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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe aprendiz

rabiscado pela Gaffe, em 15.06.16

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A Gaffe en passant  - faz imenso  disto -  ouviu uma expressão que a encantou sobremaneira:

 

Pessoas que não sabem estar na vida

 

A Gaffe entende a existência de gentinha que não sabe estar numa recepção, que assarapanta os talheres e mistura copos, que confunde a obra de Giacometti com arte africana, que bebe a água com limão do final da mariscada, que escreve destastas-o  e gosta de Cagaleiro, que inventa cabalas para cheirar a peixe ou até mesmo que ignora por completo que cuspir na cara de alguém não é o mesmo que se ser frontal - muito menos quando se cospe nas costas do dito. São pequeninas vírgulas mal colocadas no texto que a vida vai ditando. Tornam a leitura intragável, mas pelo menos acabamos a perceber quem foi o autor.

 

O que não entende é que haja gente que sabe estar na vida.

 

A Gaffe sempre achou que toda a gente faz o que pode para não morrer e que esse é a única sabedoria que se exige, tendo em conta que a árvore do saber restante não é de todo a mesma da felicidade.

Saber estar na vida não é conhecimento que nos seja facultado, mas acaba por se tornar instinto à flor da pele que não permite mais do que sobreviver.

 

O episódio que originou tão profunda reflexão é contado num pé só.

 

Depois de bater na esquina da secretária e ter espetado a canela – uma peça anatómica que serve para que encontremos os móveis no escuro - na perna da cadeira, a Gaffe procura aprumar-se e suster o grito de dor que se quer soltar desenfreado. Devagar, de olhos semicerrados, salta do gabinete para o corredor.  


- Pela tua cara, vejo que já sabes - murmura-lhe a interna de pasta nos braços e malícia nos olhos.   

- Referes-te? – eis saber viver! O instinto diz-nos que um segredo é uma coisa que se conta a uma só pessoa de cada vez.  
- Refiro-me ao acidente do chefe de serviço! A mulher espetou-lhe o x-acto na mão. Discutiram. Descobriu que o homem tinha uma amante - e continua num sussurro - vai-te dizer que se cortou no vidro da porta. Empurrou-a, pensando que estava aberta, e feriu a mão quando aquilo se estilhaçou. Parece que o chefe empurra as portas com as costas da mão – e termina num suspiro - não entendo como a pobre foi capaz. Há pessoas que não sabem como estar na vida.

 

Saber estar na vida é afinal desconhecer ou então fazer de conta não saber de nada.

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A Gaffe de Rui M. Pêgo

rabiscado pela Gaffe, em 15.06.16

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A Gaffe está preocupadíssima com as declarações de Rui Maria Pêgo que com certeza o levarão à prisão.

 

Esta rapariga ainda tem presente o choque que foi ver os arguidos da Casa Pia - nunca tendo admitido os crimes de que foram acusados, - condenados a penas horrorosas, e depara-se com esta revelação absolutamente arrepiante.

Rui Maria, num emotivo depoimento relacionado com o acto bárbaro de um bipolar, diz - e a Gaffe vai transcrever porque não consegue escrevê-lo com palavras suas:

 

Coincide gostar de meninos.

 

Uma questão se coloca, logo após um Valium:

Qual é a coincidência entre a perigosíssima revelação do catraio e o massacre causado pelo psicopata?

É bem verdade que Malato escapou ao atentado de Paris porque a tinha visitado na véspera e já lá não gargalhava. É certo que Catarina Furtado não faleceu logo ali, porque teve a sorte de estar a centenas de Kms do local. É exacto que Rita Pereira não explodiu, porque se encontrava algures a preparar a forma de mostrar o rabo e a Gaffe, em pessoa, não morreu no local, apenas porque estava a cozer um polvo no Douro. São coincidências estranhas, mas palpáveis apesar de tudo. Agora gostar de meninos só pode coincidir - e mesmo assim ao longe, porque estas coisas causam imenso medo - com as buscas da PJ aos computadores suspeitos de pedofilia.

 

Rui Maria, querido, o menino devia chamar os bois pelo nome e não recorrer aos vitelinhos. O menino gosta é de homens e embora seja um facto que leva a Gaffe a trocadilhos foleiros - o menino é gay e eu cagay - fazer coincidir esta pequenina privacidade com o massacre psicopata no Pulse é ligeiramente imbecil, não é, meu amor?

 

Vá, Rui Maria, porte-se como um homem.

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