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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com destinatário

rabiscado pela Gaffe, em 20.11.15

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Em 17 de Janeiro de 2014 escrevi comovida o que agora reproduzo.         

 

Meu querido amigo,

 

Queria tanto pedir-te desculpa por não ter sido aprovado o direito à adopção plena por casais homossexuais que me sinto humilhada por não o conseguir fazer condignamente.

Quero que saibas que não sou representada por ninguém, onde quer que seja, que ousa e se atreve a pensar ter o direito de ordenar que se elaborem leis que te entram pelo coração desarvoradas e te apertam a garganta com medo, como tu apertas a tua filha contra o peito para a protegeres da irresponsabilidade que é interferir no amor.

Quero que saibas que, se tu quiseres, me caso contigo e que adopto a vossa filha e que me divorcio depois para casar com o teu companheiro que adoptará comigo a vossa filha e que me divorcio dele logo depois para que finalmente a vossa filha seja "legal".

Vamos tramá-los.

Quero que saibas que estou a chorar um bocadinho, mas não quero que te preocupes. Vai passar quando vos vir chegar como há seis anos, os dois, de alcofa inundada pela Felicidade que nunca mais vi explodir de forma tão perfeita.

Quero que saibas que eles ignoram que nenhum afecto é referendável, que nenhuma lei se sobrepõe à capacidade humana de criar um filho e que tu e o teu companheiro se vão fazendo pais da vossa filha pelo caminho que o meu pai e a minha mãe já percorreram.

Sou heterossexual - nunca to disse! - e ruiva e tu és homossexual - nunca mo disseste! - e tens os olhos pretos mais profundamente paternais do universo.

 

Creio que hoje começa a não fazer sentido o que foi escrito, mas convém gravar na pedra que as construções, sobretudo as mentais, necessitam da consciência plena do passado para que, empunhando essa ferramenta, se erga sólido o que se quer construir para o futuro. 

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A Gaffe e as escritas

rabiscado pela Gaffe, em 20.11.15

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A quantidade de mulheres que por aqui escrevem de modo tão agradável! Os blogs estão cheios delas e escolher é uma tarefa difícil e sem fim à vista.

 

É interessante como me aborrecem os escritos dos homens, principalmente os que me falam de política ou fazem complicadíssimas análises do que se vai passando. Entediam-me sobretudo aqueles que dissertam - ainda! - sobre os recentes atentados de esquerda à democracia e os que fazem rebuscadas análises literárias. Estes últimos dão sempre a sensação que não retiraram prazer nenhum do que leram, preocupados que estavam em encontrar os recursos linguísticos que foram usados pelo autor. Na grande maioria são homens. As mulheres que leio são mais intimistas. Mais reservadas. O quotidiano é sempre filtrado por uma visão bastante límpida, com um pudor harmonioso nas palavras. São discretas e, na maior parte das vezes, muito claras.


Não acredito na escrita no feminino ou escrita feminina, como lhe queiram chamar, como também não acredito em bruxas, mas que há à flor da net um timbre de mulher, isso é inegável. Orgulho-me disso. Leio com muitíssimo maior prazer o que é escrito por uma mulher. Esta minha atracção, muito mais que feminista, se é que alguma vez o foi, é quase lésbica. Sou uma lésbica literária. Os homens escreventes, donos de blogs elaboradíssimos, a abarrotar de pensamento e ideia, provocam-me uma espécie de morrinha que, como toda a gente sabe, é uma antítese da excitação. Tenho a impressão que na cama, na hora da verdade, sacam do bloquinho, do bloguinho, e começam a dissecar o que nunca aconteceu nem, pelo andar da caneta, vai acontecer. Ao ler as mulheres que escolhi para ler, apetece-me sempre meter-me na cama com elas, ficarmos ali muito quentinhas, porque descubro que temos sempre muito para dizer e que aquilo vai durar pela noite fora. Se isto não é lésbico no seu melhor, então sou a Rainha Vitória e nego tudo.

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A Gaffe avermelhada

rabiscado pela Gaffe, em 20.11.15

by Pete Zelewski

Às vezes as minhas avenidas são brancas. Outras vezes reflectem-se nos olhos e ficam com as cores de quem as olha.

Hoje, as minhas avenidas são ruivas e dentro delas há homens a soletrar as cores que dentro deles encontro.

Espero que o sonho tenha a cor ruiva dos homens ou destes homens ruivos que revejo.

 

red! )

 

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