe ficou sentadinha à espera que Afonso Cruz entrasse no Contentor 13 e ficou apaixonada.

O homem é lindíssimo, apesar da barba mal tratada! Tem uns olhos do tamanho do mundo, doces e ternurentos, uma boca e um sorriso de deixar a Gaffe derretida e a pensar se as estrelinhas que vê pertencem apenas ao libidinoso sonho de acordar com ele na cama.

A masculinidade do rapagão desaba sobre nós com uma suavidade inesperada e a voz baixa e ligeiramente cava arrasa-nos o coração.

 

Os depoimentos que coadjuvavam o documentário foram inúteis. O testemunho da senhora que o edita, escapa e é ouvido sem surpresas, mas é desastrosa a participação da amiga do escritor. Surge de repente uma mulher pedante a esbardalhar análises literárias pretensamente eruditas, com um cheirinho psicanalítico misturado com Voltaire que esconjura sempre que pode, fazendo-nos suspeitar que decorou o nome na véspera.  Uma chata inútil com a boca repleta de frases feitas que consegue a façanha de aborrecer mesmo quem a deixou de a ouvir logo de início, embora não tenha deixado escapar a barbaridade que soltou ao comparar o amigo a Gonçalo M. Tavares, mas com alma, subvalorizando o escritor em foco, aproximando-o de um outro ainda por cima da mesma geração, vivo e a mexer – é sempre aconselhável comparar um autor vivo com um autor morto há muito tempo -, e reduzindo Gonçalo M. Tavares a uma máquina que produz uma gelada intelectualidade. A verdade é que Afonso Cruz às vezes, longe, muito longe, lembra o mais ínfimo e o mais imperceptível risco breve de Gonçalo M. Tavares, mas o contrário também é visível. É uma tolice retirar a alma a um para valorizar o outro.

 

A Afonso Cruz devia ter escolhido um inimigo.

 

É evidente que este homem é um magnífico escritor. A Gaffe ficou rendida debaixo dos seus guarda-chuvas, mas o impacto físico do rapaz, nunca adivinhado nas pobres fotografias, deixou-a muito bem impressionada e decidida a dispensar os habituais e maçadores critérios literários na apreciação dos novos vultos da nossa escrita. Há imensa gente que escolhe os livros pelas capas ou pelos títulos, a Gaffe não vê nenhum inconveniente em seleccioná-los pelos rabiosques dos autores.

Se José Luís Peixoto tem as perninhas curtas e gorduchas e um sorriso macabro; se Valter Hugo Mãe nos surge anafadito e baixinho pronto a rebentar os botões das camisas pretas, com uma barba empolada que até lhe alarga as ancas; Se Tordo tenta ser tão pouco atraente como é tão pouco escritor e se Gonçalo M. Tavares quer parecer um civilizado troglodita tímido e tão interiorizado que não deixa espaço para uma visão mais do exterior, a Gaffe fica reduzida às estupendas nádegas e aos volumosos peitorais de Afonso Cruz que são sempre óptimos de ler ao deitar.

 

Tendo em conta os factos, a Gaffe espera ansiosamente que o rapagão escreva muito mais.

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A Gaffe no palácio

rabiscado pela Gaffe, em 30.07.15

Lucrécia Panciatichi.jpg

Em Florença, no Palácio Uffizi, uma das mulheres mais belas do mundo, Lucrécia Panciatichi, retratada por Bronzino, inquieta-me e surpreende-me numa tranquilidade sombria e malancólica que afasta o homem do centro do mundo, lançando a ousadia humana num qualquer ponto periférico da Criação.

Gosto desemsuaradamente desta mulher e de joelhos a venero. Nada é imperfeito. Nada se reduz ao inacabado e mesmo na perplexa hesitação do gesto, existe a tristeza infinda de uma história que de longínqua se reduz ao seu olhar.

 

Em Florença, num Palácio, uma das mulheres mais belas do mundo espera em contido desespero que alguém entenda a doentia paisagem do seu isolamento.

 

A Beleza perdura e é eterna quando na bainha do tempo está inscrita a dor de ser sozinha numa história.

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