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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe pluvial

rabiscado pela Gaffe, em 17.10.16

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Outra vez a chuva. Sílaba a sílaba, pálpebra a pálpebra. Chove e durmo no minúsculo coração das gotas de asa.

Sílaba a sílaba, pálpebra a pálpebra, chove na terra sem cavalos e sem juncos.
Chove e durmo no minúsculo coração das uvas.
Nos meus lábios há o voo raso do pássaro das águas. Nos meus dedos a nuvem que começa presa no coração das gotas de asa.

A luz de linho antigo desfaz o nó das sombras sob as árvores e no coração estrídulo de um pássaro.  
Chove e adormeço.

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Gavetas:

A Gaffe "cuética"

rabiscado pela Gaffe, em 17.10.16

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O que esta rapariga disse aqui é exactamente aquilo a que não se altera uma vírgula.

 

Recordemos:

 

Ninguém escreve bem sobre sexo e é horripilante quando o tentam fazer, descrevendo minuciosamente cada posição, cada gemido, cada movimento, cada alçar de perna, cada mamilo, cada coisa que arrepia, cada poema escrito com a pila, cada melodia erguida com as mamocas, cada sinfonia a quatro mãos, a quatro pés e ao que depois vier, ou o foguetório do orgasmo. O caso agudiza-se quando recorrem ao vernáculo e a expressões mais duras e cruas, convencidos que dali lhes virá força.

 

Mais se disse, mas o que importa agora é verificar que o dito carece de exemplo. Falha que agora se colmata.

A Gaffe, saltitando de blog em blog, esbardalhou-se contra aquilo a que se pode chamar uma cuesia de uma senhora que dedicava uma ode à pila do suposto companheiro de alcova - a Gaffe quer acreditar que aquilo não é um cântico ao Soldado Desconhecido.

Distanciada anos-luz de Maria Teresa Horta, a cuetisa vai descrevendo a textura, o formato, a espessura, a rigidez, o tamanho, as manipulações, as manobras e - pasme-se - o cheiro da piloca que idolatra, em rimas de primária escolha e de fácil encontro.

Ficamos com um vislumbre da pila do senhor, um esquiço trôpego, mas elucidativo, desta particular peça anatómica do com certeza envergonhado cavalheiro.

Um nojo, sobretudo quando o olfacto da senhora a leva divagar sobre as delícias proporcionadas pelo vibrar dos pêlos das cavidades nasais.

Uma imagem repelente de uma mulher obcecada por uma pila que segundo a descrição não é lavada há meses.

 

Estes escritos de índole sexual, esta cuesia pretensamente erótica, nada mais faz do que erguer, hirta e firme como uma barra de ferro, a prova do que a Gaffe afirma. Ninguém escreve bem sobre sexo. Se não se é Maria Teresa Horta ou David Mourão-Ferreira, se não passamos de criaturinhas sexualmente excitadas em súplicas de falo, devemos a todo o custo evitar a cuesia que nos transforma em patéticas obreiras de pornochanchadas convencidas que são o Bob Dylan.    

 

A Gaffe, nestes casos, prefere ler a Maria.  

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