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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com um caso sério

rabiscado pela Gaffe, em 06.05.16

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Um pequeno caso sério, mas incrivelmente divertido. Um blog onde a vida é tratada como deve ser, ou seja, de forma hilariante e sem piedade. A visão cáustica de quem sabe que não vale a pena esperar Godot ou ficar sentada a desejar the boy next door. Quer num caso, quer no outro, o ideal é tratar da louça, arrumar os tarecos, levantar o rabinho e ir bater-lhes à porta.

Imperdível

Na foto - Mary Pickford

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A Gaffe sem glamour

rabiscado pela Gaffe, em 06.05.16

 

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Há mulheres que só com o perfume nos humilham. Provocam-nos um colapso nervoso ou desencadeiam uma depressão profunda quando passam por nós, que somos raparigas espertas, mas sem uns trocos jeitosos na carteira para poder lavar a alma com umas compras muito Jackie O.


Normalmente olham para nós como se tivessemos obrigação de lhe ter lido o CV antes de lhe fazer a vénia.


O que mais impressiona não é a maquilhagem. Uma mulher elegante deve parecer que não usa desde a adolescência tola um pingo de make-up  - sejamos internacionais, - um pincel de sombrear os olhos ou um bâton, mesmo daqueles que nos fazem empenhar o apartamento para os comprar, e no entanto estar empapada em blush e encharcada em rímel, com a balança em desequilíbrio por causa do peso do eyeliner.

 

Também não causa grande intriga o tailleur ou o colar, ambos verdadeiras jóias e ambos de arrasar o ordenado de uma miúda banal, mesmo daquelas que se estafam no trabalho. Uma mulher elegante pode ter a veleidade de empenhar seja o que for em nome de Dior.


O que causa espécie, como diria a minha avó, são as meias e os sapatos!

 

Há mulheres com pernas magníficas! Duas esculturas que quase lhes chegam à garganta e que terminam, nos lados que ficam perto do chão  - digo perto porque mulheres daquelas só flutuam - nuns sapatos pretos simples, bastante fechados, com uns tacões agulha, do tipo usado nas urgências para espetar adrenalina no coração dos mortos.
Fica uma rapariga a pensar que daria tudo, era capaz até de emprestar o homem dos seus sonhos, por ter um par igual. Não de sapatos, mas de pernas. Depois, já com mais calma, a rapariga simples repensa o caso e acaba por concluir que, e para aquilo funcionar sem gastar muito, teria de andar de gatas pelas lojas das meias, à procura de um par mais baratito e pedir à Nossa Senhora de Fátima  - padroeira dos equilíbrios, sobretudo em cima de oliveiras - ajuda para se poder manter segura naquelas duas torres gémeas, pretas de verniz.

 

A elegância genuína é cara. Não é contraditória a afirmação. É complementar.


Podemos nascer de diadema, com um allure de arrasar parola, snifar diamantes e espirrar caviar ou ter o charme indiscutivelmente francês de Jackie O, mas se não formos amantes dos Onassis ou de família que reine em qualquer lado, acabamos cheias de olheiras, a trabalhar à bruta e à maluca, para poder no fim do mês comprar umas chanatas - chiques, mas chanatas mesmo assim - e largar as meias que mais se parecem com arraiais minhotos de tantos foguetes.


Sejamos felizes, portanto! Há mulheres elegantes que só têm o érrima porque têm carteira.

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A Gaffe maravilhada

rabiscado pela Gaffe, em 06.05.16

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Ele tem olhos de iluminado. Grandes, abertos pelo silêncio. Os nossos sons ecoam dentro deles como nas abóbadas de duas catedrais e, quando nos calamos, as palavras ditas antes da mudez parecem silvos de balões largados no ar, a perder a forma.

 

E diz-me:

 

Os terraços de Maio são prodígio

Onde sacodes as crinas da alegria

E no limpo rumor do riso das cerejas
Há limoeiros brancos e rouxinóis de espuma
Nos clarins de luz dos teus cabelos
Assomam os cavalos cor de fogo
Maio com a luz pousado no regaço
Um sol de porcelana que demora
Criança trevo e cal amotinada
Nos terraços da febre das cigarras
Tu és a luz a abrir as rosas ruivas
E a prometida floração das águas

 

Ilustração - Daniel Merriam

 

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