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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e os slogans

rabiscado pela Gaffe, em 19.10.16

É um perigo quando nos deixamos usar por t-shirts com slogans indiscretos ou inconvenientes.

 

Na rua, a senhora da padaria, de busto e buço abastadíssimos, usa inevitavelmente justa uma imaculada peça onde a letras garrafais se consegue ler, esticado, I’m sexy. No autocarro, o provecto senhor de bigode grisalho e do tamanho e formato de um amendoim, senta-se orgulhoso da inscrição que traz no peito I’m sensual and you know it e a mulheraça das couves, de ancas a abanar estantes, exibe um autêntico out-door declarando, alto e bom som, I’m horny.

 

Não se trata de iliteracia ou apenas de desconhecimento total de uma língua. Trata-se de falta de amigos. Não existe em casa um neto, um sobrinho-neto no nono ano de escolaridade que consiga traduzir a confissão estampada nas t-shirts dos antepassados?!

 

Vivemos num mundo repleto de tradutores pouco solidários.

 

A escolha de um slogan numa t-shirt constitui um perigoso jogo de ambiguidades onde o humor nem sempre funciona, ou se o faz é apenas na primeira leitura.

Nestas minúsculas selecções é fácil o deslize. O seguro é sempre a peça limpa de grafias ou, em contrapartida, a que de tão criativa e inteligente nos faz acreditar que gostaríamos de a ter inventado.

 

Jamais se esqueçam: uma t-shirt que se nos dirige com qualquer frase menos convincente, mais vulgar ou com pretensões pelintras de nos fazer sorrir, é meio caminho andado para vos transformar no amarelo pálido, constrangido, do sorriso com que a acatamos ou na gargalhada arroxeada que nos fazeis sufocar no peito.       

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