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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe iraniana

rabiscado pela Gaffe, em 01.02.16

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A Gaffe confessa que também fica muito perturbada quando embate com o Fauno de Barberini. Exactamente por isso, levanta os olhos ao céu e pede protecção a Paulo IV, o santíssimo papa que ordenou que se cobrissem as miudezas - a palavra neste contexto é mais do que bem empregue - das figuras criadas por Miguel Ângelo no tecto da Capela Sistina. É bem verdade que o obreiro desta façanha, o pobre Daniele da Volterra, ficou conhecido pelo il braghettone, o braguilheiro ou o calcinhas, mas o epíteto constitui uma perfeita injustiça, já que da Volterra se limitou a ser o precursor de Victoria’s Secret e nada mais fez do que dar início a um processo continuado por Clemente VIII que chega a colocar a hipótese de destruir o tecto - salvo apenas pela intercepção da Academia de S. Lucas - e que tem o seu mais mimoso acontecimento quando Inocêncio X ordena que se cubra a nudez do Menino Jesus pintado pelo querido Guercino, homem pio e beato.

 

A Gaffe não fica, portanto, impressionada quando Hassan Rouhani exige que na sua presença se cubra a nudez esbardalhada pelos Museus Capitolinos. Apesar de ser desta vez um Estado laico a obedecer a uma imposição religiosa. Noblesse oblige e o ouro é metal nobre.

 

O que escandaliza esta rapariga esperta é o facto de terem escondido pipis, mamocas e pilitas atrás de painéis brancos que unidos parecem caixotes de quem se vai mudar para Castel Gandolfo.

 

A Verdade é que Paulo IV não tinha à mão de semear os trapos dos criadores - recordemos que na altura apenas Ana Salazar via a sua carreira iniciada -, mas Matteo Renzi tinha uma panóplia de fashion designers dispostos a vestir os manequins de mármore. Armani, Valentino ou Dolce & Gabbana matar-se-iam por tamanho cartaz publicitário.

Depois, se Matteo Renzi quisesse beliscar os franceses que de forma muito pouco educada - tendo em conta que nos faz lembrar o grosseiro se não gostas, come em casa -, anularam o almoço quando perceberam que Hassan Rouhani recusava a presença da carta de vinhos, podia perfeitamente ter escolhido Dior insinuando uma cumplicidade francesa.

 

A Gaffe, nestes peculiares momentos, sente a falta de estadistas como Berlusconi. Seria interessantíssimo ver as trombas de Rouhani quando, numa visita oficial ao Irão, ouvisse as exigências deste italiano maroto, antípodas das suas.

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