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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe em nome da rosa

rabiscado pela Gaffe, em 02.10.15

Possivelmente a mais encantadora das metáforas políticas.

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A Gaffe meditativa

rabiscado pela Gaffe, em 02.10.15

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Cavaco Silva sabe muito bem o que faz.

Esta alegria que a Gaffe sente com a revelação cavaquista tem origem no facto de perceber que, durante o milénio em que foi assistindo à saponificação do senhor Presidente, pelo menos um livrinho foi lido. A Constituição. Cavaco Silva afinal conseguiu acabar de ler o texto que, entre outras coisitas de somenos importância, ensina o que um Presidente da República tem de fazer.

Tombam por terra todas as insinuações malévolas e todas as críticas aciduladas que lhe são feitas. Cavaco não é propriamente multitask. Ou soletrava ou movia-se.

 

A par desta novidade tão bem acolhida, a Gaffe congratula-se com a sensatez do Presidente quando este querido lhe comunica que não estará presente nas comemorações do 5 de Outubro, porque vai meditar.

Mais uma vez, o tempero da papa esotérica de Cavaco, desta vez apimentada com uma pitada Zen e açucarada com uma folhinha de religiosidade, permite compreender o ligeiro sabor a azedo que uma colherada simples engolida de repente pode causar.

Cavaco Silva retira-se meditativo. Fica sempre bem. A Gaffe desconhece se o Presidente escolheu as Carmelitas Descalças, se opta por um seminário da universidade de Verão do seu partido, se prefere um yin-yang na casa dos bicos, se a sua vocação se inclina para o contorcionismo do yoga ou se recomenda um Tibete mais petrificado, mais condizente com a sua postura de estadista. A selecção é tabu.

 

A Gaffe concorda com o retiro do senhor Presidente e fica muito contente quando percebe que o senhor Presidente lhe ofereceu uma das mais eficazes desculpas para escapar a festejos inconvenientes, onde aparece sempre gentalha aos gritos, a lançar foguetes e a dançar ao som de ranchos folclóricos.

- Tenho tanta pena, minha querida, de não poder ir à inauguração da feira da caracoleta, mas nesse dia vou meditar.

 

Não interessa nada que se espere que o dia a seguir às eleições passe democraticamente banal, com a sensação de dever cumprido, de toca a andar que se faz tarde que o populacho já escolheu. Votou, comme d’habitude, em quem esbardalhou logo de início uma campanha eleitoral sem ter o juízo de substituir os petizes responsáveis ou em quem conseguiu escapar entre os pingos de chuva ácida que fez cair, oferecendo guarda-chuvas de papel sem nada escrito aos eleitores. Não tem qualquer importância. Cavaco Silva anuncia que vai meditar no dia 5 de Outubro e torna-se mais uma buzina no meio de um pandemónio de ruídos vácuos.

 

A Gaffe sugere ao senhor Presidente a meditação em clausura numa Ordem que lhe exija voto de silêncio. Postura de crucifixo ele já tem.

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