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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe em 2017

rabiscado pela Gaffe, em 31.12.16

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Aproxima-se 2017. Aproxima-se o futuro!

Deixemo-nos voar!

O início é sempre uma promessa, um sonho para cumprir, asas de esperança, matinal planície a soerguer-se e colibri que toca o despontar da flor.

 

Temos só de cuidar não nos esbardalharmos depois pelos meses fora.

 

Feliz 2017

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Gavetas:

A Gaffe nos mercados

rabiscado pela Gaffe, em 30.12.16
 

Nos mercados - mesmo naqueles que não são financeiros e onde é fácil retornarmos -, há que estar com imensa atenção aos legumes expostos e às frutas que se oferecem luzidias ao nosso desejo de provar, de mordiscar ou beliscar cada cor e sabor.

 

Há sempre o risco de conterem bicha.  

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A Gaffe e os sete instrumentos

rabiscado pela Gaffe, em 29.12.16

A Gaffe recusa-se a iniciar 2017 sem prestar homenagem ao homem que partilhou com ela o último trimestre de um ano já passado há muito tempo.


Nós, raparigas inconscientes, ignoramos demasiadas vezes a importância de ter por perto um exemplar dos chamados homens de sete instrumentos. São no entanto estes miraculosos espécimes que nos deixam livre, indiferentes aos destinos que lhe damos, o compartimento onde se acumula o nosso arsenal de produtos de beleza.
No manancial dos nossos cremes diurnos e cremes nocturnos; máscaras de variadas dimensões, consistências, formatos, objectivos e aromas, rejuvenescedores de massa capilar e das outras massas que, cedo ou tarde, ameaçarão ceder à gravidade; retardadores de pés-de-galinha e de outras tantas pegadas de bichos mais pesados; unguentos vários que reafirmam a firmeza - que juram duradoira -, do que por enquanto ainda não relaxa e de demasiado mais que agora nos escapa, encontramos, os mínimo, ínfimos, tímidos, quase humilhantes, culpabilizantes, sete instrumentos desta espécie de delicioso troglodita:


1 - A lâmina de barbear;
2 - A espuma de barbear;
3 - A loção para depois da barba,
4 - A pasta dentífrica - invariavelmente sem tampa;
5 - A escova dos dentes;
6 - O sabonete;
7 - O desodorizante.


Sete. Tão mágico! Tão simbólico! Tão cabalístico ou maçónico!


Não são retrossexuais, porque preferem ler o blog do Cláudio Ramos a imaginar um pingo, doce que seja, de cera depilatória a tocar-lhes as axilas e a aflorar-lhes as virilhas - e porque acreditam que a palavra tem um prefixo que lhe dá um sentido dúbio.


Pensam que Kant é apenas uma regra de futebol na boca de Ronaldo - Nã é fôre de jôgue, é Kant! – e ignoram que, por muito que nos seja agradável durante uma ou duas semanas, buzinar-lhes os músculos logo após a chegada do ginásio - cedendo às suas súplicas exibicionistas -, os torna, a eles, previsíveis e a nós muito mais exigentes durante as mais íntimas investidas daquilo que já nos fartamos de apalpar.


São, no entanto, estes homens de sete instrumentos que nos fazem acreditar que somos esplendorosas, brilhantes, educadíssimas, bon chic, bon genre, repletas de glamour, cultas, inteligentes, a roçar o genial, e nos transformam na heroína da canção do Marco Paulo – Uma lady na mesa, uma louca na cama - e louca é a mais decente das palavras que descreve aquilo que nos fazem sentir no amarfanhado dos lençóis.

 

A Gaffe crê, mas não afirma, que o sangue, irrigando de forma exígua o cérebro, se vai concentra em zonas menos dadas ao raciocínio e muito mais vocacionadas para a acção.


Durante um último trimestre de um ano que já passou há séculos, a Gaffe partilhou parte dos seus dias, e as noites completas, com um destes exemplares, lindo de morrer de todas as formas de pequenas mortes. Adorou cada instante e surpreendeu-se - embora estranhasse a ausência daquele ruído bom do virar das páginas de um livro -, com as melodias tranquilas e relaxantes geradas, por vezes, pela privação do pensamento.


O seu primeiro acto de 2017 será este render de homenagem a um homem de sete instrumentos que repartiu consigo o tempo que gastou a montar um puzzle, celebrando ao mesmo tempo a euforia, o êxtase e a exaltação que o dominou por ter conseguido unir correctamente as peças em três meses - quando na tampa da caixa dizia de 3 a 5 anos!


(Um beijo, meu muito, muito querido Rodrigo!)

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A Gaffe sem brilhos

rabiscado pela Gaffe, em 28.12.16

 

Segundo os especialistas em neuromarketing - eu sei, há profissões sinistras -, com a concordância de neurocientistas de renome e muito sumariamente dito pela Gaffe, os diamantes são realmente os melhores amigos das mulheres.


Não é necessária a parangona publicitária dos primeiros, nem a comprovação científica dos segundos. Uma rapariga que prefere um deslumbrante ramos de flores a uma gargantilha de brilhos preciosos, ou não é, de todo, esperta, ou está definitiva e irremediavelmente apaixonada - o que em muitos casos é redundância.


O brilho desperta regiões cerebrais que impulsionam o consumo.


Subornamos, traímos, mordemos, sacrificamos e lancetamos o coração de quem quer que se aproxime dos brilhos afiados e ofuscantes que vemos, quase cegas, a cegar-nos.
Compramos mais, se encandeadas.


Creio que o mesmo acontece com os masculinos carros a que a testosterona junta uma parafernália de luzes.

 

Por isso, seguida devidamente pelo neuromarketing e pela neurociência - sou um rapariga de boas companhias -, declaro oficialmente de uma pobreza incomensurável e sério contributo para o agravamento da crise, as ruas do Natal 2016, paupérrimas de brilhos de milhares de luzinhas pirosas e pindéricas a tremeluzir, a cintilar e a luciluzir, em cima da nossa apagada esperança já sem fio nem tomada.   

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A Gaffe com Fawas

rabiscado pela Gaffe, em 28.12.16

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Dando razão aos seus anónimos que a consideram uma criatura fria, distante, vil, má, cruel, cínica e sempre pronta a esmagar os pobrezinhos, a Gaffe vai parecer uma cabra insensível, mas considera que um bocadinho de pragmatismo não vai acrescentar muitos mais adjectivos ao rol de vitupérios com que é brindada de quando em vez.

 

Admite que o talentoso George Michael nunca a fez choramingar. Nunca o rapagão foi banda sonora dos seus desgostos e tristezas, das suas melancólicas prostrações amorosas, nem a fez pinchar nos momentos mais histéricos salpicados pelo brilho dos espelhos, embora tenha de confessar que, já maduro e com uma imagem de carismático navio couraçado, tenha tido sobre esta rapariga tonta um apelo que não dista muito do sexual.

 

A Gaffe gosta dos duetos com Aretha Franklin e com Elton John, da vibrante e emotiva homenagem a Freddy Mercury e de alguns trechos de Faith e de muitos de Listen Without Prejudice, mas nada que não a deixe dormir em silêncio.

 

Tal como o Senhor Marquês, a Gaffe – também de muito boas famílias -, adopta a célebre parangona enterrar os mortos e tratar dos vivos.

 

É sobre um vivo muito específico que a Gaffe gostaria muito de se debruçar.

Fadi Fawas.

 Indiscutivelmente, e mesmo ao longe, o melhor dueto de George Michaeal.

 

Não adianta, raparigas, desatarem a carpir o escândalo que é esta referência indecente a um viúvo tão recente, porque todas, mas TODAS, perante um portento destes, no aconchego dos lacinhos da lingerie mais ténue, muito reservada, muito escondidinha nos escombros do desgosto, pensaram que este belíssimo animal é capaz de provocar paragens de toda a espécie - incluindo as de autocarros -, acelerar desastres e provocar todas as pequenas mortes que quiser, que nos deixamos.

 

Para grande tristeza nossa - seria caso para dizer, se fossemos grosseiras, que temos Fawas sem chouriço -, este vivo prova-nos apenas que George Michael foi, para além de tudo o que de bom dele dizem - e provavelmente com razão -, um brutamontes com um cabelo muitíssimo bem tratado.           

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A Gaffe e uma notícia alarmante

rabiscado pela Gaffe, em 27.12.16

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Depois de se ter certificado que a notícia não tinha sido emanada do bispado de Braga ou do de Viseu, a Gaffe começa a conjecturar. 

 

Um sapientíssimo estudo da Escola de Saúde Johns Hopkins, em Baltimore, revela que a prática de sexo oral aumenta em 250% o risco de se sofrer de cancro na garganta. 

 

A Gaffe não consegue deixar de imaginar a esmagadora maioria de mulheres que conhece disparada e tresloucada a tentar cuspir, bochechar, gargarejar, banhar com os mais diversos elixires as assustadas amígdalas e a contar, paralisada de medo, os minutos que há para viver, depois desta avassaladora conclusão de mais um estudo - que se reporta às mulheres -, maravilhosamente parvo. 

 

As pouquíssimas restantes, as de garganta virginalmente segura e livre de perigo, deverão retirar todos os piercings da língua e tentar uma habituação faseada ao sabor do látex que, por muito imbuído de aromas a frutos, deixará sempre na boca um inconfundível rasto de borracha.

 

Meus amores, estudos destes levam-nos a concluir que se pela boca tiver de morrer o peixe, que pelo menos o anzol o seduza com minhocas em boas condições.

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A Gaffe em Aleppo

rabiscado pela Gaffe, em 27.12.16

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As palavras crescem raquíticas nos muros da surdez e todos os gestos que começam tarde matam açucenas.

No entanto tudo está certo. Recto como um fio no abismo.
Ninguém exige o rosto dos culpados. Ninguém pergunta pela gravidez das árvores.
Mas tudo está certo e na rua brincam assassinos.
Resta a morte para alimentar os vermes.

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A Gaffe com duas avós

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.16

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Tinha olhos que lembravam um País arrancado ao mar e a fragilidade insuspeita da tulipa. Tinha esguios dedos sem anéis e um colar de pérolas eterno que enrolava nos dedos. Tinha a benevolente paciência dos ouvintes ternos e a doçura das palavras certas ditas baixinho para não doer. Tinha cabelos de seda apanhados na nuca por travessões de tartaruga e usava calças cigarette, blusas de gola alta que a alongavam e a transformavam em cisne ou em espiga de trigo. Tinha a voz dos meigos, aquela voz que é bom ouvir quando troveja, e um sorriso de lua a crescer numa noite de Verão. 

A minha avó materna.

 

Tinha olhos avelã e espertos, ladinos, marotos. Usava Chanel à toa, misturando tudo por não ter paciência para combinar. Usava adereços gigantes e tinha um anel com um rubi espalhafatoso como o planeta Marte. Tinha o cabelo branco, com ondas e quebras, sempre em desalinho e blusas com folhos para não contrastar. Era bem mais pequena, mas era mais arisca. Tinha perdido a paciência pelo mundo fora e cortava as conversas sem dó nem piedade, fazendo ficar discursos a meio. Enganava-se em tudo, disfarçava depois espetando farpas em palavras soltas que surgiam incautas na boca dos outros. Tinha um sorriso aberto de lua a pairar nas noites de Verão.

A minha avó paterna.

 

As duas amigas. Cúmplices perfeitas. Chegavam, braços dados, à Ceia de Natal da família toda.

Devagar, as duas disfarçando o tédio, sentavam-me no meio dos perfumes díspares que teimavam usar.

 

- Viemos ter consigo. Aqui a menina é a única coisinha a funcionar.

 

As minhas Avós.

 

Neste Natal, não estiveram comigo. Não me sentaram nos aromas que espalhavam, e no entanto nunca esta casa teve um Natal tão perfumado pela maravilha da memória delas. 

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A Gaffe acordada

rabiscado pela Gaffe, em 24.12.16

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No Japão velhíssimo diziam que quando não conseguíamos adormecer à noite, era apenas porque estávamos acordados num sonho de alguém.

 

Que hoje o Pai Natal não vos deixe adormecer. 

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A Gaffe pela sombra

rabiscado pela Gaffe, em 23.12.16

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 É difícil encontrar uma imagem que se adapte a um homem blindado.

 

Pela Sombra é apenas uma brecha por onde nos é possível vislumbrar pedaços de paisagens interiores densas e obscuras, que se fecham, que se protegem, que se defendem e que procuram rasgar a vida com as mãos de ferro que há na alma, depois de as mergulhar na lama encharcadas de névoa.

 

Esta é a imagem que deste homem tenho.

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A Gaffe angélica

rabiscado pela Gaffe, em 23.12.16

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No pátio principal da casa existe um lago onde as manhãs de Inverno deixam películas de gelo enganadoras.

No centro desse lago existe um anjo de pedra.

Um dos joelhos mergulha na água enquanto o outro apoia o braço que leva a mão ao lugar onde devia haver um coração. Curvado, a asa esquerda está quase submersa enquanto a outra fechada o envolve em penas de pedra. A mão sem coração toca estendida a pele da água onde as carpas em dias de nevoeiro parecem faíscas vermelhas ou serpentes anfíbias como os deuses.

 

As árvores desgrenhadas desfazem, como em pecado, a ordem do jardim, a meticulosa descrição da dor da seiva, a geometria vegetal, reflectidas no espelho onde o anjo as inverte tocando-lhes as copas.

Cúmplice de todos os murmúrios. Senhor do petrificar da nódoa no silêncio que é encharcado com o perfume imenso da asfixia.

 

Enreda-se o frio nas asas do anjo e no corpo da água.


Sempre senti que a mão que lhe toca o peito encontra um ninho abandonado pelo coração que aprendeu o voo. Talvez ainda sinta o calor do corpo e do dormir do que perdeu, mas tem de procurar o bater de asas nas faíscas vermelhas das carpas que deslizam.  

 

O divino delapida. Anjos e humanos são vítimas dos deuses.

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A Gaffe nas comprinhas de Natal

rabiscado pela Gaffe, em 22.12.16

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Rapazes! Não são, de todo, recomendáveis as vossas críticas mordazes e humilhantes às escolhas femininas, por mais ridículas que estas sejam.

 

É que há sempre a hipótese de serdes uma delas.       

 

Ilustração - Fernando Vicente

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A Gaffe vitrinista

rabiscado pela Gaffe, em 21.12.16

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O meu casaco é azul-escuro, um marinheiro genuíno, de trespasse, com botões dourados envelhecidos com âncoras gravadas. Visto-o e empurro os rebuços de modo a que me protejam a nuca das navalhas do frio e desço para vaguear pela Avenida deserta. Do lado do mar, que do outro as montras titilam e tilintam com luzinhas frouxas de Natal e neve em spray a desenhar felicitações aos passageiros.

  
Do lado do mar faz frio. Gela-nos o nariz. Faz-nos parecer eternos constipados.  
Uma mulher de cabelo solto e grisalho apanha pedras na praia e guarda-as num saco. Pedras ou conchas, que daqui não vejo.  
Um homem novo corre pelo trilho das bicicletas de calções de Lycra pretos e t-shirt molhada, medindo o tempo no cronómetro.


A praça em frente ao Porto Doce é pequena, quase nua e circular, cinzenta e bege, com bancos pintados de vermelho. Gosto da Praça, mas não gosto do café que fica em frente com aquele nome adocicado. Gosto de ficar ali, parada e sem pensar em nada, a ver os trolhas velhos que descarregam vidros e os seguram com as palmas das mãos abertas e gritos de aviso. Gosto da rapariga que passa por mim e me sorri, aconchegando os rebuços do casaco que não é marinheiro genuíno, mas que vem do mar e é azul também. Tem dois livros na mão e luvas de malha cor-de-rosa. Gosto dos cães que o senhor de bombazina traz pela trela e que urinam nos pneus dos carros depois de os seleccionar criteriosamente. Gosto do meu casaco com rebuços que me recolhem os olhos.  

 

No ano anterior, no oculista caro, o cenário era atroz. Na montra tinham recriado um sem-abrigo usando um boneco deteriorado, com uma barba miserável, pintada a marcador e um gorro na cabeça. Deitado num banco, coberto com uma manta escura com riscas vermelhas, a olhar, morto, para nada, com cascatas de luzinhas e estrelas em redor. No chão os espampanantes Just Cavalli e mais neve em spray.

 

 No ano anterior, na época alta da solidariedade, a olhar esta montra, reconheci a existência de criaturas que amesquinham a própria infelicidade e o desmesurado rancor despeitado com que atacam o sorriso dos outros. Como pietás de pechisbeque, agarram com metáforas e elegias piedosas os sem-abrigo, os míseros, os abandonados à demência, os velhos em farrapos, os mendigos, os exilados, os párias e todos os que encontram nas esquinas mais sombrias da tragédia e como viúvas beatas de Ebenezer Scrooge transformam-nos em macacos, em bonecos atrozes, expostos nas montras das vidas de quem passa, como esconsa vingança infectada por um doentio ciúme das luzes nos olhos dos outros, como se a miséria que macaqueiam desta forma tivesse uma época alta onde a obrigatoriedade de tomarmos consciência da morte e da desumanidade fosse sazonal e, como na época dos saldos, fosse imperiosa a correria desenfreada, de terço ao pescoço e cilício na alma, às catacumbas da infelicidade empática. Só porque é Natal.

 

 Fazem da miséria humana um macaco de montra de oculista.


Visto o meu casaco, um marinheiro genuíno, azul-escuro, de trespasse, com botões dourado envelhecido e volto à minha Praça, nua e quase circular.  
Já não existe a mulher de cabelo solto e grisalho. Já apanhou todas as pedras. Pedras ou conchas, que daqui não vejo bem.

Sinto um orgulho desavergonhado em ser feliz.  

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A Gaffe e um monge

rabiscado pela Gaffe, em 20.12.16

 

Esta é uma das imagens que durante esta quadra se torna das mais triviais por estas bandas.

 

Normalmente inicia a época de posts natalícios e faz subentender que debaixo de um rude, quase ameaçador e duro rapagão, pânico de beatas e de monjas, se oculta toda a doçura, que permanece intacta, de um imaginário infantil nunca apagado.

 

Agrada-me pensar que este é também o retrato de um abandono protegido e temporário do chamado espírito do Natal, o fim de festa de uma fantasia sazonal e que constitui uma certa recusa insinuada do irritante O hábito faz o monge.

 

Por muitos hábitos que se tenha ou que se use, há sempre resguardado, no fundo de cada um de nós, aquele que foi nosso, para o bem ou para o mal, durante o tempo em que a maioria das nossas histórias começava por era uma vez e tinha sempre um final feliz.

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A Gaffe com Néstum e mel

rabiscado pela Gaffe, em 20.12.16

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Inês - Os passarinhos foram feitas pelo Pai Natal para mostrar como seriam as flores se voassem.

Branca - Mas se as flores voassem ia ser uma confusão para as borboletas!

 

Inês e Branca (6 e 5 anos, respectivamente)

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