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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe excêntrica

rabiscado pela Gaffe, em 30.08.16

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Uma das minhas amigas, uma das mais excêntricas, foi sempre dona de um humor que, não sendo britânico, contém uma dose de surrealismo que encara com a maior das seriedades.

É fácil vê-la com um colorido cata-vento a prender o cabelo que gira endoidecido com os movimentos da cabeça. Tornaram-se habituais as poderosas flores na lapela que incluem girassóis gigantes ou estrelícias que lhe ultrapassam os ombros para se espetarem no espaço. Não é de todo estranho vê-la acudir aos sofredores, de pantufas com um o lobo mau em peluche num dos pés e um capuchinho vermelho de feltro no outro e nada há a opor quando surge abrigada por um guarda-chuva multicolor coberto de lanteloujas que comprou na Índia.    

Admito que por vezes é embaraçoso. É precisa uma coragem de leão para se enfrentar uma plateia de velhos sábios negros ao lado de uma mulher com uma bata grafitada e um travessão de penas de arco-íris no cabelo.

 

Estas atitudes que facilmente se tornariam alvo de punhais e sugestões de internamento compulsivo por parte dos mais que sobram, são de tal forma assumidas com tamanha honestidade, séria postura e espessa sisudez que acabam por ser reconhecidas como fazendo parte do seu modo de ser competente. A eficácia e a competência adquirem ao longo do tempo o direito a se usar girassóis na lapela sem que os que ficam no andar de baixo ousem questionar a escolha do ornamento, pressupondo que a flor solar é apenas um reflexo de um patamar de inteligência que não atingirão jamais.

 

Esta minha querida amiga disse-me um dia a banalidade que não penso esquecer.

 

Os dias são feitos com cinzas. Enfeita-os com as cores do inesperado.

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