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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe campeã

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.17

Ph. André Kertész.jpg

Porque faz tanta falta um lugar onde nos possamos sentar e ficar pela tarde dentro, morna e lenta, a ouvir falar das coisas que nos falham, porque a tarde lenta e morna nos faz acreditar que há tempo para tudo.

 

Foto - André Kertész

 

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A Gaffe de cinzento

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.17

Alexandre Trauner     Fleurs, Paris     c.1940.png

Tinha um vestido cinzento. Princesa. Partiam quatro pregas fundas do corte no peito. Um laço rígido e pequeno apertava a gola arredondada. Mangas ¾, dizia a minha avó.

Era demasiado criança para tanta severidade, mas aquele vestido de Inverno tinha-se tornado um dos meus favoritos. Usava-o com meias grossas e sapatos fechados, muito masculinos.

Quando o vestia deixava de ter corpo. Só havia aquele cinzento que apagava as cores das pessoas que deixavam também de existir dentro da roupa que traziam.

A minha mãe prendia-me o cabelo com uma fita larga, num tom pouco afastado da cor do vestido e ajudava-me a colocar os minúsculos brincos de pérolas que tinha guardados numa caixinha preta que fechava com um clique que ainda ouço, nítido, sempre que me chega à memória o almofadado dos gestos que me tocavam e afastavam o cabelo e me roçagavam o rosto.

 

Gostava do vestido cinzento e daquele gesto que me enfeitava as orelhas.

Tinham silêncio.

 

Foto - Alexandre Trauner - 1940

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