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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Marcelo

rabiscado pela Gaffe, em 11.03.16

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Há alguns dias, a Gaffe rabiscava que os produtos genuínos podiam ser mais rudes e menos atractivos do que os posteriores - que os plagiavam - mas que serão sempre muito mais completos, trazendo o kit embalado de forma mais bonita.

 

Marcelo Rebelo de Sousa leva a Gaffe a corrigir o segundo pedacinho de tão leviana afirmação.

 

É cansativo ter uma imitação do Papa Francisco na Presidência da República, mas a verdade é que Marcelo embala o kit muitíssimo melhor do que o franciscano que decidiu abandonar a linha haute couture de Bento XVI, e ser o primeiro Rei de uma República é a prova mais completa de que se tem dois olhos.    

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A Gaffe e as declarações

rabiscado pela Gaffe, em 11.03.16

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Os locais habituais para fazer declarações de amor deviam ser todos arrasados. O mais romântico dos jantares devia por obrigação atear incêndios aos cortinados quando as velas estivessem a pingar estearina nas mãos entrelaçadas dos amantes. A mais idílica das paisagens devia ser invadida por tsunamis quando os pares se enternecem com o azul das águas. Todos os cenários usados por Cupido deviam ser demolidos e as setas desse inconsciente quebradas contra as rochas assassinas.

 

Nós, mulheres, exigimos originalidade nas declarações de amor que nos fazem. Nada de ramos de rosas. Se os anéis de brilhantes são aceitáveis, o mesmo não acontece, de todo, ao joelho no chão numa avenida movimentada ou ao avião pequenino que escreve o nosso nome no ar com fumo cor de malva. As serenatas são permitidas desde que seja usada uma orquestra sinfónica com o coro dirigido por Zhang Jiemin.

Recusamos a banalidade nestes momentos. Repudiamos as cenas que nos fazem lembrar Casablanca que de tão esgotadas nos fazem desejar que o avião da Bergman se despenhe ao sair da pista. Sorrimos e chegamos a comover-nos, mas, no fundo do coração, a desilusão arranja um lugarzinho e ocupa um canto do nosso tão desejado entusiasmo.

Os homens deviam ter percebido isto desde o dia em que tudo o vento levou, mas continuam a insistir na pobreza dos gestos amorosos. Não inovam, não são criativos e acabam por ser secretamente lamentados por nós que consideramos que as nossas declarações de amor são exactamente aquelas que provocam as deles.

Devemos exigir, por exemplo, os nossos nomes escritos nas paredes dos WC das mulheres, no Louvre, com gigantescos corações a toda a volta, provando que, por nós, o macho correu o risco de ser desancado pela senhora de bigode que limpa de hora em hora todas as sanitas femininas. Devemos obrigar os homens a limpar todos os outros de modo a que cintile nos azulejos imaculados apenas o nosso. Não é tarefa fácil e dá pena de prisão até dois anos. Devemos decretar depois que nos dos homens, e sem ser no Louvre, sejam intimados a substituir os cansativos slogans que informam que a Carolle é puta por todos os poemas de Éluard.

Só assim, e talvez então, valha a pena ler numa estação de metro escrito a tinta branca aquilo que se espera:
 
On s’aime!
 
Foto - Piotr Margiel

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