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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe esplendorosa

rabiscado pela Gaffe, em 03.07.16

Não é fácil erguermo-nos a brilhar nas preguiçosas manhãs do nosso descontentamento, sobretudo quando nos sentimos desgrenhadas, ensonadas e com todos os sentidos anestesiados.

 

Embora com uma nuance significativa, a última vez que o conselho, estampado agora na t-shirt do rapagão da imagem, surtiu efeito, foi com Lázaro e só porque chegou directamente de Jesus. Mesmo assim, Lázaro nunca mais se livrou convenientemente do cheiro que lhe carcomia a sedução.

 

Erguermo-nos radiosas nas vossas manhãs, rapazes, é uma impossibilidade mais do que comprovada.

 

Tornamo-nos patéticas quando teimamos em levantar as pálpebras com a sombra YSL inabalável que usamos na véspera ou com o bâton sangue-de-boi Dior  - a cor do bâton não engrandece o costureiro - a preencher na perfeição os nossos lábios frescos de brisa matinal.

É inevitável esbardalharmos a tela magnífica da véspera, imprimirmos o rosto maquilhado na almofada alva, qual sudário, que nos suportou o peso da inércia, da exaustão e da impaciência que nos fez adormecer com pestanas postiças que acordam coladas nas axilas, pregando-nos um susto horripilante. Acordamos espapaçadas na cama, penosas vezes de boca aberta e em poses pouco dignificantes, muitas de nós a babar-se e a roncar - não pensem que vão ouvir os rouxinóis, - sem cabeleireiros, aderecistas, iluminação, maquilhadores, banda sonora e tropas da elite oscarizada enfiadas no armário.

 

Nenhuma rapariga, por muito que se esforce, vai amanhecer, erguendo-se com a subtileza da gazela, o gesto alado da mariposa ou a esguia elegância do cisne, qual Catherine Deneuve ou Grace Kelly - citadas para apoiar a alusão a Lázaro.

Por muito que esperneiem, nem as fadas, ninfas e sílfides, princesas de outras eras e da nossa, rainhas de beleza e sedutoras divas, jaguares no feminino, panteras negras, íbis do Nilo e de outros rios que não passam pela minha aldeia, trapezistas do encanto e do fascínio, Mata-Hari que segreda apenas mel e todas as Soraya Chaves com que sonham, acordam com um hálito a mentol.

 

Rapazes, deixem de nos massacrar com ilusões de folhas de revista ou de frames de uma fita com glamour e ouçam a voz do ancião do pico da montanha do real:

 

Wake Up and Smell the Coffee!

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