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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de soutien

rabiscado pela Gaffe, em 02.05.16

A Gaffe foi comprar lingerie e saiu esbaforida, furiosa, desgrenhada e capaz de estrangular com o fio dental que lhe foi mostrado a menina do sorriso cor-de-rosa que a atendeu e a informou os únicos soutiens que pululavam por ali partiam da copa 38. Encontrar os dignos de tocar nas suas maminhas que cabem perfeitas, como os corações do poema de O’Neill, nas palmas das mãos de um valente rapagão, foi tarefa inglória.  

   

É certo e sabido que uma rapariga com um par de maminhas de proporções avantajadas tem um péssimo gosto em relação a sapatos. Não conseguindo ver os pés em condições as escolhas do calçado não são as mais perfeitas.

As divas dos anos 40 e 50, com os seus soutiens de barbas de baleia espetados e ameaçadores, não contam, porque o corrupio dos aderecistas seleccionava o que as estrelas podiam calçar evitando a pata-choca e os grandes planos do rosto da divina Garbo impediam que percebêssemos as parcas dimensões das suas maminhas ou que soubéssemos que Rainha Cristina ou Ninotchka foram filmados com a belíssima actriz de chinelos de quarto a arrastar, contradizendo o postulado anterior.

 

As maminhas são duas peças essenciais na engrenagem publicitária - são-no noutras engrenagens, mas sejamos controladas. Quem tem maminhas significativas, ou seja, do tamanho de melões de Almeirim cultivados em estufa, aparece em excelente forma física na capa de qualquer revista cor-de-rosa. Quem não as tem é porque não pede, porque, como toda a gente sabe, quem não pede, não mama.

 

Uma rapariga desunha-se por um par das ditas capaz de fazer figura num concurso da TVI apresentado pela Teresa Guilherme ou numa qualquer geringonça da concorrência que normalmente catapulta a dona para outros voos mais chorudos e com mais presenças.

Se a mãe natureza foi madrasta, deus é pai, mesmo que deus tenha nestes casos de vestir uma bata cirúrgica e desatar a rabiscar com um marcador a plana estepe do peito desejoso de montanhas.

É curioso ver a quantidade de raparigas - e uma enormíssima percentagem de homens, alguns nem sempre pelos motivos óbvios - que lutam por um par de maminhas XXL para depois o apertar, esmagar, espartilhar, exibir, esconder, cobrir, atirar à cara dos transeuntes mais desprevenidos, esmagar com soutiens exíguos, desvendar, velar, transformar em aríete, arremessar ao ex que nunca o viu tão agressivo ou fazer passarinhar, bamboleando, pelas ruas da amargura das rivais mais comedidas.

Parece não haver nada tão atraente como duas esferas imensas, parecidas com a famosa bola .NIVEA. das nossas férias vintage, onde se apensa o resto de uma rapariga.

 

Esta ambição mamária descontrolada acaba por fazer esquecer a gravidade. Deixamos de ter a noção de que existe o chão - daí o erro nos sapatos, - e de perceber que o tempo é cúmplice desta força maldita. Vamos envelhecendo com dois mamutes presos ao peito sem entender que a nossa vida sexual vai ficando limitada. Não conseguimos encontrar o paraíso sem ser deitadas num… espírito de missão, porque, se arriscamos outras modalidades, nos cai tudo, tudo nos é puxado para baixo, asfixiando o pobre que sob nós se afoga em dois pesados assuntos pendentes e não adianta recorrer a firmezas oriundas de bisturis, de preenchimentos ou de infiltrações, o peso do resto fará com que fiquemos parecidas com dois abcessos que cresceram numa casca de carvalho encarquilhado.

 

Rapazes, é tempo de reconhecerem que a ecologia mamária é velejadora do Green Peace ou temo que nós, raparigas average, comecemos também a desejar ver inflacionadas as vossas rubricas mais pendentes. 

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A Gaffe correctora

rabiscado pela Gaffe, em 02.05.16

A Gaffe tem a certeza que disse algures que as Levi’s 501 são as faces incontornáveis dos rabos perfeitos.

É de aplaudir o direito que temos a dar o dito por não dito ou, pelo menos, a corrigir a mão.

Há rabiosques presos noutras paragens que, de tão irrepreensíveis e exemplares, nos fazem tombar deslumbradas em qualquer lado, mesmo sujeitas a apanhar com um camião pela frente e esbardanhar a maquilhagem!

 

Como diria a avó - a Gaffe nunca chegou a entender por completo o alcance deste aforismo, - os homens não se medem pelas calças que usam, mas pelo que são, lá dentro

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