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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe oscarizada

rabiscado pela Gaffe, em 14.01.16

Ganhei um Óscar!

A equipa do SAPO decidiu presentear-me.

Obrigada! São tão gentis!

Agora tenho de procurar juntar uns trapinhos simples, para me sentir aprimorada, mas minimal, e procurar aquele ar de sofisticada displicência, que fica sempre bem numa rapariga que se quer mostrar indiferente em relação a qualquer padrão e a qualquer escolha de acessório, embora esteja, cá por dentro, aos saltos e aos gritos de alegria, como uma histérica psicopata que se esqueceu do Valium - do grupo dos benzodiazepínicos, como toda a gente sabe - e que desatou a misturar tudo o que encontra sem olhar a despesas. 

 

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Gavetas:

A Gaffe em dose dupla

rabiscado pela Gaffe, em 14.01.16

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Conheci em Paris, em tempo que já lá vão, os manos Guedes.

Como imatura jovenzinha, fiquei entusiasmadíssima quando soube que partilharia a mesma festita com dois homens que povoavam os sonhos mais escabrosas das adolescentes que conhecia.

As expectativas justificavam-se e foram até ultrapassadas quando vi em duplicado o que todas as meninas desejam mesmo só no singular.  Os homens eram portentosos. Absolutamente lindos.

Poucos minutos depois de os conhecer, passaram a chamar-me Capuchinho Vermelho. Às razões óbvias, acrescentava-se o facto de se perceber que as deixas desta menina de cestinho encaixavam na perfeição naquela circunstância. Fazia todo o sentido exclamar - que olhos grandes tu tens! ou que mãos grandes tens tu! ou referir, numa abordagem mais abrangente, outras regiões anatómicas menos evidentes, pois que os tinha visto todos nus numa reportagem de revista.

 

Passados alguns minutos de cintilante banalidade, comecei a pedir aos deuses misericórdia ou um saco de vomitar de um Boeing 747. Os manos Guedes eram dois tolos imaturos cuja beleza era inversamente proporcional à sua capacidade cerebral. Partilhavam gracinhas de carácter privado, rindo escancarados delas sem que ninguém as entendesse; gesticulavam, hipercativos, como se tivessem sido injectados com adrenalina ou testosterona; gargalhavam às mulheres insinuações de fancaria que em cenário diferente passariam facilmente por assédio sexual e nada, absolutamente nada, do que diziam escapava ao lugar-comum histriónico. Estavam muito próximos da indigência mental.

Creio que foi por essa altura que as desilusões que a vida nos entrega, tomaram posse da minha.

 

Ontem vi-os, de barbas cuidadas e perfeitas, a apresentar um novo programa no Porto Canal.

A passos largos dos quarenta, os gémeos mantêm-se fiéis à imagem enfant terrible que arrastam há anos saturados. São cansativos – tão cansativos! - e torna-se penoso ver dois quarentões enredados na ilusão da intemporalidade, tentando acreditar e fazer acreditar que, por muito que o tempo os desdiga, a adolescência mental pode ser a eternidade.

 

Não crescem, mas aparecem lindos e muito jovens, custe o que custar.

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