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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Evelyn

rabiscado pela Gaffe, em 14.04.16

Evelyn McHale tinha 23 anos e acabara de se despedir do noivo. Subiu ao 86º andar do Empire State Building, onde fica o deck de observação, e atirou-se.
Deixou um bilhete no qual dizia que o rapaz seria mais feliz sem ela.

 

Não poderei ser uma boa esposa para ninguém.


O estudante de fotografia Robert Wiles ouviu o estrondo assustador e captou a cena quatro minutos depois.

Foi catalogado como O mais belo suicídio do mundo.

É uma imbecilidade o título que ostenta. É de certeza uma das mais belas fotografias de um suicida, mas o trágico absoluto não pode ser tratado com leviandade glamorosa.

A extraordinária feminilidade da suicida, a sua imensa fragilidade enluvada, o recato do gesto que segura o colar e a serenidade do rosto que parece adormecido, contrastam com a animalesca força da morte, com o desumano estilhaçar do corpo e da alma de uma rapariga que decidiu calar todas as dores.

 

Mais uma vez a dor e a morte produzem boas fotografias.

É uma brutalidade perceber que Evelyn poderia perfeitamente ser a capa da Vogue.

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Gavetas:

A Gaffe no cacilheiro

rabiscado pela Gaffe, em 14.04.16

Dmitry Dmitriev.jpgProvavelmente, depois de se ter lido o aqui naufragado, seria de esperar que após o comovente depoimento de Joana Vasconcelos na encantadora rubrica e se fosse eu, a Gaffe se incluísse na onda escandalizada que os dois AIS - o Iphone e o Ipad – os phones e a parafernália que a mantém a comunicar com a galáxia, provocaram na tripulação.

 

Um erro.

 

A Gaffe considera que Joana Vasconcelos fez as escolhas mais correctas e decide iluminar a turba.

 

O instinto de sobrevivência de Joana Vasconcelos está dotado de uma espécie de previdência. Joana é a única pitonisa a expor em Versailles.

Será aconselhável recordar o cacilheiro com a criadora à proa. É evidente que, correndo-se o risco daquilo inclinar, a restante comunidade artística foi posta à popa. Até nas artes o equilíbrio é necessário. Joana Vasconcelos precaveu-se. Não vai de bote de borracha, assim como não fica sem tachos, sem tampões, sem talheres e sem garrafas de água. Da restante criação alguma coisa há-de flutuar e é suficientemente grande para a aguentar em cima em caso de percalço.

 

Posto isto, provado já que Joana Vasconcelos pode perfeitamente escolher os adereços que quiser, pois que preparada já estava, resta apenas referir que a capacidade de sobrevivência da artista não se resume a este precaver prático, mas pitonisíco. Urge recordar que depois de ser eleita pela defunta coligação governamental como bandeira artística do regime – o que se compreende, tendo em conta a largura e as cores dos panos que vai usando, - surgiu empenhadíssima discursando empolada na campanha de António Costa. Não falhou por uma unha negra, mas a Gaffe desconfia que a rapariga teve um dedo enfiado naquilo que Paulo Portas proclamou golpe de Estado e aposta que foi ela que lhe branqueou os dentes.        

 

Não adianta portanto arrasar Joana Vasconcelos pelas escolhas que fez se fosse ela. A rapariga não é um daqueles pobres horrendos e desprevenidos que nem sequer uma máquina de barbear levam na trouxa quando vão a Fátima a pé e, convenhamos, as jóias portuguesas são imprescindíveis. Uma rapariga nunca sabe quando vai ser condecorada.

 

Ilustração - Dmitry Dmitriev

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