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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Maria José Portugal Portugal olé olé

rabiscado pela Gaffe, em 14.07.16

 

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II

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Está um calor de ananases. As altas temperaturas derretem o meu já parco sentido de humor.

Por isso, Maria José Portugal Portugal, não vou fazer de si um berlinde de plástico que se atira ao gato empatando o tédio vendo-o a brincar.

 

Quero conversar consigo. Obedeça e sente-se.

 

O que escrevo aqui, resulta do imenso respeito que sinto sobretudo pela MJ e pela Filipa. Conheço mal ou nada as restantes pessoas a quem roubou os ossos para construir o seu esqueleto. Não me dirijo a si por minha causa.

 

Quero contar-lhe duas histórias que unidas permitem compreender esta minha falha.

 

A primeira é a de um aristocrata francês, Ajudante de Campo de Napoleão, que acompanhou um general quando numa das Invasões os franceses pelo Douro entraram.

O jovem aristocrata apaixonou-se. Quedou-se a ver uma mulher no rio. Casou com ela. Nasceu uma filha. Uma única filha. Morreu, tinha a criança quatro anos.

Duas mulheres sozinhas numa terra antiga avessa a surtos extemporâneos de feminismos impensáveis, tornam-se depressa párias e malditas.

A criança desta história cresceu a ouvir da mãe sussurrar o que lentamente se foi entranhando como a raiz de uma vinha.

Se a lama te tocar no sapato, descalça-o. Pousa o pé na terra enlodada, mas não sintas. Se não sentires aprendes a pairar.

A história continua, mas jamais a entenderá.

 

A outra história é mais recente.

Há alguns anos uma mulher acusou-me de tenebrosas conspirações e medonhas cabalas. Foi maçadora a insistência com que esgravatava o chão à procura de grãos de palavras minhas ou de migalhas de atenção que lhe dessem uma ilusão de pertença a qualquer coisa. A mulher continua ainda hoje a demanda demente.

Confesso que de quando em vez a leio.

A última vez que o fiz encontrei uma pretensa caricatura minha. Abjecta, nauseante, mal escrita e - valha-me Deus - mais uma vez mal pontuada.

 

Não tem fim esta segunda história, mas ajuda-me a entender que para além de me plagiar, a Maria José Portugal Portugal toca-me no sapato também de uma outra forma.

 

Eu também finjo.

 

Confesso-lhe que, perante o seu plágio, fingi indignação. Admito que mimei revolta e nojo. Assumo que menti quando me propus transformar o seu batom num supositório que administraria com prazer - antes de perceber, que fique claro, que é exactamente o que faz há muito tempo. Tem de trocar a marca do cosmético.

 

Fingi, Maria José Portugal Portugal. Fingi como fingi repulsa perante a caricatura que de mim fizeram.

 

Não senti nada.

Não foi indiferença, acredite. A indiferença é bem menos do que aquilo que acontece. Foi o Não Sentir. O mesmo medonho Não Sentir que a rapariga do Douro antigo aprendeu da mãe.

 

Percorri o seu álbum de fotografias - o único pedaço de si que penso real e a que tive acesso - pela mesma razão que me leva a voltar a ler a outra mulher. Para ver se sinto. Para ver se sinto seja o que for.

 

Não senti.

Não sinto.

Nada.

Apenas o vácuo, suponho que parecido com aquele que surgiria se apagasse da sua página do facebook o que plagiou. O seu retrato.

 

Acredite, Maria José Portugal Portugal, que este Não Sentir napoleonicamente actual que induzem nos outros é uma das mais justificadas razões para o suicídio.

 

Acabei. Levante-se e saia.

 

I - aqui

IIaqui

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