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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe muito incapaz

rabiscado pela Gaffe, em 18.09.17

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Dizem-me os entendidos cor-de-rosa que existem dez factores masculinos que tornam irresistíveis os seus donos aos olhos das moçoilas. Enumeram-nos. Verifico a existência de barba, pilosidade maravilhosamente distribuída, queixo quadrado, abdominais proeminentes, olhos de lince, lábios de mosto, quem faz um filho fá-lo por gosto, entre outras condições exigidas para que nos verguemos, dominadas e seduzidas.

Dizem-nos também que a nossa atracção pelo macho é directamente proporcional à sua aparente capacidade de procriar, de proteger, de dominar, de ser gregário, mesmo tribal, e de produzir rebentos do mesmo calibre dos deuses. Referem, à laia de exemplo e por exemplo muito street style, que uma mulher acompanhada por um barbudo tem menos hipóteses de ser assaltada pela calada daquela noite em que escolheu um imberbe. É-nos sugerido que um Cro-Magnon é sempre o bicho que escolheríamos, ignorando descaradamente um hipster vestido por Valentino, para connosco partilhar a observação das estrelas que explodem quando a cama é comum.

 

Pese embora o rasgar de vestes, o arranhar das paredes até se escacarem nails, o sangrar do Facebook lancetado por pretensos feminismos capazes de desentranhar a revolta enojada a muitas Marias, estou tentada a concordar.

 

Gostamos de Cro-Magnons. C’est mignon.

 

Não é de todo desagradável termos Daniel Craig, todo nu, carnal, bruto, besta insensível, insaciável, macho alpha malcriado, de pistola em riste, machista e misógino, a empurrar-nos contra uma parede, ou a desabar sobre o nosso corpinho de ninfa dos bosques frágeis, todas dominadas, à mercê dos seus desejos concupiscentes e prontas a ser tratadas como objectos. Desde que Daniel Craig tenha consciência do valor do objecto - capaz de humilhar a parva da Mona Lisa, único e incomparável, obra-de-arte indizível e suprema criação de Deus Nosso Senhor - não nos conspurca decidir ser tratadas, de quando em vez, como objectos.

 

Apesar de parecer contraditório, esta escolha consubstancia uma atitude deveras feminista.

 

É um fastio, um tédio, um enfado, uma frustração, um desespero e uma dieta forçada, uma rapariga ter de negar o prazer imenso que é ser controlada, manobrada, usada e transformada em objecto nu, deitado na cama, só com uma gota de Chanel a proteger-lhe a feminilidade, quando o frasco do seu desejo assim se desenrosca.

Não tem mal nenhum e o sexo é sempre tão primitivo que dir-se-á datar do Paraíso.

 

Depois, minhas caras, nos sabemos que se gostamos de ter, de vez em quando, Daniel Craig a disparar canhões de testosterona bruta e grosseira - e para lá das escolhas que dizem que fazemos -, existe sempre o deslumbrante Tom Hiddleston, o meu preferido e preterido 007, capaz de se transformar em Halibut.

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