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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de quatro

rabiscado pela Gaffe, em 15.02.17

1.102.jpgÉ cansativo a Gaffe ter de repetir o quanto gosta de rapagões com barba.

No entanto, já é novo fazer notar que para ostentar uma pilosidade facial que comove de tão atraente e nos deixa de joelhos e a agradecer aos deuses a possibilidade de enlouquecermos sem qualquer réstia de pudor, urge obedecer a determinadas condições que, contrariadas, nos plantam na frente um troglodita macabro ou, na melhor das hipóteses, o Professor Pinto da Costa.

 

A nuca peluda

Nenhuma barba resiste ao nosso escrutínio quando parece dar a volta ao pescoço. A barba tem se impor, solitária e nobre, anulando a adversidade. Não pode parecer que tem um armazém de pêlos logo atrás da montra.

 

Pêlos nas orelhas

Permitidos aos senhores que ficam muito irritados nas noites de lua cheia e interditos aos restantes que nas noites da dita nos levam a ver o mar ou a jantar em Paris com vista para o Sena. A barba não começa nos pavilhões auriculares. Nada começa aí, a não ser a vontade de nos obedecer.

 

Pêlos no nariz

Uma barba que traz apenso um bigode que se introduz nas asas do nariz, apenas nos lembra a brisa dos Verões mais amenos porque nos faz ficar sempre à espera de ver por ali sair os grilos que ali se escondem.

 

Sobrancelhas Álvaro Cunhal.

Não é de todo aconselhável usar umas idênticas às do Cristiano Ronaldo ou a do travesti do quinto esquerdo, mas é simpático que não as consigam pentear até ao infeliz encontro com os pêlos que enfeitam a nuca.

 

São algumas das mais básicas premissas que um qualquer barbeiro que se preze se encarregará de cumprir.

Ignorá-las é facilitar o coreografo dos desfiles de Carnaval de uma mimosa aldeia portuguesa e inundar de luar o tal homenzinho que se irrita.  

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Gavetas:

O que quero ser quando for grande

rabiscado pela Gaffe, em 15.02.17

Eu quando for grande quero ser médico plástico. Ando a decorar os nomes dos exames que a minha avó faz para depois receitar às pessoas velhinhas e pobres. As pessoas velhinhas e pobres não sabem ler mas vão na mesma ao Centro de Saúde onde vou receitar os nomes dos exames que decorei porque aquilo é sempre igual. Se os velhinhos morrerem é já por serem velhinhos portanto já basta eu saber escrever lectrocefotróstopia e colonecostrostifona e já ganho uma data de dinheiro que nem precisava de saber o que aquilo é. Eu até sei que lectrocefolostróstipia é um exame em que se liga uma pessoa à electricidade e se carrega num botão que diz on em inglês. Depois a electricidade bate nas amígdalas que são umas coisas que a gente tem dentro dos olhos e há quem diga que são do senhor reitor e dá uma choque que é marcado num papel A4 com uma esferográfica presa por um fio de nilon que também se usa nas meias. Depois temos de ver se os riscos se parecem com os desenhos das montanhas onde um senhor chamado João Garcia perdeu o nariz e os dedos e quem sabe a pila e já nem pode ir aos Jogos Olímpicos. Se a esferográfica não riscar então é porque é o meu primo Zeca que está a fazer o exame ou então é o meu tio Alfredo que já estava morto há três dias quando o chamaram para fazer a lectrostrifosfonia. Também gosto do colonecostrofidia que é um exame que só se faz às senhoras porque vem do colon que numa língua que já morreu coitada queria dizer mamas portanto tenho de ter cuidado e não o receitar aos homens. O meu primo Zeca uma vez fez um por engano e ficou sem se poder sentar com diarreia durante quatro dias. Ninguém soube porquê. Há outro exame que o meu primo não gosta e que é o que faz o senhor papa Nicolau mas esse é porque o meu primo diz que não é religioso mas que a minha prima Alzira adora e até diz que podem vir os que vierem que ela já está habituada a ter as pernas preparadas. Também há um exame chamado cardotraqueocupalgia que é um estudo que se faz aos gases e que o meu avô diz que não pode fazer porque fica com eles na garganta e depois não pode acompanhar a menina Maria Leal quando ela se põe a cantar. A minha tia fez um cardotraqueocupialgia no ano passado e aquilo foi um escândalo. A minha tia rachou a cabeça e escamou os dentes ao senhor doutor com um chinelo de cunha quando ele lhe meteu um tubo de plástico no ânus que é o dia do aniversário dela que foi quando ela marcou a consulta no mesmo médico que tratou a senhora dona Manuela Moura Guedes quando ela teve um acidente. A dona Manuela Moura Guedes andava pelos estúdios da TVI que o marido comprou aos chineses muito distraída e levou nas trombas com o intercidades e depois não podia mastigar os Ferrero Roche que andava a guardar na boca para se ir entretendo até ao Natal. Até ficou com o plástico da frente do comboio nas bochechas. Eu dantes queria ser primeiro-ministro mas a senhora professora disse-me que se volto a tocar neste assunto que já se arquivava aquela merda e no da Médi levo uma galheta que até tenho de ir ao Centro de Saúde fazer uma ortopantropalmatolhia que é um exame que dói muito e que deixa as pessoas parecidas com o senhor João César das Neves que fez há já algum tempo uma ortopantitopalmilha e nunca mais foi o mesmo que era quando era novo e andava de caçadeira aos tiros às bichas que provocam muitas doenças e que só detectadas com um bichotopomortógrafo que é um aparelho que as apanha quando se põe a vibrar e as faz gritar. Eu gostava muito de ser médico de plástico e ainda gosto mais da senhora dona Manuela Moura Guedes não a desfazendo.

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