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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe tablóide

rabiscado pela Gaffe, em 14.02.17

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Ela lembrava-se do modo como cicatrizavam os lanhos do amante. Como os lambia até se transformarem em traços ou rastos de gaivotas sobre a areia.

Vinha pedir guarida e ela guardava-o.
Santuário.

Lençóis erguidos, góticos, erectos.

Sangue atrás de sangue, ferida a ferida, lambia unindo os bordos do rasgado até surgir a linha rosa de carne e cicatriz. Lanho a lanho, noite em noite, de solidão em solidão, ela cosia os rasgões que ele trazia.

Muda. Mais muda. Sempre mais muda. Como se o seu silêncio pudesse crescer interminável, como se tombasse no negro e se transformasse nele, como se logo atrás da mudez existisse o vácuo.

Ela tinha o sabor dele na boca, como palavras delas.

 

Hoje matou-o. Foi a única forma de falar que ela encontrou.

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Gavetas:

A Gaffe numa questão de números

rabiscado pela Gaffe, em 14.02.17
 
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- Nem sequer sabes o número do meu telemóvel - diz muito de mansinho o rapaz. Depois sai e leva a desloação debaixo do braço como se transportasse um pássaro preso. 

Arrasta uma tristeza tão suave e tímida que parece saída de um conto de fadas.

 

A Gaffe não sabe o número do telemóvel do rapagão e esquece-se de lhe dizer que ele tem 126 pestanas na pálpebra esquerda e 145 na pálpebra direita.

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