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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe furada

rabiscado pela Gaffe, em 10.11.16

É bom saber que já o Levítico (19:28) proibia a tatuagem e a perfuração dos corpos, mas é também curioso verificar, por exemplo, que em 2000 A.C. os sacerdotes núbios apareciam preenchidos por escarificações, ou que os acólitos do culto de Cibele, na Roma Antiga, se tatuavam lindamente e que mesmo hoje os Mokos, Maoris, não se esquecem de rasurar na perfeição e furar com eficácia as suas carrancas e afins, domínios ligeiramente assustadores.

 

O Levítico, como se constata, não foi levado muito a sério.

 

Alterar o corpo, perfurando-o ou tatuando-o, não é caso para fazer tombar as armas e os brasões que desta forma se assinalam.

 

Lembro-me que senti uma paixão arrasadora, nova e noviça numa Faculdade que pesava de tão conservadora, por um rapaz que me conquistou a vida e mais alguns trocados de somenos importância, porque o vi, como um deus a passear pela brisa da tarde, de argola gigantesca presa na orelha. Brilhava o aro de ouro e brilhavam os meus olhos de menina e moça, levada tão cedo de casa de meus pais.

 

O fascinante objecto deixou de exercer o seu poder de enfeitiçar, quando vi o portador aos lúbricos beijos com o meu primo - afastado, demos Graças, - que não usava brinco e era míope. Continuei a adorar o priminho, mas deixei pelo caminho a dor que mal se sente.

 

Portanto, meus queridos, saibam que não somos, de forma nenhuma, contra piercings e afins - os aros nas orelhas deste deslumbre devem ter nome específico, - mas neste preciso caso sugerimos moderação.

 

Uma rapariga, ao contrário do que parece ser dito corrente, não aprecia grandemente um homem demasiado tatuado. Perde-se sempre a decifrar o olho do dragão ou a analisar a cauda do tigre. Torna-se confuso, e até embaraçoso, vermo-nos abraçadas e beijadas por uma multidão de desenhos, muitos deles a olhar, ameaçadores e fixos, para nós. Depois, meus caros, já não vão para novos. É confrangedor ver uma sereia encarquilhada.

 

Aplica-se a mesma recomendação em relação aos piercings. Se não forem, ainda que vagamente parecidos - não peço milagres - com o rapazinho perfurado que vos mostro, evitem as argolinhas nos lábios que nos sugerem, maldosamente, que podemos ficar com o bâton preso - desagradável se o estivermos a usar, - ou que estamos na presença de um fã de uma série de vampiros de qualidade logicamente suspeita.

 

No meu caso, perdoo o uso das argolas. Fiquei sempre a pensar, depois da visão catastrófica do meu primeiro amor pendurado na boca do meu primo, se não seria má ideia prender-lhe, ao aro, as correntes de ferro de Alcatraz.

Só para o consolar.

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A Gaffe na recepção

rabiscado pela Gaffe, em 10.11.16

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A fórmula usada pela minha avó para descartar demorados visitantes, que como por encanto não se apercebiam do aborrecimento descomunal que provocavam, era infalível.

Depois de pousar no tabuleiro a chávena do chá que beberricava num silêncio por decifrar, a minha melodiosa avó erguia-se, voltava-se para os entediados companheiros de infortúnio e num sorriso de alerta, repreendia:

- Meus queridos, vamo-nos deitar que as visitas querem-se ir embora.

 

O actual staff da Casa Branca, para receber o novo presidente a convite de Obama, devia aprender com as grandes Senhoras, preparar um chá a Donald Trump, sorrir e fazer os possíveis por se deitar cedo.

 

Na foto - Staff da Casa Branca recebe Trump a convite de Obama 

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