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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe marinheira

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.16

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Dentro dos nossos sonhos mais travessos, haverá sempre um homem do oceano pronto a zarpar, desfraldando velas em mastros turbulentos.

Em cada sonho nosso mais matreiro, a armada azul e branca tem guardado um nó perfeito a desatar por nós, nas noites de tumulto no mar da nossa carne em desatino.

Só dentro do sonho breve, o marinheiro que navega em nós, mesmo que o oceano seja um copo de água, tem sempre cordas fortes e capazes de ancorar as nossas fantasias.

 

Mas, opondo-se ao imaginário, nem sempre um porto erguido no real, traz no coração um nó de marinheiro desatado. Há portos que onde as cordas são fios frágeis de seda e nevoeiro. Os nós, a cegar, ficam sem pontas.

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A Gaffe questionável

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.16
Não é de esfacelar os nervos, mas é maçadora a pergunta que fazem quando apanham a Gaffe pela frente: 

- Então estás aqui? 
Há questões, mesmo as retóricas,  que mais valia não serem colocadas e embora esta pergunta tenha o seu quê de pessoano, faz uma pessoa parecer idiota se a fizer com cara de espanto e com um sorriso de madona florentina a acompanhar. 
O que havemos nós de responder, a não ser com um sim, a questões deste calibre? É que há milhionésimas delas! 


- Cortaste o cabelo?

- Já vais andando?

- Estás sentada aí?


São perguntas que só os portugueses sabem fazer com a maior seriedade e que só os portugueses esperam realmente ver respondidas. Não há francês nenhum que as formule e mesmo quando atacado por um qualquer vírus que lhe domina o cérebro obrigando-o a formular idiotices, não fica a aguardar a resposta. Não há inglês que não desande logo que as faz, mesmo que o inquirido tenha a resposta na ponta da língua e vontade de a fornecer. Não há alemão que espere ouvir o que há para discorrer acerca do assunto. Nenhum italiano tem pachorra para se sentar a ouvir o que se pode dissertar sobre estas questões filosóficas.


Não há! 


Os portugueses gostam de arranjar uns minutinhos para surpreender com estas perguntinhas todas primaveris e arranjam sempre um tempito para debater as respostas que esperam ansiosos.

A Gaffe fica sempre com a sensação de que não estão completas, que lhes falta qualquer coisa que acabou colada ao sorriso aparvalhado com que as fazem. 


- Então estás aqui, sua idiota que pensa que é finória e vem calcar bosta à terra com cara de enjoada
- Cortaste o cabelo, sua lingrinhas de treta que agora parece um frango com aquela coisa da gripe? 

- Estás sentada aí, em vez de mexeres o rabo e tratares dos bichos?


Mas talvez seja apenas impressão da Gaffe e os portugueses gostem apenas de passar por parvos disfarçados de Pessoa. 

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