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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Joana Vasconcelos

rabiscado pela Gaffe, em 01.10.15

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A Gaffe ficou por momentos perplexa quando Joana Vasconcelos, depois de um fervoroso, caloroso e dinâmico discurso de apoio, sai da frente de um painel do partido Socialista até ali coberto pela envergadura da artista, que, como sabemos, não se priva de tamanho.  

Joana Vasconcelos, antes de ser gaseada por aqueles que já perderam a paciência para lhe aturar os bules de grades de varanda, os corações de colheres de plástico (deste a Gaffe gosta), os lustres de tampões e os sapatos com os tachos que vai mandando soldar, decide prevenir-se e, com o talento que a caracteriza, oferecer o seu apoio ao partido de António Costa.

 

A Gaffe sempre acreditou que a rapariga, tanta vez visita de Belém, planeava forrar a crochet Cavaco Silva, construir uma Nossa Senhora de Fátima com os presépios da primeira-dama ou convencer Cátia Guerreio a esbardalhar um fado no cacilheiro forrado a cacos.

A Gaffe sempre assistiu ao corrupio dos agentes cultos dos partidos do governo que funcionavam com cauda dos sacos coloridos com coisas coladas a que Joana Vasconcelos nos habituou a ver usar nas suas vernissages e não pode deixar de aplaudir a resignação desta elite cultural que se foi vergando sob o peso das obras de Joana incensada.

 

A Gaffe não está, de todo, contra a arte industrial ou arte industrializada. Cristo cobre monumentos com telas gigantes, Spencer Tunick cria aglomerados de nus e Andy Warhol, diz quem sabe, foi pioneiro nesta tão interessante vertente artística e, apesar de muitíssimo mais discreto que Joana Vasconcelos, também fez da sua conta bancária uma repetição exaustiva de zeros - válidos e chorudos.

 

A Gaffe não condena a resignação da artista à ordem de Versailles de não expor o lustre de tampões. Uma rapariga tem de fazer concessões se quer ter umas garrafas empilhadas nos jardins de um palácio, esticar rendilhados em cães de louça e nos sardões de Bordalo.

 

A Gaffe não se importa com o facto de Joana Vasconcelos ter feito António Costa aceitar que as oportunidades surgem das ocasiões e não das convicções e acreditar que ornamentar o Rato com uma gigantesca minhoca de trapos coloridos e plumas na cabeça, vai catapultar o roedor, elegendo-o predador de topo.  

 

O que a confunde esta rapariga invejosa é o descarado sentido de sobrevivência de Joana Vasconcelos e a sua certeza da vitória socialista.

 

A Gaffe, numa mimosa homenagem à artista, já ordenou às suas costureiras que lhe produzam uma máscara para se proteger do cheiro gorduroso a oportunismo.  

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