Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do Zé Tó Saraiva

rabiscado pela Gaffe, em 20.09.16

Haderer.jpg

É uma tolice confiar sem reservas em rapazes esquálidos, com um monitor e um teclado enfiado nos dias que deixaram para trás - e em que cuidaram com zelo extremo do agora público, - que decidem revelar conspiração tenebrosas e sinistras transgressões do poder. A palidez que apresentam faz-nos suspeitar que há problemas intestinais ou que não controlam os esfíncteres - o que depois do que se fazem, é altamente justificado, dadas as represálias a que ficam sujeitos.

 

Depois é maçador, divulgadas as manobras escabrosas a que tiveram acesso, sentirmos na cara o conteúdo da Caixa de Pandora que sempre esteve escancarada à nossa frente enquanto assobiávamos para o lado, obrigando-nos a engolir como parca sobremesa as indignações pouco convincentes daqueles que sempre assistiram ao Big Brother na poltrona da conveniência e da cumplicidade silenciosamente proveitosa.   

  

Quer Julian Assange, quer Edward Snowden, são rapazes lívidos. Este facto, sozinho, já não é prometedor.

 

Assange, contrastando com o tom de pele dos que lhe deram asilo, vai acicatando a tonalidade da tez com o brilho da sua conta bancária. Não é a coqueluche do momento.  

 

Resta-nos Snowden.

Tenho de admitir que ficar comprovadamente a saber que Washington espiava a União Europeia, nomeadamente Berlim e Paris, com unhas e dentes, lunetas, binóculos, telescópios, periscópios e afins, não é suspeita recente, mas neste caso deixa pairar alguma perplexidade relativa ao facto.

Os Estados Unidos não são propriamente uns meninos patetas. Para quê o incómodo de coscuvilhar a tralha alheia, à boa maneira da Guerra Fria, quando existe e é por eles controlado o FMI que esbardalha todos os cantos da Europa?!

Depois, temos de admitir, um vilão com as características que querem entregar ao Tio Sam, tem necessariamente de usar um fato escuro, estar em contra-luz e a afagar um bicho peludo. Apenas Dame Merckel poderia preencher estes requisitos - pese embora a cor, que no seu caso acompanha os tempos empastelados e difusos que se vivem, - mas madame é Europa, logo não é a CIA, e Jean Claude não é peludo.

Provado este americano crime de espionagem, seria fácil o castigo vingador. Bastava que contratassem Snowden para instalar nos duches de Merkel e de Lagarde um sofisticado sistema de vigilância com ligação directa e imediata à casa onde os estereotipados agentes da CIA ciosamente conspurcam as intimidades do mundo. O hacker agradeceria os honorários e era certo o surto de gastroenterite no seio e nas cuecas dos nossos espiões cibernéticos.

 

Sou uma rapariga simples e campestre. Confesso que não tenho paciência - nem um QI retorcido e avantajado - para este tipo de espionagem de alta-roda ou de alta cilindrada. A única espionagem que consigo apreciar é a das minhas tontas, fúteis, frívolas e deslumbrantes amigas; é uma bisbilhotice caseirinha, quotidiana, raquítica e inofensiva; é a intriguinha idiota e inócua que guardo junto à lista da mercearia; é a deliciosa coscuvilhice das raparigas espertas que me informam que o meu atraentíssimo vizinho da frente não é gay, é solteiro e bom rapaz, que vive sozinho e anda nu – lindo de morrer! - dentro de casa.

 

Simples e campestre como sou, fico estarrecida quando me deparo com a intermédia. Aquela que faz do nada um detrito nauseante atirado à rua da amargura, exposto a um sol que faz inchar as larvas e que, transformado em lodaçal mesquinho e oportunista, torna execrável o espaço onde é cuspido e e do seu dono, a vasculhar o alheio com unhas retorcidas de suspeitas, uma saraivada de inutilidades devassas.

     

O que é de lamentar dentro desta fita previsível, é que Bond, James Bond, tenha terminado com Sean Connery.

 

Ilustração - G. Haderer

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe num madrigal

rabiscado pela Gaffe, em 20.09.16

1.61.jpg

Noblesse oblige.

A Conferência seria proferida pelo catedrático jubilado com pouso na Sorbonne - Paris IV.

 

Frei Miguel dos Santos e a conjura de D. Sebastião de Madrigal

 

O caso envolvia Ana de Áustria, pequena princesa bastarda, encerrada no convento de Madrigal e o público presente datava da mesma época.

 

Não é que me tenha causado incómodo ouvir um velhinho sábio e teatral despejar sapiência por todos os cantos da sala. Cheguei mesmo a ficar deslumbrado com o facto do senhor ser capaz de referir, sem qualquer hesitação, toda a genealogia da moça ingénua e enganada. O que me aborreceu foi a colecção de velhas que me lambuzaram a cara, com beijos sôfregos e suspeitos e não existir nenhuma saída de emergência.

Quanto ao pretenso D. Sebastião, chegou-se à triste conclusão que o farsante era pasteleiro e, como tal, foi enforcado.

 

O que realmente me espanta e incomoda, isso sim, é saber da quantidade de pasteleiros que há agora, tratados todos por El-Rei que se encontrou.

 

Imagem - Rachel & Benoit

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gavetas:





  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
JIFR-J5MR-Y1XR-YACD