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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe bisbilhotando

rabiscado pela Gaffe, em 29.10.16

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Não podemos nem devemos subalternizar a importância da bisbilhotice sob pena de ficarmos com grande parte da informação, com peso desmedido nas nossas agendas interiores, desequilibrada e muito pouco coesa.
 
Não falo das revistas cor-de-rosa. É absolutamente inútil saber se a rainha de Espanha supera em elegância o manequim francês ou que a Rainha da Jordânia vai incumbindo o seu staff de actualizar o twitter. É uma maçada e uma inutilidade que para além de nos fazer perder tempo, nos irrita por não sermos nenhuma delas, embora, como é mais do que evidente, merecêssemos a coroa de qualquer uma das três ou os três de qualquer uma das coroas.

O essencial é a bisbilhotice caseira. Aquela que é produzida através de um telefone fixo, já que o telemóvel permite uma mobilidade pouco condizente com a produção de material que exige uma concentração que não se compadece com dispersões e interrupções esporádicas de criaturas que descobrem que é possível colocar uma chamada em espera.

A bisbilhotice deve ser fixa, contínua, exige uma imobilidade prostrada num sofá e deve versar todos os pormenores mais sórdidos da vida dos parceiros, amigos ou vizinhos. É essencial o conhecimento prévio, embora superficial, do que se fala e reconhecer, mesmo vagamente, os protagonistas das acções que nos são contadas. É necessário termos as coordenadas certas para que nos saia da boca o tão apetecido AH! tu não me digas! que se aproxima de um orgasmo e nós dá a sensação de poder que mesmo por coroar nos fornece o trono.

O mundo gira em torno das mais corriqueiras das bisbilhotices e são elas que mesmo fazendo a montanha parir apenas um rato, levam todo o terreno a Maomé.
 
Ilustração - George Petty, 1945
 

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