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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e as futilidades

rabiscado pela Gaffe, em 16.02.17

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Apetece-me ser fútil.

Há alturas em que me apetece ser absolutamente vazia. Uma pin-up de cartaz e somente isso.

 

Confesso a minha admiração pelas raparigas geniais que formigam nos blogs que tenho lido. Fazem ligações inteligentíssimas, links para artigos de opinião muito eruditos e arranjam modo de os comentar fornecendo aos néscios as suas brilhantes conclusões. Conseguem criar uma espécie de mesa redonda, à boa maneira medieva, e permitem apenas aos intelectos superiores o uso das cadeiras.

 

São fantásticas e conseguem transformar os seus apontamentos em tratados de erudição. É sobretudo esta última característica que me provoca espanto.

 

Como não sou miúda de links inteligentes para blogs eruditos e por não preencher os parâmetros exigidos para ser introduzida nos círculos mais famosos, fica aberta a possibilidade de me transformar em pin-up idiota, recortada em papel e em poses divertidas e marotas.

 

Apetece-me ser fútil e palrar acerca de tralha inútil.

 

Às vezes a vacuidade é abençoada. Nós, que apenas somos raparigas espertas, acabamos por parecer loiras tontas e patéticas, mas é a futilidade consciente que nos permite falar ao mesmo tempo do baile de Cortez e do corte de uma saia Valentino.

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Gavetas:

A Gaffe cá e lá

rabiscado pela Gaffe, em 16.02.17
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A vida lá fora, ou seja, exterior ao meu teclado e ao monitor do meu PC, não é um espaço restrito e definido, com fronteiras perfeitamente traçadas e limites conhecidos - sobretudo quando falamos de sentimentos ou emoções ou atitudes. Não somos frutos que se possam cortar ao meio separando as partes, classificando-as depois, aplicando os critérios que escolhemos por razões que mais se aproximam daquilo que supomos ser a nossa cara.

Não podemos excluir, desprezando ou subestimando, tratando como inútil ou não-emoção ou não-vida ou não-sentimento a parte, o gomo, que não se adequa aquilo que nós consideramos digno de ser lido ou olhado ou sentido como sério ou real.

A vida e as emoções e os sentimentos e as atitudes são mutáveis, renováveis, reinventáveis.

 

 

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A Ritinha

rabiscado pela Gaffe, em 16.02.17

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Hoje não posso demorar muito a fazer a minha redacção porque andamos à bulha e vamos todos de castigo partir a lenha para a salamandra da escola. A senhora professora disse que andamos no buldingue e tirou uma fotografia com o telemóvel para meter no feiceboque dela para mostrar que se vê grega para nos aturar. Até teve muitos laiques que é um dedo azul levantado para cima a pedir boleia. É muito importante este dedo porque se não o tivermos no feiceboque não conseguimos ter ar no cérebro. Por acaso não andamos no buldingue que isso é como se diz edifício em inglês como eu ouvi num filme com a Angelina Jole que se atirava dos buldingues para dar tiros nos bandidos e atravessar a estrada mais depressa que há muitos carros lá no sítio onde ela vive e podemos morrer atropelados. A Angelina Jole é parecida com a Liliana que anda como ela com o cu a abanar para os lados. Foi por isso que ontem andamos à bulha. Como era o dia dos namorados os rapazes queriam dar-lhe umas lembranças. O problema é que foram muitos a lembrar-se e deu para o torto. Até esmagaram o bolo de arroz que o Zé tinha guardado desde o ano novo para lhe dar e o Ferreiro Rocher que o Manuel tinha no bolso. Eu até digo uma coisa o Ferreiro Roche com bolo de arroz misturado é bem bom. A Liliana ficou sem lembranças mas continuou a abanar o cu para os lados como se não fosse nada com ela. Por acaso eu não gosto muito da Liliana por isso não andei à batatada mas é como se andasse que não se vê quem foi na fotografia. Gosto é da Ritinha que é magrinha e pequenina e tem medo de tudo e usa sempre um laço no cabelo faça chuva ou faça sol. Mais sol do que chuva porque quando ela aparece à minha frente cheira sempre a girassóis. Eu andava à bulha por causa da Ritinha porque eu acho que só vale a pena andar à batatada por causa do cheiro dos girassóis que a Ritinha tem e que me fazem sentir corajoso. Eu gosto muito da Ritinha.

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