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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e os rapazes descidos

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.15

Meus queridos e jovens amigos, se estão dispostos a transformar a vossa imagem naquela que vos possibilitará um relativo sucesso junto das multidões que querem ver aos vossos pés, não usem calças com cinta nos joelhos e cós a tocar onde querem que as multidões se encontrem.

As bags (chamam-lhes abreviadamente os entendidos) são um erro de casting, uma abominação com demasiado pano entre as pernas, local onde deveria situar-se outro tipo de atractivo, uma tragédia que vos faz parecer bassets infelizes, dachshunds perturbados ou, na melhor das hipóteses, alguém que em breve terá graves problemas ortopédicos pela forma como caminha neste vale de lágrimas.

As calças, meus queridos, devem estar bem localizadas, assentes na cinta ou ligeiramente abaixo dela, seguras com perfeição nas pequenas ancas por um acessório discreto e digno e de provocar inveja aos mais fleumáticos dos britânicos. Devem, nos mais conservadores, insinuarem a musculatura das pernas sem a bazófia dos halterofilistas ou, nos mais ousados, recorrerem ao que se convencionou chamar slim, ou seja, não devem apertar o que é desnaturado esmagar, mas podem acompanhar o formato dos músculos ou mesmo revelar que não existem.

É evidente que, mesmo seguindo esta pequena recomendação nem todos se transformam no exemplo dado, mas, pelo menos, deixaremos de ver os sacos do Continente enfiados nos meninos das ruas das nossas vidas, com boxers estampados a espreitar por cima dos legumes.

 

Na foto - D. Gandy por Mariano Vivanco - Dolce & Gabbana

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Gavetas:

A Gaffe muda

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.15

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Há uma hora em que não ouço a minha Avenida.

Próxima do alvorecer, a hora do deserto interrompe as ruas e passa como um vadio com o silêncio nos bolsos. Nessa hora, o mar não tem queixume e dele apenas sinto as mudas ondulações da desbotada lua. É a hora das palavras por dizer. Chegam nos bolsos do vadio que passa, junto aos silêncios, e ficam presas nos frouxos candeeiros como frutos ou pombas ou pedaços de gente bêbada, escura, que adormece.

 

Invento o meu ruído, nessa hora. O que me faz ouvir o que nas outras horas emudece. Abro a porta e debruço-me nos bolsos dos vadios, dos que usam o silêncio como frutos ou pombas ou travos de gente pendurada nos vagos candeeiros e deixo que as palavras sigam deslumbradas como se tivessem nascido há pouco tempo e pasmadas se infiltrassem nos rochedos.

 

A minha hora muda é o silêncio dentro dos vadios e uma mulher com cabelos soltos, nua, morta sobre as ondas.

 

Foto - Mario de Biasi

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A Gaffe de Chico Buarque

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.15

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Há lugares onde não entramos sem que lentamente nos ocupem. São lugares feitos de palavras que sabem emudecer todas as nossas.

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Gavetas:





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