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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe d'O

rabiscado pela Gaffe, em 19.01.17
 

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A polémica foi medíocre, mas acabou por despertar a nossa atenção.


Michelle Obama.


Independentemente da sua tão invocada elegância, discutível como é normal, porque a noção de elegância é de tal forma subjectiva que a atribuição do estatuto é contestável, a senhora Obama assustava um pouco.
Dizem as más-línguas, que como sabemos são demasiado interessantes e interesseiras para nos podermos dar ao luxo de as ignorar, que esta mulher foi uma primeira-dama reservada, seca no trato, prepotente e dominadora.


Seja.


O facto de parte do mundo cor-de-rosa a ter começado a tratar por Michelle O, por analogia com outra O, não há motivo ou razão lógica para a aproximar da famigerada e elegantíssima Jackie.
Michelle foi e é incontestavelmente diferente.
Não teve como é evidente o allure francês que foi mantido durante toda a vida pela Kennedy-Onassis mas em contrapartida manteve um gabinete seu - muito capaz e de importância capital -, na Casa Branca.


Entre uma elegância compulsivamente consumista, uma fotogénica oscilação entre a depressão e a discreta euforia própria dos neuróticos bem controlados, e uma elegância que advém da notória inteligência de quem acompanha, impulsiona, fortalece e até mesmo substitui o seu Presidente, nós, raparigas espertas, por muito que nos custe, escolhemos a segunda, mesmo que isso assuste os cor-de-rosa pouco habituados a ver o topo do mundo ocupado por uma mulher de cores diferentes.

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A Gaffe no fio das palavras

rabiscado pela Gaffe, em 19.01.17

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As palavras deviam ser como instrumentos cirúrgicos prontos a dissecar a alma.

 

As minhas não passam de rombos grosseiros na pele da penumbra. O que dizem, escolhidas à toa, não chega sequer para sonhar entender os mecanismos mais simples dos universos interiores de quem por mim passa. Às vezes, a frustração de não poder dizer a alma dos outros, atinge-me e reduz-me à mais ínfima partícula de nada. Nesses instantes, a percepção da minha impotência diminui-me e transforma a minha mais ténue luminosidade num minúsculo e insignificante ponto de luz, tímido fósforo fraco, a ameaçar o bosque inacabado e inacabável dos sentidos, a tentar aflorar brevemente as tábuas das almas.

 

Misturado com as resplandecentes clareiras e desenhos do sol no solo, é desprezível o fio que vou tecendo, como se de um fio de aranha se tratasse, sem qualquer capacidade de formar a teia e sem aranha e sem insecto e sem lugar onde prender o início e sem qualquer gota de sol que nele se rebata.

 

Nestes momentos de mísera incapaz, as palavras ficam sem abrigo. Nesses instantes eu odeio os livros.

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