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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Rita Pereira

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.16

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Depois de se esbardalhar contra as nádegas de Rita Pereira, a Gaffe não pode deixar de pensar que entre uma rapariga esperta e uma diva, existe um abismo intransponível.

 

Gloria Swanson, por exemplo, deslumbra de eternidade em Sunset Boulevard com o extraordinário:

 

All right, Mr. DeMille, I'm ready for my close-up.

 

Rita Pereira em Cannes - Boulevard ou não, - entregue à mesma deixa, desvendaria apenas o fio dental cravado nos dentes de trás.  

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A Gaffe "et l'amour démodé"

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.16

Sinto falta de Paris.
Sinto saudade da cidade onde a luz doirada espreita os mais secretos desejos, as mais minúsculas delícias.
Paris dos bairros em torno do Sena, onde esvoaçavam rapazes fugidos do campo dos deuses e onde me assaltava, sem dó nem piedade, a surpresa de me ver olhada com o mesmo desejo com que os descobria.


Paris limitada pela Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Bastilha e Panteão. O mágico traçado, o incomparável espaço, onde, dentro, a cidade esmaga por se sentir perfeita.
Avançava pelo Boulevard Saint-Germain, desde a Île Saint-Louis, cravando o olhar, subitamente, no coração de Saint-Germain-des-Prés.

 

Brasserie Lipp ... Flore ... Les Deux Magots.

 

- Des croissants, comme d’habitude?

- Oui et comme d’habitude Paris au bord du lit.

 

 

Le Divan, a poeirenta livraria velha dos poetas que se esquecem e de Artaud, louco e deslumbrante, abocalhada por Dior.
Cartier mastigando as velhíssimas lojas onde a música espirrava como chuva no centro das praças.
Louis Vuitton olhando sobranceiro Les Deux Magots que teima em servir croissants perto da minha saudade.
L’air du temps que muito antes de ser aroma Nina Ricci, era tudo o que se colhia nas ruas de Paris e que fazia bem e que soava bem e que girava nas cabeças tontas dos rapazes.
Paris onde fiquei presa nos dedos do primeiro choro de amor que eu encontrei.


- C’est fini, ça? C’est dépassé! C’est fini l'amour.

 

O Amor não é igual em todo o lado e mesmo em Paris se pode ser pateticamente apaixonado.

 

Lembro-me parada e sozinha, encostada à porta onde viveu Chopin e onde o Ritz se torna mais tristonho.

A esplanada estava quase deserta àquela hora.
A minha irmã sentou-se extenuda depois de ter sido recebida pela Casa Cartier, ali ao lado, onde espreitam por uma janelinha, aprovando ou recusando o suplicante.


- Eu trato da mulher e deixo-te com ele. Tens de o seduzir. Se não resultar, trocamos - falava do casal, o único sentado à nossa frente, fluvialmente apaixonado. Molhavam-nos com a água que lhes vidrava os olhos.
Tentamos.
Usamos todos os insuspeitos trunfos, todos os mais escabrosos estratagemas, todas as mais vis e malignas insinuações, todas os mais planeados movimentos, dos mais subtis, aos mais desavergonhadamente descarados.


Nada!

 

O rapaz tinha colados os olhos no rosto da mulher que trazia todos os planetas pendurados nas pestanas.
A rapariga, mais tímida, afastava brevemente o olhar do centro do Universo, no ponto exacto onde se via reflectida, para logo a seguir procurar de novo os espelhos dos olhos do homem.


Será que o Amor, de tanto se olhar, se transforma em Narciso?

 

- oh! l'amour! L’amour c’est démodé.

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