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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe em narrativa simétrica

rabiscado pela Gaffe, em 14.03.17

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O que torna uma mulher reconhecível no meio de uma multidão de extraordinária beleza?  

 

Os estudiosos declaram que é a simetria. Um rosto absolutamente simétrico possui a capacidade de ser considerado belo em todos os lugares e em todos os tempos. Atravessa as civilizações e nelas deixa marcas indeléveis, consegue aglomerar em seu redor a generalizada opinião que eleva as suas formas à condição de excelência e produz invariavelmente a unanimidade em relação à formosura que possui.

 

Eventualmente será assim.

 

No entanto, um querido amigo tem uma teoria diferente.

 

O que torna impossível uma mulher ser ignorada pode não ser a simetria do rosto, que de perfeita é incontornável, mas a história que o rodeia. A deslumbrante capacidade de prender o olhar, não a forma correcta do nariz ou o langor dos olhos iguais, quase duplicados e reflectidos por milagre, ou a harmonia constante das maçãs do rosto, mas a possibilidade de reter histórias ou a faculdade de despertar enredos no imaginário do mais comum dos mortais.

 

A beleza indestrutível é um misto de narrativas por escrever. Acorda o talento inventivo de cada um de nós e permite-nos a adivinha, o jogo, a fantasia, o devaneio e a ilusão de podermos alcançar a quimera que vamos sem saber construindo a partir do que não lemos.

 

A simetria auxilia a beleza, mas é o poder que a mulher retém de provocar histórias que faz dela única e a torna impossível de ignorar.

 

Imagem - Rachel Ruysch (Séc. XVII)

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O destaque

rabiscado pela Gaffe, em 14.03.17

Eu gosto muito do destaque embora não saiba bem o que significa. Fui a tempo de ver a palavra no Magalhães antes de chegar um senhor vestido de ministro que mo tirou à chapada depois de outro senhor vestido de ministro mo ter dado há uns anos para eu ver o significado das palavras. Eu como agora aprendo inglês aqui na escola até lhe disse put a keep pare you mas o homem fez que não entendeu e arrancou-mo na mesma. Só tive tempo de ver que no Magalhães aparecia a palavra destaque por isso penso que é o contrário de taque que é uma coisa que se faz no hospital. Não é aquela coisa que se diz mas que primeiro bisnagamos o ambiente com uma das amostras de cheirinhos que a minha prima Idalina rouba nas perfumarias enquanto as empregadas estão distraídas a falar no uatesapo com as outras colegas que estão no balcão ao lado. Isso é um traque. Um destaque é uma coisa que atira para ar uns vírus que fazem mal às pessoas e aos computadores. Deve ter sido por isso que me tiraram o Magalhães que devia estar cheio de destaques dentro e já a infectar a mioleira à minha professora que disse que aquilo tudo era uma vigarice e que se nos apanhasse a ver mulheres nuas nos fechava a tampa do computador depois de nos meter a pila lá dentro. A Escola não é a oficina do meu primo Zeca que tem umas fotografias coladas na parede de senhoras com mamas de fora. A minha prima Idalina diz que são companheiras de luta que a minha prima é sindicalista e trabalha no turno da noite porque diz que depois das nove há mais movimento de massas. Eu só espero que não sejam as massas que comi com atum ao jantar que ainda andam às voltas nos meus intestinos. Até tive de disfarçar o pivete. Não foi é complicado porque basta a minha professora falar que ela tem um bafo que parece saído do Inferno e aquilo passa. É melhor se nenhum dos cachopos da minha classe não vomitar nos cadernos como aconteceu ao Bernardino que é um colega meu que está sentado no fundo da sala e que fica muito agoniado com os bafos das pessoas e que também vomita com o cheiro dos queijos da serra que a minha prima traz do sindicato quando não há trocos e com a bosta das vacas que andam a pastar aqui no recreio. A minha prima Idalina diz que as vacas deviam ser sagradas como num país chamado Índia que fica na América que está cheia de índios que usam penas na cabeça de passarinhos mortos à paulada que é uma menina que desfila em Torres Vedras chamada Paula mas que toda a gente trata por Paulada porque dizem que é tarada por andar toda nua a abanar o rabo em cima de um carro de bois enfeitado com flores de papel de embrulho durante as férias do Natal e fala com sotaque do Brasil que é país que fica debaixo do mar e que foi governado por uma lula gigante que também era sindicalista. Eu até penso que é tudo mentira porque o único país dentro de água que eu conheço é o meu e não é nenhuma lula que o governa e se dissermos que é um polvo mesmo que seja um polvo ranhoso levamos umas chibatadas que até nos levantam dos bancos depois de lá terem saído uns senhores de óculos e muito tesos por causa das preocupações e do trabalho que tiveram em almofadar o rabo para não magoar as hemorróidas quando decidem que já é altura de disfarçar os traques que foram dando mesmo aqueles que cheiram às amostras que a minha prima roubava nas perfumarias antes de a descobrirem lhe chamarem vaca e telefonarem à polícia. O que valeu foi que a minha prima Idalina também faz artesanato nas horas de ponta e ofereceu uns alfinetes de peito ao polícia de turno que gostou muito e agora não sai de lá de casa a pedir o resto porque pelos vistos a mulher dele é mais bolos. Eu gosto muito do destaque que fizeram no Sapo.

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A Gaffe pequeno-burguesa

rabiscado pela Gaffe, em 14.03.17

Ferrari

 O sonho de um empreiteiro:

Uma loira e um Ferrari.

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Gavetas:


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