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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe para adultas

rabiscado pela Gaffe, em 11.01.16

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Para onde olham as mulheres quando na frente têm um rapagão digno de figurar na capa do catálogo do MET, um nadador olímpico, um colosso que rivaliza com a estatuária grega ou um tritão capaz de surfar as nossas mais recônditas fantasias eróticas?

 

A Gaffe ouve dizer com frequência, que a nossa atenção se crava nos olhos, justificando esta fixação com o dado como certo os olhos são o espelho da alma, embora todas saibamos que a alma usa óculos escuros, o espelho é baço e o nitrato de prata foi comprado no chinês.

Mentimos, porque uma resposta vagamente relacionada com o impalpável, funciona melhor do que a realidade muito pouco pudica e propensa a apalpões desavergonhados.

A verdade, não adianta disfarçar – até porque o esforço que fazemos para não revelar a direcção do nosso olhar é já canseira que baste -, é que não perdemos uma oportunidade de dar uma vista de olhos à braguilha.

Este mover de olhos brando e piadoso tem-se revelado de utilidade extrema, revelando, por exemplo, que Nelson Évora teria o ouro de muitíssimas mais medalhas se trocasse a modalidade que pratica pelo salto à vara.

 

A Gaffe, após cuidada análise estatística, exaustiva prospecção de mercado, estudo apurado dos hábitos da consumidora, cálculo de probabilidades e empírica experiência, está apta a definir os dois grandes grupos de braguilhas que vão incluir dezenas de pequenas variantes que cabe a cada uma reagrupar, subclassificar, com o cuidado que a matéria exige.

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Embalagem plebe

 

O conteúdo é apertado pelo tecido que enruga nas virilhas e desenha de forma mais ou menos evidente o que permite verificar se nos ficamos por uma reprodução fiel da totalidade de um atleta grego que em mármore não promete grande desempenho ou se temos catapultas romanas prontas para a batalha. Podemos não adivinhar de imediato os contornos do esculpido, mas vale sempre a pena quando a alma observada não é pequena. Dentro desta classe, é importante referir aquela que fica presa nos jeans - sobretudo Levi’s 501 -, puídos e gastos onde os nossos olhos adivinham as direcções que a vida toma quando o caminho é longo. Nesta classe, não podemos contabilizar no entanto os desengonçados pares de calças, presas nas ancas e de gancho nos joelhos, com que os imaturos nos brindam e que dificultam as nossas tentativas de orientação científica.

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Embalagem  brasão


Presas em tecidos nobres. Geralmente menos interessantes, porque mais discretas. São, no entanto, deveras atraentes quando o dono se levanta de repente, sem ter tido tempo de fazer descer o tecido das pernas das calças que, ao sentar-se, levantou ligeiramente para não deformar nos joelhos. Aí, mostra o que vale, desenhando num aglomerado de tecido onde é fácil detectar o que lhe vai na alma, o sonho embalado, o paraíso fechado e comprimido em fazenda autoritária e, se o vislumbre for certeiro, permitindo adivinhar também outros recantos ou outros assuntos mais pendentes, mais prementes.

 

Claro que dentro destas duas grandes classes, há que referir as subclasses, variadas e cheias de interesse, fáceis e sempre susceptíveis de uma avaliação pormenorizada. Estas são descriminadas, nomeadas, encaixadas e arquivadas de acordo, por exemplo, com a existência e colocação dos bolsos ou com o modo como apertam.  

Raparigas! É uma tolice omitir que uma braguilha apensa a um homem lindo de morrer é o foco da nossa primeira atenção. Uma mulher – dizia a avó -  deve sempre baixar os olhos na presença de um homem. É a forma mais rápida de avaliar o local onde lhe pode dar um pontapé.

 

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