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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe a latejar

rabiscado pela Gaffe, em 30.06.17

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A Gaffe, de quando em vez, e lê os jornais e e vê os bonecos. A Gaffe, de vez em quando, está atenta ao latejar do seu país

 

É uma atitude que a maça imenso, mas que considera essencial para seu crescimento intelectual - coisa que, como é sabido, eleva qualquer um, apesar de ser mais interessante ver a chuva a cair e gatinhos a miar na rede.

 

Num destes batimentos auscultados, a Gaffe ouviu Passos Coelho a exigir sentido de Estado aos governantes, pouco tempo depois de ter anunciado suicídios em Pedrogão. É evidente, meus caros, que Passos Coelho se referia a ameaças de suicídio e não aqueles que só aconteceram porque um malandreco exagerado se lembrou de os inventar. Não se pode olvidar – a Gaffe estava ansiosa por usar um termo parlamentar! – que Passos Coelho sempre foi um visionário, um profeta disfarçado de estadista. Tendo em consideração a cinza que caiu nos móveis, que dá vastíssimo trabalho a limpar, uma paisagem toda cinzenta pela frente sem uma única piscina a funcionar no verde de uma espreguiçadeira, será bom de ver que depressa deprimimos. É evidente que o sentido de Estado pode e deve anunciar o que prevê após os factos ocorridos e que pode mesmo lembrar, caso ainda não seja projecto das vítimas, que o suicídio de uma criatura já calcinada por dentro pode ser mais uma belíssima oportunidade para arrasar a Constança. Se os suicídios não ocorreram e não existe previsão de tal, podemos sempre recorrer a um paspalho que nos mentiu e cravar no lombo do diabo um belíssimo e tão jeitoso foi ele que me disse, que pode ser usado também quando Passos Coelho de sorriso careca acarinha mimosamente o eucaliptal desgarrado, ilibando o pobre de incendiárias responsabilidades. Toda a gente sabe que o eucalipto é uma plantinha fofa, com características que não assustam nada e que só arde se a Mariana Mortágua a irritar muito. Passo Coelho sublinha o facto com veemência, ateando a botânica que lhe dizem.

 

Convém no entanto reter que este acreditar duro e puro naquilo que se ouve pode, não raras vezes, produzir benefícios.

A menina finalista que sabia de antemão, por fuga de informação de uma comuna sindicalista, que o seu exame contemplaria Alberto Caaaaaaaeiro, acabou possivelmente muito orgulhosa com a classificação que obteve, embora a Gaffe acredite que quem pronuncia Caaaaaaaeiro ao nomear um heterónimo do poeta, dificilmente lerá com rigor a pauta – ou a pôta? - onde se esbardalha a sua vigarice recompensada. Como será bom de ver, tornou ao mesmo tempo dificílima a localização da responsável pelo crime, tendo em conta que, para quem diz Caaaaaaeiro, todos os sindicalistas são comunas.

 

A Gaffe - para finalizar, que tudo isto é uma maçada -, sublinha que, contrabalançando estes extremos ocupados por um dito descompensado e um feito recompensado, podemos encontrar no meio Salvador Sobral. Foi lamentável o rapaz não ter dito e feito, colocando o microfone no rabo, gaseando as suas dúvidas, mas a verdade é que até esta pobre rapariga se debruçou estúpida, parva, imbecil, a cheirar uma mentirinha musical.

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A Gaffe com poucas palavras

rabiscado pela Gaffe, em 30.06.17

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Quando um punhado de 111 palavras nos faz sentir que vale por galáxias inteiras.

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