Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe desgostosíssima

rabiscado pela Gaffe, em 29.02.16

Alphonse Marie  Mucha 1909.pngA Gaffe esqueceu-se por completo da noite dos Óscares!

Consola-a apenas o facto de saber que se repete para o ano e que, comme toujours, tudo não passará de uma anedota má que deixa de o ser porque é sempre muito bem contada. 

 

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gavetas:

A Gaffe muito prática

rabiscado pela Gaffe, em 26.02.16
.

Seria tão conveniente e tão cómoda a existência de rapazes possíveis de colher sem perdas de tempo e manobras cansativas que apenas atrasam paraísos!

 

Todas as fatigantes manigâncias que uma rapariga esperta usa para requisitar sem que ele o perceba os bons e amáveis préstimos de qualquer interessante matulão, tornar-se-iam inúteis e, para prazenteiro e consolador ganho de tempo, teríamos, em segundos apenas, conseguido poupar alguns esforços que tanta falta nos fazem para nos livrarmos dele depois.

 

A perspectiva de, ao passar por um rapagão capaz de nos despertar os mais básicos instintos animais, se poder, com sofisticação, fazê-lo encaixar de imediato no banco de trás - ou no lugar do morto, findas as tarefas - sem o ter de ouvir palrar, citar poetas, beberricar as horas e mordiscar biscoitos ou ver gesticular as frases que empobrece, deixa uma rapariga esperta muito animada.  

 

Afinal, há rapagões tão interessantes à vista desarmada que dispensam sem qualquer hesitação os complementos que se exigem aos que são convidados para jantar.

Basta que não nos perguntem se gostamos de os ter colhido de repente.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe equilibrada

rabiscado pela Gaffe, em 25.02.16

Uma rapariga esperta depressa verifica que um grande número de verbos que são usados quando falamos de amor. São os mesmo que povoam a guerra. Cercar, conquistar, fugir, entregar, render, morrer, roubar, ceder, cair, perder, vencer, são disso exemplo.

Esta proximidade, que também atinge os adjectivos, entre o que é bélico e o que deverá ser o seu contrário, é bem ilustrada pelo ancestral duo Eros e Thanatos, Amor e Morte intrinsecamente ligados para toda a eternidade.

O contacto entre estes dois universos, o do amor e o do ódio, não se limita a um conjunto lexical ou mitológico. A mistura é muito mais subtil e atinge o coração dos dois estados, tornando possível encontrar as sombras naquilo que deveria apenas conter a luz e a luminosidade no fundo de um poço.

A Literatura e a narrativa mitológica - sobretudo estas duas - fornecem exemplos fascinantes - Otelo assassina a amada apenas porque o amor lhe injectou o ciúme nas veias e Perséfone volta ciclicamente para o odiado raptor, desenvolvendo o que se poderia chamar, com alguma leviandade, síndrome de Estocolmo, mas o mais corriqueiro do quotidiano está pejado desta aliança inevitável.

 

Não existe apenas uma limpidez idealizada e angélica, uma cristalina água a correr sobre o sentir mais claro, assim como não há unicamente o charco pútrido no sentimento mais horrendo.

Amor e ódio são como uma pulseira. Se a fecharmos em redor do punho, teremos as extremidades unidas e acabaremos por deixar de saber com nitidez qual das duas possui o mosquetão.

 

Não são opostos, o amor e o ódio. Suspeito que nem sequer são sentires separados ou distintos. Fazem parte de uma mesma entidade, de uma mesma emoção, de um sentimento único, de uma mesma moeda. Equilibram-se ou desequilibram-se as faces, mas nunca se aniquilam e, não sendo passíveis de separar, porque enformam um corpo único, não podem ser contrários.

 

Daí que tenham um oposto comum: a indiferença.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe "par délicatesse"

rabiscado pela Gaffe, em 24.02.16

Par délicatesse.jpg

Amamos e somos delicadas.

 

Delicadamente nos tornamos ideais. Resguardamos os compartimentos anteriores a nós por onde a alma do amado vagueia nas tardes dos sentidos que não acompanhamos por termos acabado de chegar. Damos lugar ao gato, ao periquito e à iguana, mesmo quando somos arranhados pelo felino desgrenhado, mesmo quando se nos inflamam as articulações ouvir o timbre do pequeno pássaro ou mesmo quando nos repugna até ao vómito a textura do réptil.

Somos ideais e retiramo-nos da alma da criatura amada quando as portas se abrem às investidas do passado onde não estivemos e que, por respeito, não queremos conspurcar com os nossos passos trémulos, mesmo percebendo que é impossível atravessar aquele espaço saltando sobre as mesas com os tacões dos sentidos já despertos.

 

Emudecemos, civilizadamente, enquanto os outros recriam a multidão de sons que ensurdecem.

Obedecemos aos semáforos.

Atravessamos as ruas quando há passadeiras.

Não espirramos no centro de uma ópera.

Não tombamos cadeiras nas palestras.

 

Por amor, somos delicadas e mesmo quando os beijos que damos à criatura amada deixam de ser o que por nós respira, somos educadas, correctas, dignas, respeitáveis e inventamos um choro à parte, um choro disfarçado, um uivo no bico de um pobre periquito.

A farsa convincente e oportuna, civilizada, urbana, culta, cortês, gentil, polida.

Amamos e inventamos um espaço que supera e invade e substitui aquele que é o nosso por direito. Um lugar de delicadeza irresistível onde o Amor não é um animal, um instinto básico, um cataclismo bruto e natural, um turbilhão de carne e de pedaços de alma e mesmo sabendo que Amar é como cometer um crime e não fugir - para não ter de voltar - da alma onde acontece. Escolhemos a cortesia de forrar as armas com veludo.

Não atacamos. Ficamo-nos pelo esgrimir de facas protegidas pela bainha de uma inventada ladainha cómica, patética.

 

Acabamos irremediavelmente a chorar dentro do espaço desenhado a prumo pelo nosso pulso, com rigor amável e elegante, delicado, ou próximas de um sketch bastante convincente, porque lhe entregamos uma verosimilhança vagamente perturbante que confunde aqueles que olham apenas o que recriamos.

 

Par délicatesse, j'ai perdu ma vie. É Rimbaud que se revê nesta comédia.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe de uniforme

rabiscado pela Gaffe, em 23.02.16

É perturbadora a fascinação que sentimos por fardas!

Não excluo os homens deste imenso grupo deslumbrado. Uma rapariga esperta não esquece as poderosas armas que lhe chegam às mãos um uniforme de enfermeira, mais ou menos picante - farda e moçoila - ou quando se mascara de ingénua colegial pronta a ilustrar Nabokov, ou quando a comissária de bordo agita os braços enfarpelados espargindo perfume pelas indicações de voo, ou ainda quando decide que tem todo o direito de desatar a miar, numa aproximação caseira a Michelle Pfeiffer, na sua inesquecível Cat Woman.

 

Toda a segurança é abalada quando uma farda se atravessa no caminho.

 

Implorando o perdão dos mais sensíveis, não é descabido, sem sentido, absurdo e tonto, referir que os mais belos uniformes de todos os tempos, os do III Reich, contribuíram de forma subliminar para a submissão completa de uma população a aniquilar. O poder que destas fardas emanava, a negra beleza dos cortes perfeitos e a imposição tirânica da sua imensa fascinação sinistra, colaboraram no esmagamento da vontade de reagir ao Terror.

 

Os uniformes provocam, muitas vezes numa mistura impressionante com o medo e outras tantas com a agressividade, o desejo, o deslumbre e a sedutora, embora submissa neste caso, atracção pelo domínio e pelo poder, seja ele de que espécie for.

 

Somos frágeis. A insegurança corre-nos nas veias, mesmo quando não sentimos o seu latejar. Creio que a necessidade de protecção, de abrigo, de asilo, de resguardo ou de refúgio, provoca a necessidade de obediência subtil, e tantas vezes fatal, aos que vestem o símbolo mais visível de poder e de força.

Estamos inconsciente e perenemente perdidos e é nos signos que encarnam a potência e o domínio que procuramos a indicação da rota a percorrer.

 

Trágico é quando, nesta atracção, encontramos o abismo. Neste caso, para o atravessar é precisa a nudez.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe estereotipada

rabiscado pela Gaffe, em 23.02.16

1.18.jpg

A Gaffe confessa que é atraída pelos estereótipos mais banais.
Uma desgraça!
Isto porque pendurado, numa plataforma de metal, no exterior da janela do seu gabinete, um rapaz limpa laboriosamente os vidros. Com um macacão desbotado e um capacete azul, o homem está seguro por cintos e cordas mescladas que se traçam nas virilhas produzindo volumes surpreendentes que inauguram alguns das suas mais divertidas, se bem que libidinosas, colecções de imagens a não reproduzir sem prévio aviso a menores incautos. Quando se baixa, agarrando uma esfregona estranha e desdentada, as cordas, cravadas nas virilhas, desaparecem no tecido do fato e empurram, deformado, promessas de evitar referir aqui.


É tão reconfortante uma paisagem destas!


Mas a sua calamitosa e desprezível, porque demais banal, atracção por fardas não se fica pelo vislumbre amontanhado de rapazes pendurados a lavar janelas, presos por cintos e cordas, de capacete duro e material imenso. A Gaffe perde-se no azul dos macacões dos guardas; dos polícias de sarja e cinturão de couro, com botas que recolhem calças apertadas e pernas de embondeiro com um matiz cowboy. Deslumbra-se com o aço das nádegas redondas onde a farda justa separa os hemisférios e morde o lábio quando, já viradas, as nádegas dão lugar a outras presas.


Os marinheiros e soldados contam-lhe histórias que não é bom dizer porque a avó jamais perdoaria. A Taprobana é sempre um mau caminho e o perverso Adamastor ocupa o seu lugar em todos os catálogos que vê.


Que culpa tem a Gaffe de ter a alma de caserna, de taverna, de porto, de cais, de esquadra, de estaleiro e doca e de guarita?!

É uma rapariga tonta e tão marota!

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe de papel

rabiscado pela Gaffe, em 19.02.16

Parecem atravessar as ruas e as praças com a mesma impunidade com que pisam areias movediças. A luz que os vem aveludar é coada e mansa, quase embaraçada e tímida por se quedar na perfeição rival. Deixam no espaço um perfume de frésias esmagadas com um travo amargo de madeira exótica e pisam o que é deles, apenas por chegarem.

Parecem atravessar as ruas e as praças como se atravessassem corações.

São homens de papel.

 

Gosto dos outros. Dos que tropeçam nas pedras do caminho, iluminados por uma luz que finda e que renasce pela manhã, na mais banal das séries; que trazem os aromas dos lugares caseiros, de cães, de chuva, de areia arrasada pelo vento, de árvores de fruto, de sonhos triviais, de ilusões e choro, de risos imbecis, mas a saber pela vida.

Atravessam as ruas e as praças, mas param sempre ao lado de um coração qualquer.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gavetas:

A Gaffe traidora

rabiscado pela Gaffe, em 18.02.16

Milton Greene. Marilyn Monroe (1953).jpg

Husbands are chiefly good as lovers when they are betraying their wives.

Marilyn Monroe - 
como todas nós sabemos, perita no assunto.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe num recomeço

rabiscado pela Gaffe, em 18.02.16
 

Nenhuma circunstância pode permitir a descaracterização daquilo é apanágio do feminino, a não ser a guerra e a miséria levada ao extremo que, normalmente unidas, se tornam lugares de aniquilação total da dignidade natural do ser humano.

Às mulheres sempre foi atribuída a tarefa da reconstrução e da renovação, mesmo quando lhes é dito que não há alternativas, nem utopias.

Estilhaço a estilhaço, as mulheres conseguem sempre reconstruir a vida, mesmo que para isso tenham de usar as ferramentas habituais da morte.

 

Na foto - uma mecânica da Lockheed - Burbank, 1944

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe e a agricultura biológica

rabiscado pela Gaffe, em 17.02.16

O rapagão decidiu dedicar parte do seu tempo e um espacinho da vida à agricultura biológica.

Confesso que temi pelas agruras da lide, mas, breves instantes depois, tranquilizei-me.

 

Apenas nos devemos preocupar com a agricultura biológica nos casos em que os nossos rapagões têm o hábito de oferecer os tomates ao vizinho.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gavetas:

A Gaffe inventiva

rabiscado pela Gaffe, em 17.02.16

tampa.jpg

Uma amiga querida confessa-me, murmurando através de um ranger de dentes assassino, que está perto de ver lesados os seus nervos neuróticos - não é grande coisa a anatomia, mas não pio, porque a tragédia é grande -, por se sentir estafada, exausta e completamente farta de tentar, sem sucesso, que o marido baixe a tampa da sanita.  


É impressionante como a solução é simples!


Há no Instituto Superior de Engenharia uma imensidão de rapazes simpáticos e dedicados a coisas que ultrapassam as habituais capacidades de qualquer mortal, que sentiriam uma excitação significativa, se lhes fosse permitido dar à luz um dispositivo que evitasse o colapso nervoso da minha querida desesperada.
Eu sugiro que seja criada uma geringonça - que se adapte à tampa da sanita e não ao Parlamento Europeu - accionada quando o esquecido estiver a terminar o que não vou referir aqui porque normalmente é óbvio. O disparo do apetrecho soltaria, colocando num ângulo cientificamente estudado, um daqueles espelhinhos que deformam o que reflectem.


Creio que seria suficiente um que diminuísse o reflectido. 

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe ginasticada

rabiscado pela Gaffe, em 16.02.16

exercício.gif

A Gaffe é avessa a qualquer exercício físico que faça oscilar pormenores femininos que devem permanecer fixos, custe o que custar, mas, tratando-se de rapagões, a Gaffe é apologista de todo o esforço físico que faz com que os olhos desta rapariga marota pulem como bolinhas de ping-pong, acompanhando solidários a cadência dos saltinhos de masculinidades muito aplicadas.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe do segredo da Vitória

rabiscado pela Gaffe, em 15.02.16

gordas.gif

É assumida tolice repisar um assunto que de tão esgotado e inútil já só contém espinhas e, mesmo essas, boleadas por tanto terem batido nas pedras dos fundos dos rios dos debates, mas a Gaffe não quer deixar de beliscar a indignação que saracoteia quando um dos modelos Victoria's Secret surge em todo o seu esplendor alado para assombrar as gordinhas.

 

Não adianta esbracejar e massacrar com ameaças de anorexia o planeta onde desfilam. As mulheres são belíssimas. Não há nada a fazer a não ser contratar um profissional mafioso, de preferência gay, capaz de as despachar de uma rajada, retirando este glamour de carne magra dos balcões do talho.

É feio e nada BCBJ sentir ciúmes destas gazelas irritantes que aumentam a sua capacidade de enfurecer as mais dotadas não se importando um pirolito com as acusações que lhes fazem.

 

A verdade é que o conflito entre gordas e magras, transformadas em obesas e anorécticas, não se resolve com a marcação de consulta no Dr. Póvoas - até porque o Dr. Póvoas pinta o cabelo - ou numa qualquer tresloucada nutricionista castradora, mas pela selecção mais criteriosa das nossas amigas. Uma mulher sente-se magra se souber escolher apenas amigas muito gordas.

 

É uma tontice atribuir a responsabilidade de todos os distúrbios alimentares que atingem as adolescentes da galáxia às copas dos soutiens de  Victoria's Secret ou declarar que nos sentimos umas balofas baleias só porque o mundo se viciou em esguias enguias. Não é agradável atirar o irreal feminino para a cama de um hospício ou sanatório enquanto trituramos sem descanso os Ferrero Rocher do Ambrósio, esbardalhadas nos sofás do sedentário e enfiadas num vestido ranhoso de cetim amarelo a ameaçar explodir.  

 

Deixemo-nos de parvoíces.

 

Viver não tem nada a ver com as asas de anjo coladas em qualquer desfile ou com plumas que surgem do meio das mamas que cabem em soutiens exíguos ou cravadas em rabos que são metade da norma, mas mesmo assim perfeitos.

Viver é aprender que com asas de morcego ou de albatroz os abismos que temos de atravessar todos os dias são bem maiores do que uma passerelle.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gavetas:

A Gaffe básica

rabiscado pela Gaffe, em 15.02.16

Uma rapariga  não precisa, todas as manhãs, de perceber que a vossa vida, rapazes, saiu directa das páginas do KamaSutra ou é apenas um folheto de Carnaval ou um pindérico romance de cordel.

As vossas olheiras, os vossos papos, as vossas manchas e maleitas faciais, as vossas borbulhas, os vossos lanhos labiais e outras pequenas mazelas, não nos deixam entusiasmadas. Mesmo aquele aspecto desregrado, normalmente acompanhado de um sorriso patético, de quem não dormiu por ter estado ocupado em manter acordada a companhia, não é, de todo, atraente para uma rapariga que começa a debicar o seu croissant.

 

Os portugueses são demasiado tímidos e inibidos - a Gaffe hoje está tão benévola! - e ainda consideram embaraçoso perguntar à menina do Shopping pela secção onde se podem encontrar com o creme hidratante ou com o pincel que lhe atenuará os pântanos negros que trazem debaixo dos olhos. 

 

Meus caros, existe no mercado uma quantidade inimaginável de produtos dispostos a tentar transformar-vos em quotidianos, diários, modelos da Vogue, em todo o esplendor de uma página central.

Se fosse patrocinada, a Gaffe aconselharia, como seria evidente, Dior ou, mais económica, toda a gama Jean Paul Gaultier - Gaultier também sabe ser eficaz com discrição, reserva e tino, mas esqueçam-lhe os perfumes, sim? -, que abrange, atenua e remedeia, com uma eficácia transbordante, toda a parafernália de maleitas que nos maça e arrepia - as borbulhas lunares são horripilantes e espremem todas as vossas hipóteses de dormir acompanhados.

Sejam corajosos e arrisquem!

 

Perguntam os curiosos porque decidiu a Gaffe ilustrar o que diz com um rapazola pestanudo.

Há duas razões:

1 – Como não parece provável que o que quer que seja vos transforme neste petiz deslumbrante que sugere ter saído de um filme erótico - e a Gaffe só vê as promoções -, não parece fácil encontrá-lo numa das esquinas das nossas vidas.

2 – Descansamos finalmente os olhos e preparamo-nos corajosamente para vos entregar o lenço de papel perfumado com que deveis espremer a espinha purulenta que vos cresceu na asa do nariz.

 

A Gaffe não simpatiza com aquilo a que chamaram metrossexuais e não a fascinam os posteriores ubersexuais. É-lhe desagradável beijar um homem que traz na boca o sabor do seu bâton e que usa e abusa do seu nécessaire, mas o esforço que leva um rapaz a levantar-se uma hora antes do acordar da princesa, para a extasiar com um belíssimo aroma a sabonete e um hálito de prados paradisíacos, tem por certa a recompensa.

 

Não acordem como são. Acordem-nos sempre melhor.   

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe baralhada

rabiscado pela Gaffe, em 14.02.16

Jim Schaeffing.jpg

Ontem fintei, driblei, rasteirei, ignorei, assobiei, suspeitei e ameacei. Mantive-me longe dos monitores e nem sequer ousei molhar os dedinhos na net. Cravei os olhos mais ferozes nas ameaças possíveis. Afastei de mim todo o sorriso suspeito de trazer pieguices foleiras. Fugi de modo inexplicável de todas as estrelas que vi brilhar de forma ameaçadora nos olhinhos das pessoas. Inundei o gabinete de arame farpado de modo a frustrar toda a tentativa de doçura imbecil. Recusei olhar as montras e lancetei todas as frases que começavam por hoje, é dia de…

 

Resisti. Consegui. Cheguei ao fim do dia sem sequer ter ouvido falar de corações!

 

Foi só agora, ao acordar, que percebi pelo sorriso do rapagão a insinuar marotices que o dia dos namorados afinal é hoje.

 

Ilustração - Jim Schaeffing

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gavetas:

Pág. 1/3






  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
JIFR-J5MR-Y1XR-YACD