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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe militar (ou nem por isso)

rabiscado pela Gaffe, em 14.12.16

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Desconfiemos sempre, raparigas, do homem que nos desaperta o soutien logo na primeira tentativa e do que constrói impérios e usa um galináceo como símbolo.

Estão ambos habituados a explorar a inocência. O primeiro, iludindo-a com juras já batidas e o outro omitindo o facto de saber que só o arroz pode ser de cabidela.

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A Gaffe de farda

rabiscado pela Gaffe, em 14.12.16

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Temos de assumir, raparigas. Nós babamo-nos.

 

Babamo-nos quando vislumbramos desprevenidas uma farda ou uniforme capaz de nos fazer crer que o rabinho do dono saiu de um expositor do MET; quando adivinhamos dois peitorais de aço a rebentar a camisa; quando deparamos com duas colunas musculadas enfiadas em botas de couro polido; quando sofremos por não poder fazer deslizar os dedos pelo cabelo rente de quem nos faz parar o carro ou de quem nos mostra a arma inacessível e quando imaginamos cenários de guerra e de guerrilha, internas e aconchegadas, protagonizados por um destes rabinhos fardados, que fazem ruborizar Belzebu, já que os outros e celestiais arcanjos tremem de pavor perante estas quedas iminentes.  

Babamo-nos e só não esbugalhamos os olhos porque, em tempo de crise e não sendo o rímel YSL, receamos que as pestanas se nos colem à testa.

 

Dizem as más-línguas que o apelo erótico que nos abrasa quando vislumbramos um uniforme bem vestido, equivale ao que a visão de Irina Shaik em lingerie provoca no masculino olhar.

Não subscrevo.

Uma farda bem vestida inflaciona a reserva erótica do portador e, no caso dos soutiens, é geralmente o seu conteúdo que favorece o rendilhado.

 

O facto de salivarmos perante estas visões enfarpeladas, não pode implicar descuidos no terreno.

O episódio estrelado pela Gaffe ilustra cabalmente o que foi dito.

Perante o deslumbrante polícia de trânsito, a Gaffe decide sair do carro para solicitar a informação, pormenorizada em papel couché, que traz na carteira ao lado do bâton - há estratégias de abordagem que se tornaram clássicas.

Vai babada e não segura.

O fabuloso animal fardado de quem se aproxima sorve-lhe toda a atenção e povoa-lhe os mais esconsos pensamentos, toldando-lhe o raciocínio com imagens pouco dignas de uma menina de boas famílias. A Gaffe usa todas as artimanhas que possui - e possui várias -, retiradas do arquivo Seduzir Fardamentos, lamentando, mais uma vez a porcaria da chuva que a impede de ter uma brutal cabeleira estonteante, repleta de caracóis possíveis de espargir pelo espaço e capazes de enredar a resistência.

Vai de sorriso armado e ondulante, pestana a saltitar e pezinho leve.

 

Tropeça.

 

Tropeça miseravelmente.

Esbraceja estropiada de tacão partido, esvoaça deformada, estrebucha já estragada e esbardalha-se toda aos pés da cobiçada figura bem fardada. Nem sequer fica de joelhos, posição mais aceitável e compreensível, dado o contexto de uniforme. Estatela-se com as pestanas cravadas na biqueira da bota do portento, absolutamente humilhada por não ter sido premeditado o tombo - com destino aos braços do rapaz -, mas apenas produto do encontro deplorável com a porcaria de uma pedra solta no meio caminho.

 

É evidente que depois de uma catástrofe destas, uma rapariga deseja somente e com a ardência dos joelhos esfolados, a cela de um convento.

 

Há, como fica demonstrado, a urgência de aliar a baba a uma atenção acrescida às agruras de um pedaço de mau caminho.

 

Nota - O homenzarrão consumiu imenso tempo a apanhar o conteúdo da minha carteira espalhado por todo o lado e perdeu toda a carga erótica quando comparou a dispersão dos meus parcos haveres a um desastre de avião.

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