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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe por vacinar

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.16

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Voltei a vê-la.

Outra vez grávida, que tudo é natural e nada de látex a conspurcar a ara onde se oferece a nudez primária a paganismos múltiplos.

Se veio vacinar o rapazinho?

NÃO! Que não submete os filhos a essas manobras e manipulações.

 

 Estas miudezas são capazes de me esfacelar o dia e inflamar os nervos.

 

No Reino Unido, muito recentemente, o abrandamento da vacinação infantil contra a tosse convulsa provocou no ano que se seguiu um surto perigoso da doença; em França ter sido considerada desnecessária a insistência com que se vacinavam crianças contra o sarampo, fez eclodir a moléstia, muitíssimo pouco tempo depois, elevando escandalosamente a taxa de mortalidade infantil. Ambos os países reconheceram que o retorno ao plano de vacinação desprezado se tornava essencial.

 

Não vacinar uma criança em nome da folhagem e dos golfinhos, invocando a pureza natural das coisas, esbardalhando opções de vida santificadas pelo Sol e pela Mãe Poderosa de todo o planeta, é, para além de perigoso, uma tremenda insensatez reveladora de imbecilidade galopante.

 

A criança de cabeleira farta, negra madeixa ao vento, loira nuance ao lado, que escapa à invasão de piolhos que parecem pokémons perseguidos pelos pais, não é por ser imune ou por ter no couro cabeludo a Mantra certa. É apenas porque o resto da turma já rapou a cabeça.   

 

O filho não vacinado desta ecologista de pacotilha, fundamentalista do pateta, não sofre as consequências do acto irresponsável dos progenitores apenas porque vive rodeado de crianças vacinadas que, em consequência, apresentam um baixíssimo risco de contaminação digna de registo. Caso contrário, este petiz virginal, ao lado de parceiros igualmente puros, apresentaria grandes probabilidades de se tornar o paciente-zero de uma epidemia e responsável, em última análise, por um colapso na saúde pública.

 

Não existe qualquer problema em se usar trapos artesanais cosidos à mão e rematados com os dentes, desde que o cérebro não fique despido. Não existe qualquer nota contra em se escolher viver num circo de folhas, redes de lianas, madeiras e trapézios de infusões azedas a saber a Mãe Terra, desde que nas acrobacias e malabarismos não sejam usadas as vidas dos outros.

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A Gaffe com um Caso Sério

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.16

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Devo dizer, antes de tudo, que tal como as senhoras de meia-idade vão decorando caixinhas em pauzinho com decalques de ursinhos e florinhas que oferecem no Natal, eu, pobre de mim, vou brincando com o Photoshop até entrar em pânico quando percebo que das três horas que tinha reservado para preparar o dia seguinte, já esgotei duas delas - abençoadas, - em tontices que me vão distraindo e relaxando.

É portanto com um prazer enorme que acabo com imagens que procuram insipidamente representar mulheres que leio com afinco. São uma forma de me aproximar do modo como agarram a vida e a torcem até que obedeça, do modo como enfrentam os dias que vão manuseando com garra e da coragem com que assumem a fragilidade que trazem tantas vezes como uma arma na cinta das horas que desesperam.

 

O Pequeno Caso Sério pertence a este grupo.

 

Procurei, como não podia deixar de ser, criar um imagem com cores vibrantes, mas atenuadas por um certo efeito oxidado que nos remete para um imaginário vintage de rótulo do quotidiano ou cartaz, tantas vezes com glamour, que tantas vezes olhamos com ternura. Um pitada de garotice, uma gota de humor, uma réstia de insinuação marota, uma breve alusão àquilo que se usa muitas vezes e que por isso mesmo acaba despercebido.

O Pequeno Caso Sério é exactamente isso. A recolha de pedaços curtos da vida que passa, pequenos trechos do banal, daquilo que vivemos sem atribuir grande importância, recuperados e tratado com humor, chamados à pedra, vistos como Casos Sérios. O maravilhoso post da visita à IKEA é disso exemplo.

Podemos em cada momento encontrar uma linha de recorte. Um picotado. Uma forma de o destacar, de o recortar e colar na nossa vida. Acaba, cada um dos escritos do Pequeno Caso Sério, por ser uma ilustração do que somos - e do quão ridículo conseguimos ser, - e exactamente por isso, basta que recortemos pelo picotado os nossos retratos e os coloquemos em local bem visível.

 

Espero, minha amiga, que nunca deixes de falar de nós.

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